domingo, 28 de junho de 2020

Paulo Autuori: uma voz silenciada que não se cala no charco do futebol carioca

«Sem surpresas, e por isso tranquilo. Fui punido por ter expressado aquilo que tenho como convicção. Talvez muita gente gostasse de expressar as mesmas ideias. Estou tranquilo em relação a isso. Prefiro me sacrificar do que prejudicar a instituição à qual estou vinculado, esse histórico do Botafogo que precisa ser respeitado de toda maneira assim como todos os clubes. Não existe futebol, federações, confederações, se não existirem os clubes. Está na hora de os clubes terem autonomia para tomarem atitudes consentâneas com sua história, e a história do Botafogo é grandiosa.» – Paulo Autuori, técnico do Botafogo FR.

Paulo Autuori foi punido com 15 dias de suspensão por expressar a verdade. Entretanto, face à liminar do Botafogo, o STJD liberou o técnico para comandar o Glorioso contra a Cabofriense. E que fez Paulo Autuori?...

Decidiu manter a suspensão como forma de protesto contra os desmandos irresponsáveis da federação e dos clubes que votaram pelo regresso do futebol sem que a pandemia esteja controlada.

Paulo Autuori, que pode vir a ser um grande dirigente, tem a CARA DO BOTAFOGO DE OUTRORA!!!

Série: antigas profissões (90)

Trabalhador infantil de mineração de carvão

sábado, 27 de junho de 2020

1996: Taça Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro e Taça Cidade Maravilhosa


Gonçalves e Gottardo erguendo os troféus

por PEDRO VARANDA
Colaborador do Mundo Botafogo

O Botafogo conquistou a ‘Taça Cidade Maravilhosa’ (Torneio Municipal), bem como a Taça Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, no dia 29 de fevereiro de 1996, vencendo o Madureira por 3x0. Eis a ficha técnica do jogo:

BOTAFOGO 3x0 MADUREIRA
» Gols: Josecler (contra) e Dauri, no 1º tempo; Jamir, no 2º tempo
» Competição: Taça Cidade Maravilhosa (Torneio Municipal)
» Data: 29.02.1996
» Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro
» Renda: R$ 210.820,00
» Público: 22.962 pagantes
» Árbitro: Ubiraci Damásio de Oliveira
» Disciplina: Jefferson (aos 47’) e Dedé (aos ?) foram expulsos
» Botafogo: Wagner (Carlão), Perivaldo (Silas), Wilson Gottardo, Gonçalves e Jefferson; Jamir, Uidemar, Moisés e Dauri; Bentinho (Paulo Roberto Prestes) e Túlio. Técnico: Marinho Peres
» Madureira: Acácio (Artur), Germano, Marçal, Dedé e Josecler (Clei); Pedro Paulo, Bonamigo, Eduardo e Robinho (Wellington); Gílson e Magno. Técnico: Nelsinho

Fontes: O Dia, O Globo e Revista Botafogo.

Liverpool FC e Jürgen Klopp (II): sucesso inspirado na social-democracia?!?!

[O editor do Mundo Botafogo é fã incondicional das qualidades de Jürgen Klopp (Stuttgart, 1967) desde os tempos do Borússia Dortmund, considerando-o o mais dinâmico e artístico treinador de futebol do mundo – o melhor entre os melhores.]

Peter Moore (Liverpool, 1955), diretor executivo do campeão europeu de futebol, reflete sobre as particularidades do clube e os desafios que a indústria do futebol enfrenta.

Peter Moore é uma lenda do marketing. Responsável pelo desenvolvimento dos consoles da Sega, Microsoft e Electronic Arts que transformaram a indústria dos games em um gigante mais lucrativo do que o cinema e a música juntos, sua vida chegou a um ponto em que os desafios estritamente profissionais pararam de estimulá-lo. Poderia se retirar para sua mansão na Califórnia a desfrutar de sua imensa fortuna. Mas escolheu voltar para Liverpool, a cidade onde se criou, com nada melhor a fazer, diz ele, do que ir ao estádio Anfield para ver o Liverpool. Fazia quatro décadas que ele vivia fora da Inglaterra quando foi nomeado, em 2017, diretor executivo do clube que conquistou a Champions League em maio. Dias atrás, visitou o World Football Summit de Madri, e lá onde refletiu sobre a natureza da empresa que representa, cuja expressão máxima é o time que lidera a Premier League depois de somar 24 pontos de 24 possíveis.

Pergunta. O que distingue o Liverpool na indústria do futebol?

Resposta. Como especialista em marketing, eu queria desvendar o que ele realmente significava. Dizer que o Liverpool é único não significa muito. Real Madrid e Barcelona, Borussia Dortmund e Bayern, também são especiais. Então, como resolvemos isso? Tivemos essa incrível figura histórica no Liverpool: Bill Shankly, um treinador social-democrata da Escócia que estabeleceu as bases. Ainda hoje, quando falamos de negócios, perguntamos: “O que faria Shankly? O que diria Bill nesta situação?”. Era um verdadeiro social-democrata que acreditava que o futebol consistia em trabalhar em conjunto. Nós nos reunimos no departamento de marketing e dissemos: “Vamos colocar isso em palavras”. A conclusão foi que a ideia essencial do Liverpool é que isso é o que significa mais. Mais do que ganhar ou perder. Mais do que ir ao futebol, encontrar os amigos no bar e voltar para casa.

P. Você diz que para alcançar uma dimensão mítica os clubes precisam de uma cultura do sucesso. Em que consistia exatamente a cultura incutida por Shankly?

R. Ele a definia como social-democracia. Mas não num sentido político, e sim de solidariedade. Há uma faixa na The Kop [famoso setor de arquibancada do Anfield] que diz: “A união faz a força”. Liverpool é uma cidade socialista, de tradição operária, muito unida ao porto. Já foi o porto mais movimentado do planeta. Isso mudou, mas permanece, até certo ponto, o sentido da unidade e da insularidade. As pessoas muitas vezes se consideram liverpuldianas, não necessariamente inglesas. É estranho. É, como dizem os norte-americanos, um “círculo de carroças”. Essa cultura se fortalece com um sentimento que Shankly expressou na ideia de trabalhar juntos no campo sob o lema de “passar a bola e se mover”. É muito simples: “Passe a bola e se mova para se oferecer como opção ao seu companheiro”. Há uma canção dos torcedores de 60 anos atrás que descrevia esse estilo como “poesia em movimento” Não é exatamente o tiki-taka. Mas ocorre quando o jogo flui livremente, com contra-ataques muito rápidos. É nossa marca.

P. Parece natural que tenham escolhido Jürgen Klopp, um social-democrata alemão, para treinar o time.

R. Ele já é um clássico do Liverpool. Ele se inclina mais para a esquerda do que para a direita. Certa vez, Shankly disse: “Eu fui feito para o Liverpool e o Liverpool foi feito para mim”. Klopp pode dizer exatamente a mesma coisa. Entende perfeitamente os elementos social-democratas que permeiam o clube e a cidade, os desafios que empolgam o que significa o clube para muita gente que não teve a oportunidade de ter nada melhor na vida do que seu amor pelo clube. Houve uma época em que o símbolo da cidade eram os Beatles. Agora é o futebol.

Treinadores e contextos (II): do WM de Dori Kürschner ao efeito transformador de Zezé Moreira

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