por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
É ‘doloroso’ escrever sobre este
jogo, principalmente porque é a sexta derrota consecutiva da Era Martín Anselmi
e porque jogamos contra uma equipe claramente frágil – tipicamente de natureza
amadora – que nos golearia se tivesse qualidade para competir na Libertadores.
Os gols quase escandalosos que o Botafogo
perdeu e os inúmero gols escandalosos que o Nacional perdeu são indesculpáveis numa
competição desta natureza, que evidenciou uma enorme falta de organização de
parte a parte – sobretudo porque o Botafogo penava defendendo a sua baliza atrapalhadamente
num esquema 5x4x1 e o Nacional atacando na base no voluntarismo de quem quer
ganhar mas sem saber exatamente como fazê-lo.
O Nacional foi para o ataque desde o
primeiro minuto de jogo e a nossa equipe foi encurralada sem capacidade de
resposta, perdendo as segundas bolas em zona proibida, apesar de jogar em 5x4x1,
incapaz de criar com um meio campo recuado praticamente inexistente e um ataque
que esperava surpreender através de um lançamento longo, mas a velocidade e o domínio
de bola que se exigia a Matheus Martins é algo que ele não tem, acabando por
todas as pseudo-ações atacantes morrerem na zaga do Nacional ou na linha de
fundo, apesar da sua dificuldade de recomposição após os seus ataques.
Aos 9’ houve a primeira oportunidade
clara de gol do Nacional, aos 14’ enviaram a bola a poste de Léo Linck na
sequência de um escanteio e a desorganização das nossas duas linhas de 5 e de 4
manifestava-se em novas e sucessiva oportunidade de gol para o adversário, com
os nossos atletas perdidos em campo sem nenhum modelo de jogo, apesar de
individualmente serem claramente superiores ao Nacional – coisa que não se viu
em campo.
O Botafogo só conseguiu chegar próximo
da grande área do Nacional após o período de hidratação com três oportunidades
de gol, embora antes, aos 27’, Léo Linck tenha saído em falso e a baliza desprotegida
só não foi vazada porque os atacantes do Nacional insistiam em acertar com a bola
na arquibancada.
Porém, as três oportunidades mencionadas
para o Botafogo, aos 33’, 34’ e 35’ foram absurdamente desperdiçadas com chutes
de Matheus Martins, Newton e Barrera desenquadrados da baliza e rematados erradamente
para o pior lado, quando seria fácil marcar frente a frente com o goleiro.
O Nacional também deu continuidade ao
seu festival de bolas para fora, ao ponto de Leo Linck não ter feito uma única
defesa difícil, enquanto o Botafogo perdia segundas bolas, desperdiçava passes
curtos e longos mal encaminhados e conseguia atacar apenas a intervalos, sem jogadas
verdadeiramente trabalhadas.
Aos 44’, a encerrar o primeiro tempo,
Matheus Martin perdeu escandalosamente a oportunidade de inaugurar o placar
cara a cara com o goleiro dentro da grande área, incapaz de dar um toque na bola
para desviar-se de Galindo e empurrar para a baliza – atirando novamente para fora
no lado errado da baliza e mostrando claramente que o que tem para dar é apenas
o que (não) mostrou numa noite em que as equipe em confronto mais pareciam o Pernas
de Pau FC contra o Falta d’Ar FC.
Foram 45 minutos de autêntica pelada
na várzea de Potosí, e a altitude não pode ser desculpa para tantos gols
perdidos de parte a parte sem que houvesse necessidade de defesas dos goleiros.
Na segunda parte o cenário foi
semelhante e, para não cansar o/a leitor/a com redundâncias, destaco apenas quatro
aspetos principais:
(a) O Nacional abriu o placar ao
primeiro minuto da segunda parte na cobrança de falta em estilo de escanteio, a
zaga não aliviou e Baldomar abriu o placar de cabeça ao primeiro poste (!), com
Léo Linck mal posicionado.
(b) Aos 54’ Montoro teve uma grande oportunidade
de gol, mas cabeceou ao poste e depois esmurrou o gramado claramente frustrado
por não marcar.
(c) Os remates amadorísticos
continuaram a florear a escassez de oxigênio em Potosí.
(d) Em todo o jogo Léo Linck não fez
nenhuma defesa realmente difícil (a mais aparatosa foi espalmar para escanteio uma
bola que foi à figura) e Galindo, que me lembre, não fez sequer uma defesa
enquadrada à baliza – o que significa que mesmo as oportunidades de gol do
Botafogo cara a cara com o goleiro foram para fora!
Se o Botafogo não eliminar a
empenhada e frágil equipe do Nacional Potosí por um placar robusto no Nilton Santos,
Martín Anselmi pode entregar a pasta a outro colega de profissão – e John Textor
irá amargar pela quarta temporada seguida a falta de planejamento capaz para a
pré-temporada. Quanto a nós, é o coração que dói e a alma que sofre.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x1 Nacional
Potosí
» Gol: Baldomar, aos 46’
» Competição: Copa Libertadores da
América
» Data: 18.02.2026
» Local: Estádio Víctor Agustín
Ugarte, em Potosí (Bolívia)
Árbitro: Augusto Aragón (Equador); Assistentes:
Ricardo Baren (Equador) e Dennys Guerrero (Equador); Var: Gabriel González (Equador)
» Disciplina: cartão amarelo – Mateo
Ponte, Jordan Barrera e Newton (Botafogo)
» Botafogo: Léo Linck; Mateo Ponte
(Ythallo), Bastos e Alexander Barboza; Vitinho, Newton, Wallace Davi (Lucas
Villalba) e Alex Telles; Jordan Barrera (Marquinhos), Matheus Martins (Kadir) e
Álvaro Montoro (Kauan Toledo). Técnico: Martín Anselmi.
» Nacional Potosí: Galindo;
Baldomar, Restrepo, Demiquel e Torrico (Orellana); Otormin (Hoyos), Azogue e
William Álvarez; Óscar Villalba (Tobar), Maxi Núñez (Rojas) e Solis (Abastoflor).
Técnico: Leonardo Égüez.

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