terça-feira, 25 de agosto de 2026

Botafogo 2x3 Athletico – um jogo incaracterístico

Crédito: Instagram @movnacag

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Eis um jogo incaracterístico que em condições normais não seria possível definir quem venceria, mas dois erros pueris, elementares e escandalosos ditaram praticamente a sorte do resultado.

Além, diga-se com inteira justiça, de Bellão se ter equivocado com a titularidade de Allan, claramente fora de contexto, e de Kauan Toledo, que em minha opinião não tem lugar na equipe.

Mas, enfim, vamos ao jogo.

Pode-se afirmar que o Botafogo entrou bem na partida, procurando dominar e atacar, o que foi claramente visível quando logo aos 4’ Alex Telles rematou com perigo ao lado e aos 6’, numa boa jogada coletiva, Vitinho concluiu disparando para as nuvens com a baliza à sua frente.

Aliás, abrindo parêntesis, estou para entender, até hoje, a razão pela qual Vitinho esteve indiciado para a Seleção Brasileira e ainda se fazem referências a essa futura possibilidade nas narrativas de jogos, porque Vitinho conseguiu – e não apenas neste jogo – ser uma absoluta nulidade na ala direita, errando todos os cruzamentos e chutando sempre com a vontade de quem almeja figurar no Guinness Book como autor do chute mais elevado e robusto em direção ao infinito. Nota ZERO!

Porém, os primeiros minutos prometedores transformaram-se subitamente numa autoviagem ao purgatório porque aos 10’, com a bola dominada, Cristian Medina, em vez de rolar para um companheiro, quis driblar o adversário, que o desarmou em zona proibitiva próxima da baliza, o remate subsequente foi defendido por Gabriel Batista para a frente com ‘mão de alface’ e no rebote João Cruz não perdoou.

Volvidos apenas três minutos, Kauan Toledo não aprendeu nada com o desarme que originou o 1º gol e com a bola dominada foi puerilmente desarmado por Dantas, a bola foi endossada para Viveros que, frente a frente a Gabriel Batista, enfiou a bola entre as pernas do goleiro, ampliando para 2x0 a vantagem do Athletico.

Abro outro parêntesis: a vocação que o Botafogo tem pelo erro é patente nas escolhas de goleiros, porque nem os anteriores nem os dois atuais dão garantias de segurança na baliza e de confiança da zaga no seu goleiro – e se fomos campeões brasileiros e sul-americanos deveu-se também, e muito, ao nosso goleiro de então, a primeira peça fundamental das equipes campeãs.

Após o 0x2 o Botafogo foi em busca de diminuir a diferença, embora com problemas de organização em campo: aos 15’ Danilo Pereira, por um triz, não meteu a bola na baliza adversária de cabeça; aos 25’ Edenilson finalizou ao poste, aos 38’ Ferraresi rematou à figura de Santos.

O Botafogo tentou, mas foi ineficaz, sobretudo porque desperdiçou inúmeros escanteios traduzidos em potenciais oportunidades perdidas, rematou muitas vezes mas pelo alto, fora do enquadramento da baliza.

Pelo meio era difícil penetrar face à muralha montada pelo adversário, pelas pontas os dois laterais não foram felizes: Vitinho continua com desempenhos pífios e Alex Telles não esteve nos seus melhores dias.

E assim se chegou ao intervalo, resumido em dois gols oferecidos pelo Botafogo ao Athletico, que não criou nenhuma oportunidade de perigo, fora os dois gols oriundos dos erros crassos de Cristian Medina e de Kauan Toledo, e uma bola de Edenilson ao poste de Santos.

No 2º tempo, aos 53’, embora bem marcado, Danilo Pereira rematou para Santos efetuar a sua grande defesa da noite. As 59’ houve um desvio de cabeça para a baliza, mas a bola saiu ao lado. O Botafogo continuou tentando, enquanto o Athletico se mantivesse recuado, sem nenhum ataque minimamente perigoso, e somente aos 75’ tornou a haver a possibilidade de atenuar o placar quando Álvaro Montoro rematou ao poste de Santos.

Três minutos depois, aos 78’, com o Botafogo lançado ao ataque e desorganizado na defesa, Vargas recuperou uma bola no seu meio campo, disparou em velocidade e serviu Viveros que ampliou para 3x0 a vantagem da sua equipe.

Quando tudo parecia decisivo, sustentado nos gols de oportunidade do Athletico e nos remates infrutíferos dos alvinegros, designadamente duas bolas ao poste, eis que o Botafogo, ainda continuando na busca de gols, apesar do placar implacável, que não traduzia o que se passara em campo, deparou-se com dois momentos de sorte para diminuir o placar e voltar ao jogo.

No primeiro momento, aos 84’, finalmente na sequência de um escanteio, a bola sobrou para Santi Rodríguez, que rematou fora da grande área, o esférico resvalou num zagueiro adversário, tirou Santos da jogada e a bola alinhou-se pelo alto nas redes adversárias; aos 90+2’, na sequência de novo escanteio, o mesmo Santi Rodríguez aproveita uma sobra de bola na pequena área, à saída de Santos toca de leve na bola, tirando-a do goleiro e fazendo 2x3.

