por RUY MOURA
Às vezes bate um certo desalento assistir a jogos
do Botafogo tão alternados de qualidade, de um jogo para outro, de um tempo
para outro.
Quando parecia que Neto, Arthur Cabral, Matheus
Martins e Júnior Santos engrenavam, eis que regressam a desempenhos anteriores,
assim como Barboza, que de jogo em jogo cai de produção com a mente virada para
outro lado. E já agora bem que gostava de perguntar a Franclim Carvalho qual é coisa,
qual é ela, que vislumbra no futebol de Joaquín Correa.
O primeiro tempo foi pouco menos que pavoroso
de parte a parte. O meio campo do Botafogo não encontrava passes de qualidade
devido à zaga alta do Internacional e acabava por lançar chutão para a frente
em passes de profundidade que se perdiam ou eram mal recebidos; e o Internacional,
mais preocupado em manter o nulo do que procurar o gol, fazia rigorosamente o
mesmo porque não conseguia ultrapassar os volantes do Botafogo.
Assim, num jogo em que parecia medroso contra
medroso, viu-se apenas um ataque de Arthur Cabral, que ia direto para a baliza
e o árbitro assinalou falta inexistente do alvinegro; por volta dos 35’ Júnior Santos
deu uma furada inacreditável e já nos acréscimos o Internacional poderia ter
marcado – naquele que foi o único verdadeiro remate perigoso na 1ª parte –, mas
o chute foi à figura de Neto que espalmou no susto.
O segundo tempo prometia com a entrada mais
forte do Botafogo, já sem Júnior Santos e com Kadir, que melhorou as jogadas de
ataque, e após alguma insistência no ataque eis que Mateo Ponte rolou o esférico
para Danilo à entrada da área, ele girou sobre si mesmo livrando-se do
adversário e assinou um bonito gol no ângulo direito da baliza defendida por
Anthoni aos 53’. Botafogo 1x0.
Parecia então que a coisa ia tomar jeito, mas
é recorrente o Botafogo relaxar após um gol, permitir contra-ataques e tomar gol
em seguida. E foi isso que aconteceu volvidos apenas cinco minutos: Alerrandro
lançou Carbonaro, rematou cruzado à entrada da área, a bola era relativamente
fácil de espalmar, mas eis que Neto fez funcionar novamente a sua afamada ‘mão
de alface’ e o Internacional empatou a partida.
O Botafogo procurou restabelecer a vantagem
pressionando a defesa contrária, e eis que Kadir fez um arranque espetacular
pela ala direita com dois adversários à sua ilharga, cruzou para trás, Matheus
Martins rematou, o goleiro desviou ligeiramente a bola, que bateu no travessão,
e no rebate Cristian Medina não perdoou aos 65’: Botafogo 2x1.
Como já é habitual, em vez de guardar a bola,
esperando alguma ousadia do Internacional e contra-atacar, a equipe relaxou
novamente e oito minutos depois, com oferenda de Barboza, Bernabei tornou a
empatar a partida.
Conseguir que estes jogadores se concentrem de
ponta a ponta durante 90 minutos (em 1 ou 2 vezes por semana) é tarefa mais
difícil do que completar os 12 trabalhos de Hércules.
E assim se chegou a um empate frustrante
quando o volume de jogo do segundo tempo justificava inteiramente a vitória, caso
não fossem as graciosas ofertas com que o Internacional foi brindado.
Acredito que Franclim acabará, já tardiamente,
por perceber que Correa nem suplente é e Villalba é, no mínimo, suplente.
Seguem-se três jogos do Botafogo que, jogados
com juízo pelo seu comandante e pela equipe, são para vencer.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x2
Internacional
» Gols: Danilo, aos 53’, e Cristian Medina,
aos 65’ (Botafogo); Carbonero, aos 58’, e Bernabei, aos 73’ (Internacional)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 25.04.2026
» Local: Estádio Mané Garrincha, em Brasília
(DF)
» Público: 16.332 espectadores
» Renda: R$ 1.936.951,00
» Árbitro: Fernando Antônio Mendes de Salles
Nascimento Filho (PA); Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Acácio
Menezes Leão (PA); VAR: Héber Roberto Lopes (SC)
» Disciplina: cartão amarelo – Arthur Cabral,
Joaquín Correa e Franclim Carvalho – técnico (Botafogo) e Félix Torres, Victor
Gabriel e Clayton (Internacional)
» Botafogo: Neto; Vitinho (Mateo Ponte),
Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles; Cristian Medina, Danilo e Edenilson
(Joaquín Correa); Matheus Martins (Montoro), Arthur Cabral (Allan) e Júnior
Santos (Kadir). Técnico: Franclim Carvalho.
