por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
No momento atual – que é de transição – de chegada recente de Tite ao
comando do Botafogo é muito difícil efetuar avaliações de progresso ou estagnação
da equipe e que sejam estruturais, especialmente em relação ao jogo contra o Coritiba,
um adversário claramente mais fraco e que, contudo, não conseguimos vencer.
Certo é que, de um modo geral, não se vislumbram aspectos verdadeiramente
relevantes numa equipe que permanece com os seus antigos problemas, tanto
coletivos em matéria de referência identitária, quer individuais em matéria de regularidade
de cada atleta.
Na defesa, o homem mais regular tem sido o goleiro; Ferraresi tem mantido
alguma regularidade, embora cometa alguns erros; Alex Telles e Marçal têm oscilado
muito, evidenciando algumas dificuldades defensivas.
No meio campo passa-se algo semelhante com Cristian Medina, Danilo e
Montoro, sendo que aparentemente os dois últimos rendem mais ou menos consoante
as posições que lhes são atribuídas.
A frente de ataque não existe: Júnior Santos, Matheus Martins e
especialmente Arthur Cabral têm sido absolutamente ineficientes e ineficazes,
já que além de terem dificuldade em urdir jogadas bem trabalhadas, também não
marcam gols – função essencial dos atacantes.
Quanto ao coletivismo, que é de difícil estabilização devido às mudanças
constantes de treinador, não existe um modelo de jogo estabilizado e os atletas
evidenciam claramente que aqui e ali não sabem exatamente o que devem fazer.
O empate contra uma equipe frágil como a do Coritiba, atravessando um
momento mau, mostrou que a nossa equipe apresenta uma extrema dificuldade no controlo
simultâneo da posse de bola, aproveitamento dos espaços e travagem das
transições adversárias, neste último caso sobretudo porque a equipe não sabe
jogar sem bola – algo crucial no futebol atual.
Acresce que o empate registrado, por via da inconsistente organização
coletiva, é fruto sobretudo da incapacidade de urdir jogadas com boa qualidade
para o último passe, e quando isso ocorre falham clamorosamente os atacantes,
com especial destaque para Arthur Cabral, que não sabe controlar a bola, não
sabe driblar e não sabe posicionar-se, acabando por perder a jogada, escorregar
ou fazer faltas na ânsia de dominar a bola.
Em suma, há fraca organização coletiva, inconsistência defensiva e interligação
de meio campo para se alcançar-se domínio territorial com criação de reais
oportunidades de perigo para a baliza dos adversários.
Repare-se que contra o Coritiba o Botafogo teve mais posse de bola (57%) e
mais remates, mas de 18 remates do Botafogo apenas 5 foram enquadrados com a baliza
e somente 1 teve sucesso.
Por seu lado, o Coritiba soube criar situações de perigo, especialmente na
segunda parte, explorando dificuldades do Botafogo na proteção à sua área e
alguns erros na saída de bola.
É certo que o Coritiba marcou cedo e que o Botafogo reagiu mentalmente bem
ao gol sofrido, marcando dois gols através de Danilo, um dos quais anulado por
mais uma infantilidade de Arthur Cabral fazendo uma falta de ataque. No entanto,
apesar dessa reação e de algum esforço em busca da virada, o jogo não deixou de
se morno com a nossa equipe revelando dificuldades em gerar movimentos
coordenados, criar desequilíbrios e finalizar com eficácia.
Em matéria de eficácia finalizadora creio que todos nós já percebemos que
os atacantes têm sido quase totalmente inábeis no chute final, o meio campo tem
que ser muito mais trabalhado pela comissão técnica, especialmente tornando
mais regulares as exibições de Ziyech, Montoro e Medina, bem com reposicionar
Danilo de modo a que consiga chegar à área porque do que temos visto é o melhor
rematador da equipe.
Em conclusão, a equipe esteve apenas um pouco melhor do que nos dois
últimos jogos já com Tite, mas essa eventual melhoria deu-se – é preciso dizê-lo
– contra uma equipe em fase descendente e que não conseguimos vencê-la, apesar
das nossas peças individuais serem muito superiores, mas sofrendo de inúmeras dificuldades
em todos os setores em virtude da inexistência de uma identidade que em três jogos
de Tite ainda não vimos progressos claros, além de aspectos meramente pontuais.
O espectro da série B ainda não desapareceu. Temos em seguida que defrontar
três equipes atualmente em zona de desclassificação (Chapecoense, Internacional
e Remo), o que, parecendo ser uma vantagem, pode ser uma desvantagem pela necessidade
absoluta dessas equipe pontuarem.
Certo é que estamos a oito rodadas do fim e Tite tem que dar uma volta muito
significativa de modo a que a equipe passe de uma mera soma de jogadores tecnicamente
interessantes para um conjunto articulado, equilibrado, competitivo e consistente
nos 90 minutos de cada jogo, para não permanecermos constantemente com o
coração nas mãos face a resultados intranquilizadores para o nosso futuro.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x1 Coritiba
» Gols: Danilo, aos 34’ (Botafogo); Marçal (contra), aos 21’
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 12.10.2026
» Local: Estádio Couto Pereira, em Coritiba
(PR)
» Público: 26.439 espectadores
» Receita: R$ 969.062,00
» Árbitro: Matheus Delgado
Candançan (SP); Assistentes: Thiaggo
Americano Labes (SC) e Daniel Paulo Ziolli (SP); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE)
» Disciplina: cartão amarelo –
» Botafogo: Gabriel Batista;
Vitinho, Ferraresi, Marçal e Alex Telles; Allan (Domingos Andrade), Cristian
Medina (Álvaro Montoro) e Danilo; Ziyech (Júnior Santos), Arthur Cabral
(Tiquinho Soares) e Matheus Martins (Paulinho). Técnico: Matheus Bachi.
» Coritiba: Pedro Morisco; Bustos
(Tinga), Tiago Cóser, Jacy e Felipe Jonatan (Rodrigo Gelado); Thiago Santos
(Nicolás Fonseca), Sebastián Gómez e Josué (Renato Marques); Lavega (Breno
Lopes), Pedro Rocha e Paulo Roberto. Técnico: Fernando Seabra.

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