domingo, 8 de novembro de 2026

Treinadores e contextos (XIII): da estabilização de Bonamigo à recuperação de Roth em fogueira devoradora de treinadores

Paulo Bonamigo. Crédito: Fernando Maia.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O regresso à Série A sugeria a chegada de um período de estabilidade, especialmente no ano do centenário do futebol do Botafogo, e a continuidade de Levir Culpi parecia natural. Fora ele quem montara o plantel da promoção à elite, conhecia as limitações financeiras e gozava de prestígio junto da direção. Porém, o contexto mudara.

Em 2003, o objetivo fundamental era subir de divisão, mesmo sacrificando a qualidade do espetáculo, mas em 2004 os torcedores esperavam mais: não bastava o regresso à elite; era necessário competir de igual para igual com os principais clubes do país.

No entanto, o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil correram mal, e o Brasileirão começou especialmente negativo. No dia 21 de abril o Botafogo perdeu em casa por para o Goiás e logo depois derrota para o Santos.

Um ano e 120 dias depois de ingressar no Botafogo, Levir saiu então do comando do Glorioso, evidenciando-se quão ingrata é a carreira de treinador: de comandante da subida de divisão cinco meses antes, não sobreviveu aos primeiros jogos do Brasileirão.

Porém, tudo se inverteu num breve lapso de tempo por ironia adicional do futebol: o Botafogo iria ter um ano verdadeiramente complicado, enquanto Levir Culpi assumiu o comando do Atlético Paranaense, realizou uma grande campanha e foi vice-campeão brasileiro, superado apenas pelo Santos.

A equipe paranaense viria a realizar uma excelente campanha no Campeonato Brasileiro de 2004, terminando como vice-campeã, atrás do Santos.

Salvou-se, contudo, a memória afetiva: Levir Culpi nunca esqueceu o Botafogo e 10 anos depois, perante a nova descida de divisão, Levir declarou: – “Tenho o Botafogo no coração.” E questionado sobre eventuais dívidas do Botafogo, não deu nenhuma margem especulativa: – “O clube não me deve nada.”

E como as demissões no Botafogo – quiçá no futebol brasileiro – são súbitas e imponderadas, é sempre preciso nomear um interino para 2 ou jogos ao mesmo tempo que se procura avidamente o treinador mais à mão – nem sempre igual ou melhor que o anterior. Desta vez foi Luiz Matter.

A vítima apanhada na fila foi Mauro Galvão, de maio a agosto de 2004. O prestígio que Mauro Galvão tinha como jogador do Botafogo foi contratação de esperança, mas o prestígio do passado não garante sucesso e não compra tempo indefinido. As dificuldades continuaram, o Botafogo estava na zona de rebaixamento e uma derrota por 3x1 para o Goiás apressou a saída 90 dias após a chegada.

O regresso à Série A sugeria a chegada de um período de estabilidade especialmente no ano do centenário do futebol do Botafogo, e a continuidade de Levir Culpi parecia natural. Fora ele quem montara o plantel da promoção à elite, conhecia as limitações financeiras e gozava de prestígio junto da diretoria. Porém, o contexto mudara.

Em 2003, o objetivo fundamental era subir de divisão, mesmo sacrificando a qualidade do espetáculo, mas em 2004 os torcedores esperavam mais: não bastava o regresso à elite; era necessário competir de igual para igual com os principais clubes do país.

No entanto, o Campeonato Carioca e a Copa do Brasil correram mal e o Brasileirão começou especialmente negativo. No dia 21 de abril o Botafogo perdeu em casa para o Goiás e logo depois foi derrotado pelo Santos.

Um ano e 120 dias depois de ingressar no Botafogo, Levir saiu então do comando do Glorioso, evidenciando-se quão ingrata é a carreira de treinador: de comandante da subida de divisão cinco meses antes, não sobreviveu aos primeiros jogos do Brasileirão.