» Internacional: Anthoni; Bruno Gomes, Félix
Torres, Victor Gabriel e Bernabei; Villagra, Bruno Henrique (Paulinho) e Allex;
Carbonero (Matheus Bahia), Alerrandro (Borré) e Vitinho (Alan Patrick). Técnico:
Paulo Pezzolano.

4 comentários:
Não há coisa mais irritante num time com vantagem no placar, não explore o avanço do adversário, mas pelo contrário, o Botafogo com a vantagem no placar se lança ao ataque desguarnecendo sua retaguarda, e foi o que aconteceu ontem, no primeiro gol, repetindo o erro quase idêntico no jogo contra o Coritiba. Sobre o Neto me abstenha de comentar, porque já não aguento mais tantas falhas dele e porque não dizer do sistema defensivo. Parece o retorno do fantasma de 2007.
No segundo gol, me pergunto: por que no rebote da cobrança do escanteio, ninguém saiu para dar combate? O jogador do Inter não foi assediado, pelo contrário, foi convidado a chutar. Posso estar sendo leviano, mas tenho a impressão que o time ainda não se livrou de vícios muito ruins da gestão do Anselmi. Manter qualidades é sempre mais difícil que corrigir defeitos. Com o treinador anterior várias situações de gol do adversário tinham as características do que aconteceu ontem, inclusive na goleado contra o Cruzeiro que pouco muito pouco o Botafogo não são em desvantagem no primeiro tempo.
Será que o extra campo está mexendo com os atletas? Certa vez perguntaram ao Gerson, Canhotinha de Ouro se os problemas extra campo influenciaram no desempenho dos jogadores, ele respondeu que quando os jogadores entram em campo o que conta é o momento, eles não pensam nos problemas extra campo.
De qualquer modo, vamos torcer para que se resolvam os problemas que o clube está passando, mas principalmente que o Franclin escale quem estiver jogando melhor, pois o Tuco Corrêa é inexplicável estar sendo relacionado, o ca
Sem querer apertei o publicar antes de terminar o comentário. Sobre o Tuco, que sujeito preguiçoso, Sobre o Júnior Santos, ele precisa urgentemente de entrar em forma. A furada que ele deu foi algo inacreditável. Já vi grandes jogadores furar de forma bisonha, inclusive o Canhota, numa partida em GS em 1969, Botafogo 4X0 São Cristóvão. Faz parte, mas o momento atual do JS é muito ruim. Abs e SB!
É irritante e frustrante, Sergio. Os atletas não sabem ler jogo, não sabem o que jogo pede em momentos diferentes. O mais curioso é que os erros são recidivas de jogada exatamente iguais em jogos diferentes.
Sobre Léo Linck, Raul e Neto é cópia completa de 2007. e eu fosse treinador, mal por mal, chamava o Christian Loor. Quem sabe?... Pior é difícil fazer...
Não marcam nos rebotes, perdem inúmeras segundas bolas e nem sempre estão predispostos a ir à bola.
Estou muito desconsolado com a equipe, e o extracampo não ajuda nada a mitigar o meu desconsolo. Pelo contrário... Nem gosto de falar desse assunto para nã me irritar mais.
Temos três jogos em casa para aproveitar, porque pouco depois teremos quatro jogos sucessivos fora de casa. Se a equipe não melhorar, vai ser de doer...
Abraços Gloriosos.
Sobre o Tuco creio que está tudo dito. Sobre o JS é uma pena, porque sou fã dele, mas parece que chegou ao fim de carreira. Parecia que regressara ao antigamente, mas não. Ou será que ainda lhe vem um clarão e recomeça a jogar futebol?
Abraços Gloriosos.
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