domingo, 2 de junho de 2019

Botafogo 1x0 Vasco da Gama: e o VAR?...


Contente por mais uma vitória que mostra uma equipe com uma definição bem melhor do que na época de Zé Ricardo, cuja opção para treinador de futebol me parece um enorme equívoco.

Eduardo Barroca introduziu alguma razão numa equipe que vivia à base da emoção, e emoção muito destrambelhada. Mas tudo tem uma origem antiga. Como me escreveu o amigo Fábio Gomes, “o «barroquismo» é o estilo artístico que floresceu entre o final do século XVI e meados do século XVIII, inicialmente na Itália, difundindo-se em seguida pelos países católicos da Europa e da América”.

Fora a brincadeira, bastou um cheirinho de futebol ligeiramente mais organizado de Barroca e o Botafogo vai ganhando a equipes que, como não me canso de dizer, são tecnicamente ruins e permitem-nos, por isso, brilhar casualmente, apesar da nossa fragilidade.

O jogo não foi tecnicamente bom, como aliás é normal no campeonato brasileiro, e até nas competições continentais. E com alguma calma e um jogador que desequilibre um pouco que seja, dá para ganhar. E, assim, chegados a 6 jogos conseguimos… 12 pontos e um aproveitamento de 2/3 dos pontos disputados!

Parece-me que não faremos um campeonato particularmente brilhante com o material de que dispomos, mas aparentemente faremos um campeonato tranquilo se ninguém se lembrar de começar a ‘enrolar’ e se Barroca conseguir ter mão disciplinar na equipe, de um ponto de vista tático e técnico.

Por exemplo, impor disciplina a Diego Souza no que respeita a dieta com um plano nutricionista rigoroso com exigência de resultados concretos. Impor rigor tático e menos individualismo, porque nem sequer temos jogadores que se possam dar a tal luxo. Afinar o remate, soltar a bola, preencher os espaços vazios e encontrar uma cabeça pensante para o meio campo.

Sobre a implantação do VAR, a tristeza é absoluta: após o desastroso desempenho do árbitro Palmeiras x Botafogo, contrariando uma decisão inicial correta, eis o árbitro de hoje a confirmar uma decisão errada ignorando a evidência do VAR. Aliás, creio que os árbitros vão interpretar as iniciais VAR muitas vezes como Vigarice, Aldrabice e Roubalhice tecnológica, e então vão ignorar as evidências tal e qual o árbitro de Botafogo x Vasco da Gama de hoje.

O futebol brasileiro seguindo o seu rumo trágico de atropelamento a um passado glorioso…

FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x0 Vasco da Gama
» Gols: Diego Souza, aos 57’
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 02.06.2019
» Local: Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 19.503 espectadores; 16.829 presentes
» Renda: R$644.632
» Árbitro: Vinícius Gonçalves Dias Araújo (SP); Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse (SP) e Alex Ang Ribeiro (SP);Árbitro de vídeo: Flávio Rodrigues de Souza (CBF/SP); Assistentes de VAR: Leandro Bizzio Marinho (SP) e Fabrício Porfírio de Moura (SP)
» Disciplina: cartão amarelo – Erik e Gatito (Botafogo) e Rossi, Fillipe Bastos e Lucas Mineiro (Vasco da Gama)
» Botafogo: Gatito Fernández; Fernando, Gabriel, Carli e Gilson; G. Bochecha (Alan Santos), Cícero (Jean) e João Paulo; Erik, Luiz Fernando (R. Pimpão) e Diego Souza. Técnico: Eduardo Barrroca.
» Vasco da Gama: Sidão, Yago Pikachu, Werley, Ricardo Graça e Danilo Barcelos; Fellipe Bastos (Andrey), Marcos Júnior e Lucas Mineiro (Yan Sasse); Rossi, Marrony e Tiago Reis (Thalles). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Série: amor com razão e emoção (50)

1º campeonato de pólo aquático do Rio de Janeiro

Jürgen Klopp, um socialista cristão campeão europeu!

Jürgen Klopp, o melhor treinador do mundo da atualidade, tornou-se finalmente campeão europeu por artes da sua capacidade técnica, da sua estratégia e da sua resiliência à frente de grupos de trabalho de alta qualidade futebolística.

O técnico tem ainda a particularidade de não se eximir a posições políticas e, sobretudo, a distinguir-se claramente da maioria de treinadores e futebolistas no que respeita à ideologia política como forma de olhar a sociedade de um modo solidariamente cristão. É crítico do Brexit e da recente emergência da extrema-direita.

Surpreendente:

“Eu diria que a nossa missão é fazer com que o nosso minúsculo pedaço de terra seja um pouco mais bonito. [...] A vida consiste em fazer com que os lugares por onde passamos sejam melhores, e em não nos levarmos tão a sério. Em nos esforçarmos ao máximo. Em amar e ser amado.” [entrevista ao Westdeutsche Zeitung]

“Creio no estado de bem-estar social. […] Nunca pagarei um plano privado de saúde. Nunca votarei em um partido porque promete baixar os impostos. Se há algo que jamais farei em toda minha vida é votar na direita.” [entrevista ao Taz]

 “Não sou a pessoa mais adequada para falar do Brexit, mas, se me perguntam, dou a minha opinião. […] A União Europeia não é perfeita, não foi perfeita e não será perfeita. Mas é a melhor ideia que tivemos até o momento. Devemos repensar o Brexit.” [entrevista ao Guardian]

Treinadores e contextos (II): do WM de Dori Kürschner ao efeito transformador de Zezé Moreira

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