Porém, tudo se inverteu num breve lapso de tempo por ironia adicional do futebol: o Botafogo iria ter um ano verdadeiramente complicado, enquanto Levir Culpi assumiu o comando do Atlético Paranaense, realizou uma grande campanha e foi vice-campeão brasileiro, superado apenas pelo Santos.

Salvou-se, contudo, a memória afetiva: Levir Culpi nunca esqueceu o Botafogo, e dez anos depois, perante a nova descida de divisão, Levir declarou: – "Tenho o Botafogo no coração." E questionado sobre eventuais dívidas do Botafogo, não deu nenhuma margem especulativa: – "O clube não me deve nada."

E como as demissões no Botafogo – quiçá no futebol brasileiro – são súbitas e imponderadas, é sempre preciso nomear um interino para dois ou mais jogos, ao mesmo tempo que se procura avidamente o treinador mais à mão – nem sempre igual ou melhor que o anterior. Desta vez o interino foi Luiz Matter.

A vítima apanhada na fila foi Mauro Galvão, de maio a agosto de 2004. O prestígio que Mauro Galvão tinha como jogador do Botafogo foi contratação de esperança, mas o prestígio do passado não garante sucesso e não compra tempo indefinido. As dificuldades continuaram, o Botafogo estava na zona de rebaixamento e uma derrota por 3x1 para o Goiás apressou a saída 90 dias após a chegada.  

Paulo Bonamigo assumiu um Botafogo em 23.º lugar com a crucial missão de não fazer futebol estético, mas de impedir nova queda para a série B, que poderia ser tão fatal como a queda definitiva do America do Rio. Conseguiu estabilizar a equipe, evitou a despromoção e ainda durou sete meses no comando do Botafogo.

Mauro Galvão, um símbolo na ‘fogueira’. Crédito: Guilherme Pinto.

Bonamigo foi demitido após um jogo da Taça Rio no qual vencia a Cabofriense por 2x0 e levou o empate por 3x3, sendo eliminado. O resultado provocou frustração nos torcedores e mais uma vez a pressão da torcida foi decisiva. O Botafogo já havia sido eliminado da Taça Guanabara pelo Americano e Bebeto de Freitas retirou-lhe a confiança, apesar de reconhecer o cumprimento dos objetivos em 2004.

Bonamigo reagiu com tristeza, mas soube perder com fidalguia declarando apenas: – “No passado fui contratado parra livrar o Botafogo do rebaixamento e conseguimos o objetivo” e lamentou não ter conseguido dar continuidade ao projeto.

E como o futebol em geral, e particularmente o brasileiro, é recheado de episódios inesperados e de certo modo folclóricos, quem foi o Botafogo contratar?... Precisamente o técnico da Cabofriense que eliminou o Botafogo da Taça Rio – Paulo César Gusmão!

Uma aposta de Bebeto pouco ‘galante’ para Bonamigo e surpreendente para o universo botafoguense. E se na estreia a equipe foi eliminada da Copa do Brasil pelo Paulista de Jundiaí, o início d campeonato brasileiro foi notável: 3 vitórias sucessivas sobre o Internacional (2x0), Corinthians (3x1 e Atlético Mineiro (2x1) que levaram o Botafogo à liderança do Brasileirão.

Apesar de alguns insucessos posteriores, a equipe continuava entre os primeiros colocados, mas PC Gusmão desentendeu-se com Bebeto de Freitas num contexto de salários atrasados, a relação deteriorou-se quando o presidente esteve ausente por duas semanas com dengue, Gusmão é que geriu o descontentamento do plantel por falta de interlocutores.

