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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Botafogo 1x1 Coritiba - resultado curto

Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

No momento atual – que é de transição – de chegada recente de Tite ao comando do Botafogo é muito difícil efetuar avaliações de progresso ou estagnação da equipe e que sejam estruturais, especialmente em relação ao jogo contra o Coritiba, um adversário claramente mais fraco e que, contudo, não conseguimos vencer.

Certo é que, de um modo geral, não se vislumbram aspectos verdadeiramente relevantes numa equipe que permanece com os seus antigos problemas, tanto coletivos em matéria de referência identitária, quer individuais em matéria de regularidade de cada atleta.

Na defesa, o homem mais regular tem sido o goleiro; Ferraresi tem mantido alguma regularidade, embora cometa alguns erros; Alex Telles e Marçal têm oscilado muito, evidenciando algumas dificuldades defensivas.

No meio campo passa-se algo semelhante com Cristian Medina, Danilo e Montoro, sendo que aparentemente os dois últimos rendem mais ou menos consoante as posições que lhes são atribuídas.

A frente de ataque não existe: Júnior Santos, Matheus Martins e especialmente Arthur Cabral têm sido absolutamente ineficientes e ineficazes, já que além de terem dificuldade em urdir jogadas bem trabalhadas, também não marcam gols – função essencial dos atacantes.

Quanto ao coletivismo, que é de difícil estabilização devido às mudanças constantes de treinador, não existe um modelo de jogo estabilizado e os atletas evidenciam claramente que aqui e ali não sabem exatamente o que devem fazer.

O empate contra uma equipe frágil como a do Coritiba, atravessando um momento mau, mostrou que a nossa equipe apresenta uma extrema dificuldade no controlo simultâneo da posse de bola, aproveitamento dos espaços e travagem das transições adversárias, neste último caso sobretudo porque a equipe não sabe jogar sem bola – algo crucial no futebol atual.

Acresce que o empate registrado, por via da inconsistente organização coletiva, é fruto sobretudo da incapacidade de urdir jogadas com boa qualidade para o último passe, e quando isso ocorre falham clamorosamente os atacantes, com especial destaque para Arthur Cabral, que não sabe controlar a bola, não sabe driblar e não sabe posicionar-se, acabando por perder a jogada, escorregar ou fazer faltas na ânsia de dominar a bola.

Em suma, há fraca organização coletiva, inconsistência defensiva e interligação de meio campo para se alcançar-se domínio territorial com criação de reais oportunidades de perigo para a baliza dos adversários.

Repare-se que contra o Coritiba o Botafogo teve mais posse de bola (57%) e mais remates, mas de 18 remates do Botafogo apenas 5 foram enquadrados com a baliza e somente 1 teve sucesso.

Por seu lado, o Coritiba soube criar situações de perigo, especialmente na segunda parte, explorando dificuldades do Botafogo na proteção à sua área e alguns erros na saída de bola.

É certo que o Coritiba marcou cedo e que o Botafogo reagiu mentalmente bem ao gol sofrido, marcando dois gols através de Danilo, um dos quais anulado por mais uma infantilidade de Arthur Cabral fazendo uma falta de ataque. No entanto, apesar dessa reação e de algum esforço em busca da virada, o jogo não deixou de se morno com a nossa equipe revelando dificuldades em gerar movimentos coordenados, criar desequilíbrios e finalizar com eficácia.

Em matéria de eficácia finalizadora creio que todos nós já percebemos que os atacantes têm sido quase totalmente inábeis no chute final, o meio campo tem que ser muito mais trabalhado pela comissão técnica, especialmente tornando mais regulares as exibições de Ziyech, Montoro e Medina, bem com reposicionar Danilo de modo a que consiga chegar à área porque do que temos visto é o melhor rematador da equipe.

Em conclusão, a equipe esteve apenas um pouco melhor do que nos dois últimos jogos já com Tite, mas essa eventual melhoria deu-se – é preciso dizê-lo – contra uma equipe em fase descendente e que não conseguimos vencê-la, apesar das nossas peças individuais serem muito superiores, mas sofrendo de inúmeras dificuldades em todos os setores em virtude da inexistência de uma identidade que em três jogos de Tite ainda não vimos progressos claros, além de aspectos meramente pontuais.

O espectro da série B ainda não desapareceu. Temos em seguida que defrontar três equipes atualmente em zona de desclassificação (Chapecoense, Internacional e Remo), o que, parecendo ser uma vantagem, pode ser uma desvantagem pela necessidade absoluta dessas equipe pontuarem.

Certo é que estamos a oito rodadas do fim e Tite tem que dar uma volta muito significativa de modo a que a equipe passe de uma mera soma de jogadores tecnicamente interessantes para um conjunto articulado, equilibrado, competitivo e consistente nos 90 minutos de cada jogo, para não permanecermos constantemente com o coração nas mãos face a resultados intranquilizadores para o nosso futuro.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Coritiba

» Gols: Danilo, aos 34’ (Botafogo); Marçal (contra), aos 21’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 12.10.2026

» Local: Estádio Couto Pereira, em Coritiba (PR)

» Público: 26.439 espectadores

» Receita: R$ 969.062,00

» Árbitro: Matheus Delgado Candançan (SP); Assistentes: Thiaggo Americano Labes (SC) e Daniel Paulo Ziolli (SP); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)

» Disciplina: cartão amarelo –

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan (Domingos Andrade), Cristian Medina (Álvaro Montoro) e Danilo; Ziyech (Júnior Santos), Arthur Cabral (Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Paulinho). Técnico: Matheus Bachi.

» Coritiba: Pedro Morisco; Bustos (Tinga), Tiago Cóser, Jacy e Felipe Jonatan (Rodrigo Gelado); Thiago Santos (Nicolás Fonseca), Sebastián Gómez e Josué (Renato Marques); Lavega (Breno Lopes), Pedro Rocha e Paulo Roberto. Técnico: Fernando Seabra.

Botafogo 1x1 Coritiba - resultado curto

Crédito: Vitor Silva | Botafogo por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo No momento atual – que é de transição – de chegada recente de T...