segunda-feira, 18 de maio de 2026

Botafogo 3x1 Corinthians - recordando bons tempos 'antigos'

Crédito: Vitor Silva | Botafogo

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Ir do Inferno ao Céu entre quarta e domingo é algo a que incrivelmente nos habituámos: esperando o melhor, sai o pior; esperando o pior, sai o melhor.

No entanto, até se compreende: de um lado, talvez uma equipe envergonhada pelo péssimo exemplo de postura futebolística face à Chapecoense, querendo redimir-se; de outro lado, que equipe ideal para a nossa redenção se não uma equipe-exemplo do ‘dinizismo’?

É fácil, pois, entender o resultado. Contra diversas equipes o sistema de jogo pretende ser attack, attack, attack – embora nem isso seja – e desconjunta totalmente a equipe, com jogadores remendados em posições inadequadas. Quando se espera a posse de bola pouco objetiva e muitas vezes fútil do ‘dinizismo’, eis que a equipe funciona em futebol vertical, defendendo-se melhor e criando contra-ataques perigosos nos espaços abertos pela defesa adversária ou em lançamentos longos.

Não temos qualidade na saída de bola e, por isso, é muito difícil armar ataques. Não porque não haja jogadores para isso, mas porque o sistema tático é inconsistente, os jogadores, que não são propriamente polivalentes, tanto jogam numa posição como noutra e acabam por não conseguir bons desempenhos em nenhuma delas.

Jogando na vertical, especialmente contra equipes ‘dinizistas’, e em contra-ataque, com sistema tático consolidado e jogadores nas sua posições criando rotinas de jogo e mecânicas bem afinadas, então podemos pensar em vitórias.

Porque jogadores como Alex Telles, Vitinho, Justino, Santi Rodriguez, Montoro, Medina ou Villaba não me parece discutível que não sejam bons jogadores, mas alguns têm desaprendido com certas decisões de Franclim Carvalho que roçam o absurdo.

Dito isso, o Botafogo entrou no jogo com disposição, foi combativo desde o início e manteve o foco durante os noventa minutos – tudo aquilo que é fundamental para que depois funcione o sistema tático (se for bem definido) e a capacidades individuais consigam emergir.

E logo aos 6’ Ferraresi efetuou um lançamento longuíssimo a partir da defesa, Gustavo Henrique e Villalba disputaram a bola no alto, sobrou para Arthur Cabral que ajeitou, avançou e disparou um petardo sem nenhuma possibilidade de defesa. Botafogo 1x0.

Porém, a alegria da arquibancada alvinegra do Rio esmoreceu rapidamente e a alegria passou para a arquibancada alvinegra de São Paulo: aos 10’ o Corinthians criou perigo pela 1ª vez, a nossa defesa aliviou, mas Huguinho foi desarmado na saída de bola, que sobrou para Rodrigo Garro, que chutou cruzado no canto oposto e empatou a partida aos 10’. Não querendo ‘bater’ no mau goleiro que temos, tenho dúvidas sobre o posicionamento adequado de Neto, que me parece deixar aberto o lado oposto da baliza por onde a bola entrou.

O jogo animou-se por parte do Corinthians, que manteve a posse de bola como valia principal, o Botafogo marcava bem à zona e disputava bolas, manteve o foco e mostrou sentido de ataque rápido e inesperado.

Gesto que se percebe como necessário para lavagem da alma. Crédito: Vitor Silva | Botafogo

Foi assim que Ferraresi conseguiu arrancar um pênalti a Gustavo Henrique, aos 23’, mas o Var resolveu que não seria pênalti, chamou o árbitro e, como é da praxe, os árbitros não têm coragem de manter a sua posição e alinham sempre pelos homens do vídeo, anulando a decisão.

E enquanto o tiki-taka improdutivo do Corinthians ia facilitando a defensiva do Botafogo, porque a posse era praticamente na zona do meio campo e para trás, o Botafogo esperava – e explorava – as oportunidades, eis que aos 31’ Montoro ganhou a bola na defesa, tocou para Kadir, este tocou para Arthur Cabral, que ajeitou e disparou de muito longe um potentíssimo remate. Golaço! Botafogo 2x1.

A partida permaneceu disputada, o Botafogo continuou marcando bem, ganhando divididas e controlando o jogo. A única oportunidade do Corinthians até ao intervalo ocorreu as 40’, numa das poucas jogadas realmente objetivas da equipe, quando Raniele respondeu a um belo cruzamento com uma cabeçada perigosíssima ao travessão.

Aos 45+7’, na última jogada do 1º tempo, Alex Telles respondeu em cobrança de falta que saiu rasando o ângulo superior da baliza de Hugo Souza.

