por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Jogo fácil do início ao fim e em estilo de treino na 1ª
parte, de tal modo que o jogo se tornou entediante para o espectador.
Face a um adversário claramente inferior às restantes
equipes do Grupo o Botafogo apresentou-se num 4-4-2 que variava para o 3-5-2
quando atacava, mas nem por isso se tornou mais efetiva, porque adormeceu a
partir dos 15’ quando se adiantou no marcador.
Desde o início parecia claro que o adversário não conseguiria
medir forças com o Botafogo, organizado em triângulo no meio campo e com Alan
mais avançado, ao mesmo tempo que os nossos laterais progrediam nas duas alas e
lançavam sucessivos cruzamentos para a área.
Apesar disso, a jogada mais perigosa só surgiu aos 12’,
quando um cruzamento de Arthur Cabral do lado esquerdo encontrou o jovem Kadir ao
segundo pau, que tocou de cabeça para Edenílson na pequena área, que por um
triz não inaugurava o marcador. E em seguida, aos 15’, Alex Telles centrou novamente
da esquerda ao segundo pau e Mateo Ponte entrou fulminante para balançar as
redes adversárias. Botafogo 1x0.
E foi aí que o treino praticamente começou: posse de bola
com mais de 70%, jogo cadenciado, tentativas pouco efetivas e muito mornas para
ampliar o marcador, sobretudo porque boa parte das bolas chegavam na direção de
Arthur Cabral que, aparentemente com peso acima do que devia, não consegue
correr o suficiente e as bolas tornaram a escapar-lhe – por não as alcançar ou
não dominar –, depois de duas ou três boas apresentações em jogos anteriores,
inviabilizando a pretendida articulação com Álvaro Montoro.
O jogo atingiu um nível de ‘banho-maria’ tão alto que
após o gol passaram-se 25 minutos até uma nova grande oportunidade dentro da
área aos 40’ com Cabral novamente fora de rota da bola; aos 45’ o jovem Kadir –
bastante mais perigoso do que Cabral, insistiu na busca da bola após hesitação da
zaga e conseguiu rematar com a bola saindo rasteira rente ao poste.
O 1º tempo terminou com um único e frouxo remate do
Independiente à nossa baliza contra uma dúzia de remates do Botafogo, que evidenciou
volume de jogo atacante, mas muito pouco eficaz.
Na 2ª parte, certamente por instruções do treinador, a
mesma equipe da 1ª parte e com o mesmo esquema tático apresentou-se bastante
mais veloz desde o minuto inicial, quando Kadir, aos 46’ deu o tom, rematando de
primeira e ganhando escanteio; aos 50’ o mesmo Kadir, muito móvel no ataque,
cruzou para trás desde a linha de fundo e Montoro rematou para o goleiro
espalmar com boa defesa.
Ainda assim, somente aos 62’ o Botafogo foi capaz de vencer
pela 2ª vez a atabalhoada equipe do Independiente: Alex Telles cobrou uma falta
descaído para a direita, o goleiro espalmou, Montoro recebeu o rebote para lá
do segundo poste e conseguiu, com pouco ângulo, rematar cruzado e ampliar o
placar. Botafogo 2x0.
Entretanto o nosso estimado Franclim continuou ‘dando
bola’ para Joaquín Correa que tornou a entrar em mais um jogo, no lugar de
Kadir, sem coisa alguma conseguir. Kadir, apesar de não conseguir um gol
merecido, mostrou-se o mais aplicado, móvel e com diversas boas assistências
para os companheiros.
Embora perceba que é necessário rodar a equipe face ao
elevadíssimo número de jogos de três em três dias, não percebo a razão de Lucas
Villalba continuar encostado emperrando-se a possibilidade de ganhar minutos e
subir de forma – porque é muito melhor do que a nulidade de jogadas apresentadas
por Correa.
Vencida e cansada, a frágil equipe adversária tomou pela
1ª vez um contra-ataque do Botafogo, excelentemente trabalhado de pé em pé, e
Newton – que entrara há pouco – teve a felicidade concluir com sucesso aos 77’.
Botafogo 3x0.
Aos 86’ Marçal rematou ao poste; aos 87’ Bastos
desperdiçou uma grande oportunidade com uma cabeçada para fora; aos 90+3’ terminou
uma partida desinteressante.
E aos ‘trancos e barrancos’ o Botafogo alcança o 9º jogo
sem conhecer o sabor da derrota e Franclim Carvalho mantém a sua
invencibilidade como técnico há 7 jogos.
O Remo também é para vencer – desejavelmente com menos ‘banho-maria’
do que contra o Independiente Petrolero.
Botafogo 3x0 Independiente Petrolero
» Gols: Mateo Ponte, aos 15’, Álvaro Montoro, aos 62’, e Newton,
ao 77’
» Competição: Copa Sul-americana
» Data: 28.04.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro
(RJ)
» Público: 7.198 pagantes; 8.434 espectadores
» Renda: R$ 168.497,00
» Árbitro: Fernando Vejar (Chile); Assistentes: Carlos Poblete
(Chile) e Eric Pizarro (Chile)
; VAR: Miguel Araos (Chile)
» Disciplina: cartão amarelo – Bastos e Santi Rodríguez
(Botafogo); Eduardo (Independiente); cartão vermelho – Eduardo (Independiente)
» Botafogo: Neto; Mateo Ponte, Bastos, Alexander Barboza
e Alex Telles (Marçal); Allan, Cristian Medina, Edenílson (Newton) e Álvaro
Montoro (Santi Rodríguez); Kadir Barría (Joaquín Correa) e Arthur Cabral (Chris
Ramos). Técnico: Franclim Carvalho.
» Independiente Petrolero: Johan Gutiérrez; Saúl Torres,
Eduardo, Palma e Francisco Rodríguez (Leaños); Daniel Rojas, Diego Vargas
(Gustavo Cristaldo) e Willie; Ruddy Cardozo (Mercado), Wagner Pinote (Lutkowski)
e Jonatan Cristaldo (Rivas). Técnico: Thiago Leitão.

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