por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O regresso à Série A sugeria a chegada de um período de estabilidade,
especialmente no ano do centenário do futebol do Botafogo, e a continuidade de
Levir Culpi parecia natural. Fora ele quem montara o plantel da promoção à
elite, conhecia as limitações financeiras e gozava de prestígio junto da
direção. Porém, o contexto mudara.
Em 2003, o objetivo fundamental era subir de divisão, mesmo sacrificando a
qualidade do espetáculo, mas em 2004 os torcedores esperavam mais: não bastava o
regresso à elite; era necessário competir de igual para igual com os principais
clubes do país.
No entanto, o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil correram mal, e o Brasileirão
começou especialmente negativo. No dia 21 de abril o Botafogo perdeu em casa
por para o Goiás e logo depois derrota para o Santos.
Um ano e 120 dias depois de ingressar no Botafogo, Levir saiu então do
comando do Glorioso, evidenciando-se quão ingrata é a carreira de treinador: de
comandante da subida de divisão cinco meses antes, não sobreviveu aos primeiros
jogos do Brasileirão.
Porém, tudo se inverteu num breve lapso de tempo por ironia adicional do
futebol: o Botafogo iria ter um ano verdadeiramente complicado, enquanto Levir
Culpi assumiu o comando do Atlético Paranaense, realizou uma grande campanha e
foi vice-campeão brasileiro, superado apenas pelo Santos.
A equipe paranaense viria a realizar uma excelente campanha no Campeonato
Brasileiro de 2004, terminando como vice-campeã, atrás do Santos.
Salvou-se, contudo, a memória afetiva: Levir Culpi nunca esqueceu o
Botafogo e 10 anos depois, perante a nova descida de divisão, Levir declarou: –
“Tenho o Botafogo no coração.” E
questionado sobre eventuais dívidas do Botafogo, não deu nenhuma margem
especulativa: – “O clube não me deve
nada.”
E como as demissões no Botafogo – quiçá no futebol brasileiro – são súbitas
e imponderadas, é sempre preciso nomear um interino para 2 ou jogos ao mesmo
tempo que se procura avidamente o treinador mais à mão – nem sempre igual ou
melhor que o anterior. Desta vez foi Luiz Matter.
A vítima apanhada na fila foi Mauro Galvão, de maio a agosto de 2004. O
prestígio que Mauro Galvão tinha como jogador do Botafogo foi contratação de
esperança, mas o prestígio do passado não garante sucesso e não compra tempo
indefinido. As dificuldades continuaram, o Botafogo estava na zona de rebaixamento
e uma derrota por 3x1 para o Goiás apressou a saída 90 dias após a chegada.
O regresso à Série A sugeria a chegada de um período de estabilidade especialmente no ano do centenário do futebol do Botafogo, e a continuidade de Levir Culpi parecia natural. Fora ele quem montara o plantel da promoção à elite, conhecia as limitações financeiras e gozava de prestígio junto da diretoria. Porém, o contexto mudara.
Em 2003, o objetivo fundamental era subir de divisão, mesmo sacrificando a qualidade do espetáculo, mas em 2004 os torcedores esperavam mais: não bastava o regresso à elite; era necessário competir de igual para igual com os principais clubes do país.
No entanto, o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil correram mal e o Brasileirão começou especialmente negativo. No dia 21 de abril o Botafogo perdeu em casa para o Goiás e logo depois foi derrotado pelo Santos.
Um ano e 120 dias depois de ingressar no Botafogo, Levir saiu então do comando do Glorioso, evidenciando-se quão ingrata é a carreira de treinador: de comandante da subida de divisão cinco meses antes, não sobreviveu aos primeiros jogos do Brasileirão.
Porém, tudo se inverteu num breve lapso de tempo por ironia adicional do futebol: o Botafogo iria ter um ano verdadeiramente complicado, enquanto Levir Culpi assumiu o comando do Atlético Paranaense, realizou uma grande campanha e foi vice-campeão brasileiro, superado apenas pelo Santos.
Salvou-se, contudo, a memória afetiva: Levir Culpi nunca esqueceu o Botafogo, e dez anos depois, perante a nova descida de divisão, Levir declarou: – "Tenho o Botafogo no coração." E questionado sobre eventuais dívidas do Botafogo, não deu nenhuma margem especulativa: – "O clube não me deve nada."
E como as demissões no Botafogo – quiçá no futebol brasileiro – são súbitas e imponderadas, é sempre preciso nomear um interino para dois ou mais jogos, ao mesmo tempo que se procura avidamente o treinador mais à mão – nem sempre igual ou melhor que o anterior. Desta vez o interino foi Luiz Matter.
A vítima apanhada na fila foi Mauro Galvão, de maio a agosto de 2004. O prestígio que Mauro Galvão tinha como jogador do Botafogo foi contratação de esperança, mas o prestígio do passado não garante sucesso e não compra tempo indefinido. As dificuldades continuaram, o Botafogo estava na zona de rebaixamento e uma derrota por 3x1 para o Goiás apressou a saída 90 dias após a chegada.
Paulo Bonamigo assumiu um Botafogo em 23.º lugar com a crucial missão de não fazer futebol estético, mas de impedir nova queda para a série B, que poderia ser tão fatal como a queda definitiva do America do Rio. Conseguiu estabilizar a equipe, evitou a despromoção e ainda durou sete meses no comando do Botafogo.
