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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Botafogo 1x0 Cienciano – lições a aprender

Crédito: Elaborado por IA.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Os botafoguenses estão habituados ao carrossel que faz o percurso céu-inferno e vice-versa, de tal modo que são capaz de esperar as melhores e as piores ocorrências entre a ilusão e a desilusão.

A Copa Sul-Americana confirmou a tendência.

Da melhor campanha da fase de grupos o Botafogo conseguiu a antiproeza de virar a chave para a maior goleada que já tomou nas competições continentais contra um clube pouco mais do que amador, que se encontra em 16º lugar no campeonato do seu país.

Se antes do jogo a confiança dos botafoguense era grande, após a atrocidade da goleada as Almas Gloriosas entraram em modo de depressão.

Nada fazia crer que pudéssemos nos classificar em meio a tomadas de decisão administrativas da própria SAF, instada pelo Clube Associativo que aproveitou o caso da goleada para tornar a influenciar a SAF para um padrão amador, inspirado no modesto Boavista para uma reestruturação profissional (?).

Porém, mesmo para um botafoguense, a esperança é a última que morre. E a esperança renasceu aos oito minutos de jogo quando Álvaro Montoro – o melhor jogador da atualidade botafoguense – cobrou rapidamente uma falta em modo de lançamento longo, Danilo Pereira desmarca-se, com o peito desvia a bola do goleiro e toca-a mansamente a caminho das redes adversárias. Botafogo 1x0.

Tínhamos, então, 82 minutos para faturar pelo menos quatro gols e decidir a classificação nos pênaltis – e as Almas Gloriosas passaram subitamente a acreditar.

Eu passei a acreditar! Sobretudo porque o Botafogo foi pra cima do Cienciano.

Aos 23’ a nulidade que tem sido Arthur Cabral perdeu o gol mais fácil de fazer em toda a sua carreira, cara a cara com a baliza desguarnecida e a zaga cortou em cima da linha. Cabral inaugurou, então um verdadeiro manancial de gols perdidos – pelo menos três! –, desperdiçando o recital futebolístico de Álvaro Montoro, que se firma como um grande craque no futuro próximo.

Aos 31’, novamente após passe soberbo de Montoro, Vitinho chuta a bola por cima da baliza, desta vez cara a cara com o goleiro.

Aos 36’ o árbitro anulou um gol a Danilo, na sequência de um escanteio de Alex Telles, porque inadvertidamente a mão tocou a bola nas mesmas circunstâncias em que ocorrera um gol do Cienciano no jogo de ida e seguindo o mesmo critério deveria ter sido validado – mas foi anulado, claro, pela má arbitragem e pelo péssimo VAR.

Aos 39’, na cobrança de escanteio de Alex Telles, Cabral tinha apenas o trabalho de cabecear para as redes, mas tornou a cabecear para fora, evidentemente.

Aos 43’ outra vez Cabral…

E não é que, após uma noite absurda de Cabral, Bellão não o substituiu ao intervalo e…manteve-o até final da partida!

No segundo tempo o Botafogo tornou a entrar bem e aos 49’ foi assinalado um pênalti para o Botafogo, que demorou tempos infindos para ser validado e o VAR inventou uma falta no início da jogada levando o árbitro a sonegar o pênalti, cancelando-o.

Desde o início da sua criação o Mundo Botafogo defendeu sempre que para o Botafogo ser campeão não pode jogar apenas um pouco mais do que os adversários, mas sim jogar MUITO MAIS para anular as peripécias das arbitragens, dentro e fora do país. No país porque desde há décadas tudo é feito contra o Botafogo; no continente porque as equipes brasileiras são sempre o alvo a abater.

Confirmou-se, porque tendo perdido tantas oportunidades claras na 1ª etapa, o Botafogo não jogou, consequentemente, muito mais do que o Cienciano porque desperdiçou tudo o que criou após o gol de Danilo Pereira.

E, claro, a equipe foi caindo de desempenho à medida que o tempo passava e o seu criativo – Montoro – já não se encontrava nas mesmas condições físicas para repetir o seu recital da 1ªparte.

A ‘aliança’ Cabral-perde-gols com arbitragem pró-peruana, que anulou gol, pênalti, não expulsou um peruano e evitou marcar faltas a favor do Botafogo, ‘operando’ a partida, funcionou para esvaziar o gás da equipe à medida que o tempo passava e a arbitragem escudava o Cienciano.

Seria sempre difícil anular a desvantagem trazida de Cusco, mas com a nossa caridade desperdiçando gols a favor dos peruanos e a pestilenta arbitragem, a esperança renascida aos 8’ de jogo esboroou-se.

Tendo tudo isso em conta, as dificuldades encontradas para superar a eliminação pode ser uma lição para muitos, a qual começou com o CEO da SAF a não antecipar a ida dos atletas para Cusco, fazendo-o apenas na véspera, sem hipótese de aclimatação; continuou com as ingenuidades de Franclim na abordagem a um jogo que na altitude seria sempre difícil; finalizou com a certeza que continua faltando um ‘matador’ e que Bellão não teve a coragem de substituir Cabral.

Agora temos pela frente uma sequência de jogos contra as melhores equipes do futebol brasileiro, não temos um técnico experiente e vitorioso – Bellão, com bom potencial, ainda não está preparado para assumir um clube da grandeza e exigência do Botafogo – e a SAF vai defrontar-se com o regresso do Clube Associativo que nos levou a tudo aquilo que sabemos.

Cada vez mais a torcida é essencial para que a SAF não seja subvertida aos interesses do passado.

Nota: Não há nada de ‘pessoal’ contra Arthur Cabral, que mostra ser um atleta leal, mas sim contra o seu medíocre desempenho profissional.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x0 Cienciano

» Gols: Danilo Pereira, aos 8’

» Competição: Copa Sul-americana

» Data: 20.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nílton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 20.518 pagantes | 22.408 espectadores

» Árbitro: Juan Benítez (Paraguai); Assistentes: Eduardo Cardozo (Paraguai) e Milcíades Saldívar (Paraguai); VAR: Ulises Mereles (Paraguai)

» Disciplina: cartão amarelo – Huguinho, Alex Telles, Justino e Ferraresi (Botafogo) e Santiago Arias, Amondarain, Barreto, Cabello e Horácio Melgarejo (Cienciano)

» Botafogo: Warleson (Gabriel Batista); Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Huguinho (Júnior Santos), Cristian Medina (Matheus Martins), Danilo (Edenílson) e Álvaro Montoro; Danilo Pereira (Kadir) e Arthur Cabral. Técnico: Rodrigo Bellão.

» Cienciano: Espinoza; Claudio Núñez, Amondarain, Becerra e Martinich; Barreto (Robles), Santiago Arias (Caparó), Romagnoli (Bandiera) e Cabello; Hohberg (Aguirre) e Garcés (Succar). Técnico: Horácio Melgarejo.

Botafogo 1x0 Cienciano – lições a aprender

Crédito: Elaborado por IA. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Os botafoguenses estão habituados ao carrossel que faz o percurso cé...