Num treino de duas horas tanto Gusmão como Bebeto não se cumprimentarem nem trocaram uma palavra. O treinador anunciou publicamente os problemas financeiros do Botafogo, mas Bebeto retrucou publicamente que o atraso era de apenas oito dias e já havia entendimento com os jogadores quanto aos pagamentos. Porém, Bebeto declarou algo mais grave: que PC Gusmão pedira a anulação de uma cláusula de indenização que teria que pagar ao Botafogo caso saísse do Clube. Bebeto acedera ao pedido antes da rutura e logo após a sua saída, 91 dias depois da chegada, foi contratado para treinar o Cruzeiro…

O epílogo deste caso ocorreu apenas em 2007: final, PC Gusmão reconhecera ter uma dívida ade 35 mil reais ao Botafogo relativamente a adiantamentos recebidos em 2005, regularizando-a por prestações após litígio salarial.

Em julho de 2005 foi contratado Péricles Chamusca, que no ano anterior ganhara a Copa do Brasil com o modesto Santo André. O Botafogo estava em 3º lugar no Brasileirão, mas Chamusca não conseguiu manter apegada e o atacante Alex Alves chegou a dizer que a equipe não conseguia realizar as operações táticas solicitadas.

Chamusca durou menos de um mês ao lema da equipe (57 dias), comandou apenas 12 jogos e os últimos 5 saldaram-se por 1 vitória, 1 empate e 3 derrotas. As expectativas criadas e a realidade contradiziam-se e o Botafogo demitiu-o.

No entanto, para grande surpresa de todos, o novo técnico contratado foi Celso Roth, que acabara de ser demitido do Flamengo devido a uma campanha pífia, tendo perdido 10 jogos no conjunto de 19 jogos que comandou.

O presidente do Botafogo apostava, então, num técnico com fama de disciplinador e de priorizar a organização defensiva, em contraste com os técnicos anteriores. Porém, a equipe sentia bastante a saída de Túlio para o futebol japonês e a ausência de Bill por problemas físicos.

Embora Roth tenha classificado o Botafogo para a Copa Sul-americana de 2026, fê-lo apenas depois de oito jogos sem vencer e aproximar-se da despromoção, justamente após Bebeto de Freitas assegurar a sua permanência até dezembro, o que levou o Vice-presidente, Mário Sérgio Ribeiro, a demitir-se por total discordância, mas talvez tenha tido um efeito forte junto dos atletas, porque após essa declaração de Bebeto o Botafogo venceu seis dos oito jogos seguintes e recuperou na tabela classificativa.

Não obstante, a temporada terminou em clara contestação dos torcedores, resultante de uma enorme crise de confiança no vestiário, afastamento de jogadores, divergência pública entre dirigentes, aproveitamento de apenas 47,5% e uma despedida do treinador discutindo com os torcedores.

A discrepância entre a avaliação do treinador e dos torcedores foi evidente: Roth valorizava a classificação para a Copa Sul-americana e a organização da equipe; parte dos torcedores criticava o estilo de jogo e irregularidade de resultados, ao que não seria alheios a diferença de comportamentos antes e depois de Bebeto anunciar que Roth permaneceria até dezembro.

No dia 1º de dezembro de 2025 foi anunciada a contratação de Calos Roberto, também antigo jogador – tal como Mauro Galvão –, numa escolha claramente de dimensão simbólica, porque Carlos Roberto era ídolo do Clube ligado às conquistas da década de 1960.

Fontes principais da série: br.bolavip.com; brasil.elpais.com; jbemfolhas.com.br; jornalggn.com.br; mundobotafogo.blogspot.com; museudapessoa.org; operamundi.uol.com.br; pesquisaescolar.fundaj.gov.br; pt.wikipedia.org; www.uol.com.br; https://sopanomel.blogspot.com; terceirotempo.uol.com.br; tnonline.uol.com.br; www.campeoesdofutebol.com.br; www.correiobraziliense.com.br; www.jb.com.br; www.museudapelada.com; www1.folha.uol.com.br

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Treinadores e contextos (XIII): da estabilização de Bonamigo à recuperação de Roth em fogueira devoradora de treinadores

Paulo Bonamigo. Crédito: Fernando Maia. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo O regresso à Série A sugeria a chegada de um período de...