No 2º tempo o Botafogo superou bem o ‘dinizismo’ com uma linha defensiva bem colocada, protegida pelos homens do meio, e enquanto o adversário procurava o empate, o Botafogo efetuava lançamento longos perigosos. Villalba pelo lado esquerdo fazia um jogo do grande qualidade e à terceira investida perigosa, aos 69’, Villalba recebeu uma bola longa disparada por Neto, ganhou da marcação, avançou até dentro da grande área, tocou para Kauan Toledo em frente à baliza demorou um milésimo de segundo, a bola sobrou um pouco para trás e Arthur Cabral estava lá para o hat-trick. Botafogo 3x1.

Com o jogo controlado, aos 87’, numa grande jogada de envolvimento da defesa contrária, Cabral tocou para Kauan Toledo à direita, ele passou pela marcação e rematoou para uma boa defesa do goleiro. Na cobrança de escanteio de Alex Telles, Barboza cabeceou, Hugo Souza fez uma defesa espetacular e no rebote Santi Rodriguez acertou o poste esquerdo da baliza de Hugo Souza – e a goleada esteve à vista.

Os dez minutos finais foram de gestão do Botafogo sobre um adversário com bola e sem criatividade.

Empenho, combatividade, contragolpe e criatividade marcaram a exibição realmente muito boa da equipe, com destaque, evidentemente, para o hat-trick de Arthur Cabral – o homem do jogo.

O outro destaque do jogo foi Alexander Barboza, que mostrou que se pode ser profissional dentro de campo e fora de campo, sem demagogias nem auto deslumbramentos.

De certo modo a ausência de Danilo libertou mais a equipe. O que Barboza tem mais, Danilo tem menos, isto é, Danilo parece-me vislumbrado com a sua súbita ascensão, Franclim Carvalho retirou-lhe aparentemente parte da criatividade ao colocá-lo em posição menos confortável em campo e Danilo parece ter ficado à beira de colapso criativo (dois maus jogos anteriores) e mental.

Boa sorte, Alexander Barboza! (menos contra o Botafogo). Crédito: Vitor Silva | Botafogo

A criação foi evidente com Montoro, Villalba e mesmo Santi Rodríguez, substituto de Montoro. Talvez Franclim tenha percebido onde Montoro deve ficar na equipe para retomar as suas qualidades, que Villalba – a quem tem colocado em segundo plano – é um dos melhores homens da frente e que pode jogar com Santi Rodríguez, ao contrário do que havia sentenciado – e finalmente que talvez perceba que Joaquín Corrêa seja, na melhor das hipóteses, reserva de reserva.

Kauan Toledo – uma ‘Jóia do Bairro’ – pode ser melhor solução do que Kadir, que me parece ainda não estar preparado para exibir cm conistência as suas melhores qualidades.

Ferraresi é titular absoluto na zaga, mas precisa de companhia melhor do que a de Bastos, que não tornou a ser o mesmo após cirurgia.

E, finalmente, esta foi uma partida para Franclim perceber que o tal Botafogo attack, attack, attack, não existe, que o equilíbrio é a melhor receita e que o modelo de jogo é outro, explorando futebol vertical, lançamentos longos e velocidade, sem perder de vista, evidentemente, uma melhor saída de bola para também urdir ataques com a bola rolando no gramado – e se não perceber isso arrisca-se a sair pela porta baixa.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x1 Corinthians

» Gols: Arthur Cabral, aos 6’, 31’ e 69’ (Botafogo); Rodrigo Garro, aos 10’ (Corinthians)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 17.05.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público:15.841 pagantes; 17.556 espectadores

» Renda: R$ 656.210,00

» Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG); Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Celso Luiz da Silva (MG); VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)

» Disciplina: cartão amarelo – Mateo Ponte, Cristian Medina, Arthur Cabral, Lucas Villalba, Alexander Barboza e Alex Telles (Botafogo) e Lingard (Corinthians)

» Botafogo: Neto; Mateo Ponte (Vitinho), Ferraresi, Alexander Barboza e Alex Telles; Huguinho, Cristian Medina (Justino) e Álvaro Montoro (Santi Rodríguez); Lucas Villalba (Edenílson), Arthur Cabral e Kadir (Kauan Toledo). Técnico: Franclim Carvalho.

» Corinthians: Hugo Souza; Matheuzinho, André Ramalho, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (André), Carrillo (Pedro Raul), Breno Bidon (Allan) e Rodrigo Garro (Dieguinho); Lingard (Kaio César) e Yuri Alberto. Técnico: Fernando Diniz.

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