segunda-feira, 11 de maio de 2026

Botafogo 1x1 Atlético Mineiro – empate justo

Neto, finalmente uma grande exibição. Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Eram decorridos 85’ quando pensei que, à partida, jogando fora com um adversário da mesma igualha que vinha de vencer o Cruzeiro por 3x1, e atravessando nós uma fase de altos e baixos nos últimos jogos, ainda sem uma identidade futebolística consolidada, poderíamos perder, mas visto bem o jogo o empate seria merecido porque se o Atlético foi melhor na 1ª parte, o Botafogo reagiu e foi melhor na 2ª.

E eis que poucos minutos depois do meu pensamento, aos 89’, pelo pé do atleta menos esperado, em jogada relâmpago, o empate fez jus ao que se passou em campo – Cabral, em reflexo rápido, não deu chances ao goleiro e estufou o barbante.

No 1º tempo o Botafogo parece ter-se assustado com o gol do Atlético no 1º minuto de jogo, que acabou por ser anulado devido a claro impedimento.

Os mineiros penetravam facilmente na nossa intermediária e aproximavam-se da baliza com uma permissão clara da defensiva botafoguense. A pressão mantinha-se mais ou menos constante e a nossa equipe não conseguia boa saída de bola, e quando ocasionalmente isso ocorria os homens da frente não conseguiam segurar a bola no campo adversário.

A pressão resultou quando aos 22’, num contra-ataque rápido, a zaga do Botafogo afastou mal a bola, a bola resvalou em Ferraresi e sobrou para Mateo Cassierra rematar vitoriosamente da marca do pênalti.

Os ataques perigosos sucediam-se e não seria de espantar que o Atlético ampliasse o placar, e somente aos 34’ é que o Botafogo conseguiu rematar perigosamente após escanteio e Barboza chutar de virada dentro da grande área para defesa do goleiro.

Porém, a incapacidade de o Botafogo urdir ataques coletivos obrigava a chutões para a frente na esperança de ‘achar’ um gol. Mas como isso não ocorria, eis que Barboza decidiu, aos 42’, disparar um chutaço de longe que rasou o poste da baliza de Everson.

O Botafogo só tornou a aparecer após nova jogada de Barboza, aos 46’,que Danilo aproveitou para rematar à entrada da área, mas muito fraco e à figura do goleiro.

O Botafogo foi tentando chegar à baliza adversária, mas não conseguia aproximação necessária e consistente. E o Galo, embora mantendo os ataques, geriu o jogo na parte final sentindo-se confortável com o placar e com a incapacidade do Botafogo de chegar ao empate.

Não obstante, foi um 1º tempo muito agradável de seguir, com as duas equipes buscando – com maior ou menor eficiência – superar (CAM) ou resistir ao adversário (BFR) de um modo digno de jogar futebol.

Chegou-se ao intervalo de um 1º tempo que se pode caracterizar por um Atlético com vontade de ganhar e um Botafogo sem vontade de perder, mas necessitado de fluir muito mais o seu jogo para chegar ao empate.

O Atlético entrou a 2ª parte substituindo Bernard por Alexsander aos 49’, face a um recomeço agitado com o Botafogo segurando a posse de bola e ameaçando o Atlético, que satisfeito com o resultado optou por reforçar a linha de meio campo em detrimento do ataque.

Aos 56’, Danilo teve chance de ouro para empatar no miolo da área, mas rematou mal, a bola depois resvalou na zaga e foi ao poste do lado inverso, perdendo-se a hipótese do empate.

Fazendo um parêntesis, não estou muito convencido da melhor utilidade de Danilo no ataque, porque se tem mostrado pouco produtivo nos dois últimos jogos em que esteve mais próximo da grande área – que não é a melhor posição dele. Tanto mais quanto Danilo, pela sua capacidade de criar, provavelmente seria mais útil na sua posição original – a vantagem é que consegue geralmente rematar melhor do que Cabral, Martins ou Kadir.

Aos 58’ o Atlético apareceu e Neto fez boa defesa. Tentando responder ao maior volume de jogo do Botafogo e retomar a iniciativa, Lodi descolou um lançamento para dentro da área aos 61’, Cuello cabeceou e Neto faz a defesa da noite, realizando uma grande exibição e contrariando os gols que anteriormente a sua mão leve não conseguiu deter.

Daí em diante houve muita luta de parte a parte com o Botafogo fazendo o que podia para não perder o jogo, enquanto o Atlético geria a partida, tanto mais quanto se aproximava do final e a sua torcida cantava alegremente com mais uma vitória.

Porém, aos 89’, Marçal insistiu na linha de fundo e acabou por ganhar uma lateral, cobrada em lançamento longo para a área. Na disputa pelo alto a bola resvalou num defensor – parecidíssimo com o resvalar no gol do Atlético – e sobrou para Arthur Cabral, no exato local onde deve estar um ’matador’, girou com a velocidade de um relâmpago e fuzilou as redes de Everton. O justo empate chegara, para suspiro de alívio da nossa torcida e apreensão profunda da torcida adversária que estava em festa.

Temos jogado 'sem' goleiro nem centroavante, e agora foram justamente esses dois 'ausentes' que evitaram os gols do Atlético e asseguraram o gol de empate. É o futebol...

Agora é eliminar a Chapecoense (14 de maio) da Copa do Brasil e realizar um jogo com maior identidade e mais convincente para vencer o Corinthians (17 de maio) em casa, pelo Brasileirão.

PS: Arbitragem invisível, evitando interrupções e ‘palco’ desnecessário, como deviam ser todas as arbitragens, e um jogo disputado com muita lealdade de parte a parte entre os jogadores. É de saudar.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Atlético Mineiro

» Gols: Arthur Cabral, aos 89’ (Botafogo); Cassierra, aos 22’ (Atlético Mineiro)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 10.05.2026

» Local: Arena MRV, em Belo Horizonte (MG)

» Público: 33.043 espectadores

» Renda: R$ 1.731.166,89

» Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC); Assistentes: Neuza Inês Back (SP) e Henrique Neu Ribeiro (SC); VAR: Diego Pombo Lopez (BA)

» Disciplina: cartão amarelo – Alex Telles e Mateo Ponte (Botafogo)

» Botafogo: Neto; Mateo Ponte, Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles (Marçal); Newton (Álvaro Montoro), Edenílson (Kadir), Cristian Medina e Danilo; Matheus Martins (Jordan Barrera) e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho.

» Atlético Mineiro: Everson; Natanael, Iván Román (Vitor Hugo), Júnior Alonso e Renan Lodi; Tomás Pérez, Maycon e Bernard (Alexsander); Cuello (Reinier), Alan Minda (Cissé) e Mateo Cassierra. Técnico: Eduardo Domínguez.

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