por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Eis um jogo incaracterístico que em condições normais não
seria possível definir quem venceria, mas dois erros pueris, elementares e
escandalosos ditaram praticamente a sorte do resultado.
Além, diga-se com inteira justiça, de Bellão se ter
equivocado com a titularidade de Allan, claramente fora de contexto, e de Kauan
Toledo, que em minha opinião não tem lugar na equipe.
Mas, enfim, vamos ao jogo.
Pode-se afirmar que o Botafogo entrou bem na partida,
procurando dominar e atacar, o que foi claramente visível quando logo aos 4’ Alex
Telles rematou com perigo ao lado e aos 6’, numa boa jogada coletiva, Vitinho concluiu
disparando para as nuvens com a baliza à sua frente.
Aliás, abrindo parêntesis, estou para entender, até hoje,
a razão pela qual Vitinho esteve indiciado para a Seleção Brasileira e ainda se
fazem referências a essa futura possibilidade nas narrativas de jogos, porque
Vitinho conseguiu – e não apenas neste jogo – ser uma absoluta nulidade na ala
direita, errando todos os cruzamentos e chutando sempre com a vontade de quem
almeja figurar no Guinness Book como autor do chute mais elevado e robusto em
direção ao infinito. Nota ZERO!
Porém, os primeiros minutos prometedores transformaram-se
subitamente numa autoviagem ao purgatório porque aos 10’, com a bola dominada,
Cristian Medina, em vez de rolar para um companheiro, quis driblar o
adversário, que o desarmou em zona proibitiva próxima da baliza, o remate subsequente
foi defendido por Gabriel Batista para a frente com ‘mão de alface’ e no rebote
João Cruz não perdoou.
Volvidos apenas três minutos, Kauan Toledo não aprendeu
nada com o desarme que originou o 1º gol e com a bola dominada foi puerilmente
desarmado por Dantas, a bola foi endossada para Viveros que, frente a frente a
Gabriel Batista, enfiou a bola entre as pernas do goleiro, ampliando para 2x0 a
vantagem do Athletico.
Abro outro parêntesis: a vocação que o Botafogo tem pelo
erro é patente nas escolhas de goleiros, porque nem os anteriores nem os dois
atuais dão garantias de segurança na baliza e de confiança da zaga no seu goleiro
– e se fomos campeões brasileiros e sul-americanos deveu-se também, e muito, ao
nosso goleiro de então, a primeira peça fundamental das equipes campeãs.
Após o 0x2 o Botafogo foi em busca de diminuir a
diferença, embora com problemas de organização em campo: aos 15’ Danilo Pereira,
por um triz, não meteu a bola na baliza adversária de cabeça; aos 25’ Edenilson
finalizou ao poste, aos 38’ Ferraresi rematou à figura de Santos.
O Botafogo tentou, mas foi ineficaz, sobretudo porque
desperdiçou inúmeros escanteios traduzidos em potenciais oportunidades perdidas,
rematou muitas vezes mas pelo alto, fora do enquadramento da baliza.
Pelo meio era difícil penetrar face à muralha montada pelo
adversário, pelas pontas os dois laterais não foram felizes: Vitinho continua
com desempenhos pífios e Alex Telles não esteve nos seus melhores dias.
E assim se chegou ao intervalo, resumido em dois gols
oferecidos pelo Botafogo ao Athletico, que não criou nenhuma oportunidade de
perigo, fora os dois gols oriundos dos erros crassos de Cristian Medina e de
Kauan Toledo, e uma bola de Edenilson ao poste de Santos.
No 2º tempo, aos 53’, embora bem marcado, Danilo Pereira
rematou para Santos efetuar a sua grande defesa da noite. As 59’ houve um
desvio de cabeça para a baliza, mas a bola saiu ao lado. O Botafogo continuou
tentando, enquanto o Athletico se mantivesse recuado, sem nenhum ataque minimamente
perigoso, e somente aos 75’ tornou a haver a possibilidade de atenuar o placar
quando Álvaro Montoro rematou ao poste de Santos.
Três minutos depois, aos 78’, com o Botafogo lançado ao
ataque e desorganizado na defesa, Vargas recuperou uma bola no seu meio campo,
disparou em velocidade e serviu Viveros que ampliou para 3x0 a vantagem da sua
equipe.
Quando tudo parecia decisivo, sustentado nos gols de oportunidade
do Athletico e nos remates infrutíferos dos alvinegros, designadamente duas bolas
ao poste, eis que o Botafogo, ainda continuando na busca de gols, apesar do
placar implacável, que não traduzia o que se passara em campo, deparou-se com
dois momentos de sorte para diminuir o placar e voltar ao jogo.
No primeiro momento, aos 84’, finalmente na sequência de
um escanteio, a bola sobrou para Santi Rodríguez, que rematou fora da grande área,
o esférico resvalou num zagueiro adversário, tirou Santos da jogada e a bola
alinhou-se pelo alto nas redes adversárias; aos 90+2’, na sequência de novo
escanteio, o mesmo Santi Rodríguez aproveita uma sobra de bola na pequena área,
à saída de Santos toca de leve na bola, tirando-a do goleiro e fazendo 2x3.
E agora… bem… Bellão e a equipe têm simplesmente que
roçar a perfeição, com mente forte, foco absoluto e ambição, porque seguem-se
Flamengo e Palmeiras, os dois clubes mais postulantes ao título brasileiro de
2026.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x3 Athletico
» Gols: Santi Rodríguez, aos 84’ e 90+2’ (Botafogo); João
Cruz, aos 10’, e Viveros, aos 13’ e 78’ (Athletico)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 24.08.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 6.209 pagantes; 7.086 espectadores
» Renda: R$ 178.760,00
«Árbitro: André Luiz Skettino Policarpo Bento (MG); Assistentes:
Leone Carvalho Rocha (GO) e Joverton Wesley de Souza Lima (RO); VAR: Pablo
Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
» Disciplina: cartão amarelo – Kauan Toledo e Edenílson
(Botafogo) e Dantas (Athletico)
» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Justino
e Alex Telles; Allan (Huguinho), Edenílson (Santi Rodríguez), Cristian Medina
(Kadir) e Álvaro Montoro (Matheus Martins); Kauan Toledo (Júnior Santos) e
Danilo Pereira. Técnico: Rodrigo Bellão.
» Athletico: Santos; Dantas, Arthur Dias e Aguirre;
Benavídez, Luiz Gustavo (Portilla), Jadson, João Cruz (Dudu) e Mendoza;
Leozinho (Vargas) e Viveros (Renan Peixoto). Técnico: Odair Hellmann.

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