por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Os botafoguenses estão habituados
ao carrossel que faz o percurso céu-inferno e vice-versa, de tal modo que são
capaz de esperar as melhores e as piores ocorrências entre a ilusão e a desilusão.
A Copa Sul-Americana confirmou a
tendência.
Da melhor campanha da fase de
grupos o Botafogo conseguiu a antiproeza de virar a chave para a maior goleada
que já tomou nas competições continentais contra um clube pouco mais do que
amador, que se encontra em 16º lugar no campeonato do seu país.
Se antes do jogo a confiança dos
botafoguense era grande, após a atrocidade da goleada as Almas Gloriosas entraram
em modo de depressão.
Nada fazia crer que pudéssemos nos
classificar em meio a tomadas de decisão administrativas da própria SAF,
instada pelo Clube Associativo que aproveitou o caso da goleada para tornar a
influenciar a SAF para um padrão amador, inspirado no modesto Boavista para uma
reestruturação profissional (?).
Porém, mesmo para um botafoguense,
a esperança é a última que morre. E a esperança renasceu aos oito minutos de jogo
quando Álvaro Montoro – o melhor jogador da atualidade botafoguense – cobrou rapidamente
uma falta em modo de lançamento longo, Danilo Pereira desmarca-se, com o peito
desvia a bola do goleiro e toca-a mansamente a caminho das redes adversárias.
Botafogo 1x0.
Tínhamos, então, 82 minutos para
faturar pelo menos quatro gols e decidir a classificação nos pênaltis – e as Almas
Gloriosas passaram subitamente a acreditar.
Eu passei a acreditar! Sobretudo
porque o Botafogo foi pra cima do Cienciano.
Aos 23’ a nulidade que tem sido Arthur
Cabral perdeu o gol mais fácil de fazer em toda a sua carreira, cara a cara com
a baliza desguarnecida e a zaga cortou em cima da linha. Cabral inaugurou, então
um verdadeiro manancial de gols perdidos – pelo menos três! –, desperdiçando o recital
futebolístico de Álvaro Montoro, que se firma como um grande craque no futuro próximo.
Aos 31’, novamente após passe
soberbo de Montoro, Vitinho chuta a bola por cima da baliza, desta vez cara a
cara com o goleiro.
Aos 36’ o árbitro anulou um gol a
Danilo, na sequência de um escanteio de Alex Telles, porque inadvertidamente a
mão tocou a bola nas mesmas circunstâncias em que ocorrera um gol do Cienciano
no jogo de ida e seguindo o mesmo critério deveria ter sido validado – mas foi
anulado, claro, pela má arbitragem e pelo péssimo VAR.
Aos 39’, na cobrança de escanteio
de Alex Telles, Cabral tinha apenas o trabalho de cabecear para as redes, mas tornou
a cabecear para fora, evidentemente.
Aos 43’ outra vez Cabral…
E não é que, após uma noite
absurda de Cabral, Bellão não o substituiu ao intervalo e…manteve-o até final
da partida!
No segundo tempo o Botafogo
tornou a entrar bem e aos 49’ foi assinalado um pênalti para o Botafogo, que
demorou tempos infindos para ser validado e o VAR inventou uma falta no início
da jogada levando o árbitro a sonegar o pênalti, cancelando-o.
Desde o início da sua criação o
Mundo Botafogo defendeu sempre que para o Botafogo ser campeão não pode jogar
apenas um pouco mais do que os adversários, mas sim jogar MUITO MAIS para
anular as peripécias das arbitragens, dentro e fora do país. No país porque
desde há décadas tudo é feito contra o Botafogo; no continente porque as equipes
brasileiras são sempre o alvo a abater.
Confirmou-se, porque tendo
perdido tantas oportunidades claras na 1ª etapa, o Botafogo não jogou, consequentemente,
muito mais do que o Cienciano porque desperdiçou tudo o que criou após o gol de
Danilo Pereira.
E, claro, a equipe foi caindo de
desempenho à medida que o tempo passava e o seu criativo – Montoro – já não se
encontrava nas mesmas condições físicas para repetir o seu recital da 1ªparte.
A ‘aliança’ Cabral-perde-gols com
arbitragem pró-peruana, que anulou gol, pênalti, não expulsou um peruano e evitou
marcar faltas a favor do Botafogo, ‘operando’ a partida, funcionou para
esvaziar o gás da equipe à medida que o tempo passava e a arbitragem escudava o
Cienciano.
Seria sempre difícil anular a
desvantagem trazida de Cusco, mas com a nossa caridade desperdiçando gols a
favor dos peruanos e a pestilenta arbitragem, a esperança renascida aos 8’ de
jogo esboroou-se.
Tendo tudo isso em conta, as dificuldades
encontradas para superar a eliminação pode ser uma lição para muitos, a qual
começou com o CEO da SAF a não antecipar a ida dos atletas para Cusco,
fazendo-o apenas na véspera, sem hipótese de aclimatação; continuou com as ingenuidades
de Franclim na abordagem a um jogo que na altitude seria sempre difícil;
finalizou com a certeza que continua faltando um ‘matador’ e que Bellão não
teve a coragem de substituir Cabral.
Agora temos pela frente uma
sequência de jogos contra as melhores equipes do futebol brasileiro, não temos um
técnico experiente e vitorioso – Bellão, com bom potencial, ainda não está
preparado para assumir um clube da grandeza e exigência do Botafogo – e a SAF vai
defrontar-se com o regresso do Clube Associativo que nos levou a tudo aquilo que
sabemos.
Cada vez mais a torcida é essencial
para que a SAF não seja subvertida aos interesses do passado.
Nota: Não há nada de ‘pessoal’ contra
Arthur Cabral, que mostra ser um atleta leal, mas sim contra o seu medíocre desempenho
profissional.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x0 Cienciano
» Gols: Danilo Pereira, aos 8’
» Competição: Copa Sul-americana
» Data: 20.08.2026
» Local: Estádio Olímpico Nílton
Santos, no Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 20.518 pagantes | 22.408 espectadores
» Árbitro: Juan Benítez (Paraguai); Assistentes: Eduardo Cardozo (Paraguai) e Milcíades Saldívar (Paraguai); VAR: Ulises Mereles (Paraguai)
» Disciplina: cartão amarelo – Huguinho,
Alex Telles, Justino e Ferraresi (Botafogo) e Santiago Arias, Amondarain,
Barreto, Cabello e Horácio Melgarejo (Cienciano)
» Botafogo: Warleson (Gabriel
Batista); Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Huguinho (Júnior Santos),
Cristian Medina (Matheus Martins), Danilo (Edenílson) e Álvaro Montoro; Danilo
Pereira (Kadir) e Arthur Cabral. Técnico: Rodrigo Bellão.
» Cienciano: Espinoza; Claudio
Núñez, Amondarain, Becerra e Martinich; Barreto (Robles), Santiago Arias
(Caparó), Romagnoli (Bandiera) e Cabello; Hohberg (Aguirre) e Garcés (Succar).
Técnico: Horácio Melgarejo.