Bonamigo foi demitido após um
jogo da Taça Rio no qual vencia a Cabofriense por 2x0 e levou o empate por 3x3,
sendo eliminado. O resultado provocou frustração nos torcedores e mais uma vez
a pressão da torcida foi decisiva. O Botafogo já havia sido eliminado da Taça
Guanabara pelo Americano e Bebeto de Freitas retirou-lhe a confiança, apesar de
reconhecer o cumprimento dos objetivos em 2004.
Bonamigo reagiu com tristeza, mas
soube perder com fidalguia declarando apenas: – “No passado fui contratado parra livrar o Botafogo do rebaixamento e
conseguimos o objetivo” e lamentou não ter conseguido dar continuidade ao
projeto.
E como o futebol em geral, e
particularmente o brasileiro, é recheado de episódios inesperados e de certo
modo folclóricos, quem foi o Botafogo contratar?... Precisamente o técnico da
Cabofriense que eliminou o Botafogo da Taça Rio – Paulo César Gusmão!
Uma aposta de Bebeto pouco
‘galante’ para Bonamigo e surpreendente para o universo botafoguense. E se na
estreia a equipe foi eliminada da Copa do Brasil pelo Paulista de Jundiaí, o
início d campeonato brasileiro foi notável: 3 vitórias sucessivas sobre o
Internacional (2x0), Corinthians (3x1 e Atlético Mineiro (2x1) que levaram o
Botafogo à liderança do Brasileirão.
Apesar de alguns insucessos
posteriores, a equipe continuava entre os primeiros colocados, mas PC Gusmão
desentendeu-se com Bebeto de Freitas num contexto de salários atrasados, a
relação deteriorou-se quando o presidente esteve ausente por duas semanas com
dengue, Gusmão é que geriu o descontentamento do plantel por falta de interlocutores.
Num treino de duas horas tanto
Gusmão como Bebeto não se cumprimentarem nem trocaram uma palavra. O treinador
anunciou publicamente os problemas financeiros do Botafogo, mas Bebeto retrucou
publicamente que o atraso era de apenas oito dias e já havia entendimento com
os jogadores quanto aos pagamentos. Porém, Bebeto declarou algo mais grave: que
PC Gusmão pedira a anulação de uma cláusula de indenização que teria que pagar
ao Botafogo caso saísse do Clube. Bebeto acedera ao pedido antes da rutura e
logo após a sua saída, 91 dias depois da chegada, foi contratado para treinar o
Cruzeiro…
O epílogo deste caso ocorreu apenas
em 2007: final, PC Gusmão reconhecera ter uma dívida ade 35 mil reais ao
Botafogo relativamente a adiantamentos recebidos em 2005, regularizando-a por
prestações após litígio salarial.
Em julho de 2005 foi contratado
Péricles Chamusca, que no ano anterior ganhara a Copa do Brasil com o modesto
Santo André. O Botafogo estava em 3º lugar no Brasileirão, mas Chamusca não
conseguiu manter apegada e o atacante Alex Alves chegou a dizer que a equipe
não conseguia realizar as operações táticas solicitadas.
Chamusca durou menos de um mês ao lema da equipe (57 dias), comandou apenas 12 jogos e os últimos 5 saldaram-se por 1 vitória, 1 empate e 3 derrotas. As expectativas criadas e a realidade contradiziam-se e o Botafogo demitiu-o.
No entanto, para grande surpresa
de todos, o novo técnico contratado foi Celso Roth, que acabara de ser demitido
do Flamengo devido a uma campanha pífia, tendo perdido 10 jogos no conjunto de
19 jogos que comandou.
O presidente do Botafogo
apostava, então, num técnico com fama de disciplinador e de priorizar a organização
defensiva, em contraste com os técnicos anteriores. Porém, a equipe sentia
bastante a saída de Túlio para o futebol japonês e a ausência de Bill por
problemas físicos.
Embora Roth tenha classificado o
Botafogo para a Copa Sul-americana de 2026, fê-lo apenas depois de oito jogos
sem vencer e aproximar-se da despromoção, justamente após Bebeto de Freitas
assegurar a sua permanência até dezembro, o que levou o Vice-presidente, Mário
Sérgio Ribeiro, a demitir-se por total discordância, mas talvez tenha tido um
efeito forte junto dos atletas, porque após essa declaração de Bebeto o
Botafogo venceu seis dos oito jogos seguintes e recuperou na tabela classificativa.
Não obstante, a temporada
terminou em clara contestação dos torcedores, resultante de uma enorme crise de
confiança no vestiário, afastamento de jogadores, divergência pública entre
dirigentes, aproveitamento de apenas 47,5% e uma despedida do treinador
discutindo com os torcedores.
A discrepância entre a avaliação
do treinador e dos torcedores foi evidente: Roth valorizava a classificação
para a Copa Sul-americana e a organização da equipe; parte dos torcedores
criticava o estilo de jogo e irregularidade de resultados, ao que não seria
alheios a diferença de comportamentos antes e depois de Bebeto anunciar que
Roth permaneceria até dezembro.
No dia 1º de dezembro de 2025 foi
anunciada a contratação de Calos Roberto, também antigo jogador – tal como
Mauro Galvão –, numa escolha claramente de dimensão simbólica, porque Carlos
Roberto era ídolo do Clube ligado às conquistas da década de 1960.
Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br



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