E agora… bem… Bellão e a equipe têm simplesmente que roçar a perfeição, com mente forte, foco absoluto e ambição, porque seguem-se Flamengo e Palmeiras, os dois clubes mais postulantes ao título brasileiro de 2026.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 2x3 Athletico

» Gols: Santi Rodríguez, aos 84’ e 90+2’ (Botafogo); João Cruz, aos 10’, e Viveros, aos 13’ e 78’ (Athletico)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 24.08.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 6.209 pagantes; 7.086 espectadores

» Renda: R$ 178.760,00

«Árbitro: André Luiz Skettino Policarpo Bento (MG); Assistentes: Leone Carvalho Rocha (GO) e Joverton Wesley de Souza Lima (RO); VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)

» Disciplina: cartão amarelo – Kauan Toledo e Edenílson (Botafogo) e Dantas (Athletico)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Ferraresi, Justino e Alex Telles; Allan (Huguinho), Edenílson (Santi Rodríguez), Cristian Medina (Kadir) e Álvaro Montoro (Matheus Martins); Kauan Toledo (Júnior Santos) e Danilo Pereira. Técnico: Rodrigo Bellão.

» Athletico: Santos; Dantas, Arthur Dias e Aguirre; Benavídez, Luiz Gustavo (Portilla), Jadson, João Cruz (Dudu) e Mendoza; Leozinho (Vargas) e Viveros (Renan Peixoto). Técnico: Odair Hellmann.

2 comentários:

Sergio disse...

Ruy, gosto muito dos seus comentários sobre os jogos, porque apesar da grande paixão que inegavelmente você tem, sempre coloca a razão, o bom senso nas suas análises, e não um monte de comentários desconexos e ofensivos. Até entendo os torcedores no momento das derrotas, mas os comentários precisam ser assertivos.
Ontem no intervalo do jogo, m com a pressão e lembrei de uma entrevista do Zagallo, na qual ele falou sobre treinamento, estratégia de jogo, mas o que me chamou atenção foi o seguinte: "a gente treina jogadas, simula situações de jogo, mas dentro campo no jogo as decisões da dos jogadores, o treinador não tem como decidir qual a melhor jogada. Foi exatamente o que aconteceu ontem, dois erros absurdos deram a vitória ao Atlético Paranaense. Os dois erros foram pela completa falta de discernimento do Medina e do Kauan Toledo. Se não tinha para quem passar, isola bola. Seria uma jogada feia? Não há jogada feia para de evitar um ataque contundente. Me lembrei da fina de 67 contra o Bangu, em que o Botafogo acuado, o Gerson, sim, o Canhotinha de ouro, um dos maiores armadores que vi, simplesmente isolar uma bola para lateral na direção onde seu nariz apontava.
Eu sinceramente não achei que o time do Botafogo foi mal, é claro que como torcedor o que importa é o resultado final, mas apesar de claras limitações que o time tem, e a noite desastrosa de alguns jogadores, não fossem os dois erros no início do jogo, o Botafogo teria chance de vencer a partida. O Atlético Paranaense claramente joga no erro do adversário, parecido com o Botafogo 2023, Mas em termos de construção acho um time mediano, tanto que tomou um sufoco do Botafogo, que pelas suas limitações não conseguiu converter as oportunidades em gols.
O que mais me assusta no momento é que a gestão do futebol está nas mãos do social, que de futebol, pouco ou nada entende, e o mais grave, está jogando aos leões um profissional que tem qualidade, mas que não é o momento dele comandar a equipe principal, inclusive pegando uma sequência de jogos com as 3 equipes melhores colocadas no campeonato. Tarefa ingrata.
Vou repetir pela enésima vez: o que está acontecendo no futebol do Botafogo é apenas a consequência dos erros e absurdos cometidos pelo antigo dono da SAF, um absurdo o que foi feito com o clube. E pior, o novo futuro dono ainda não estão completamente inteirado da situação do futebol do clube, e ficar nas mãos do presidente do social nos remete a pesadelos não muito antigos. Ou o Botafogo procura uma solução rápida em termos de comissão técnica e contração de Noeli menos 3 jogadores que venham para ser titulares, um zagueiro, um centro avante e um ponta, ou vamos sofrer mais uma vez com o fantasma do rebaixamento.
Quem diria que depois da nossa grande alegria em 2024 com dos títulos , sendo um deles o maior da história do clube, estaríamos aqui preocupados com um possível rebaixamento. A verdade é vaie a gestão Textor, apesar de 2 títulos e melhorias nas estruturas do clube, investimento na base, no estádio, foi em termos de futebol bastante amadora, e pior, gastos descontrolados que levaram o clube a um déficit absurdo. Mas o Botafogo é isso: entre o céu e o inferno. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Meu amigo Sergio, agradeço os seus comentários pessoais, que me agradam muito porque são verdadeiros, mas equilibrar emoção e razão custou muito tempo a construir. Em boa verdade, sou uma pessoa muito emocional desde criança e tive que encontrar modos de me racionalizar para não cometer disparates, equilibrando emoção e razão.. Difícil?... É uma questão de treino permanente, corrigindo os desvios a par e passo, porque na vida quase tudo se pode treinar e depois funcionar com autenticidade. Como músico de orquestra o Sergio sabe disso melhor do que eu: o Sergio toca usando a emoção e a razão nas medidas apropriadas para um resultado pleno amplamente aplaudido pelas plateias.

Sobre os seus demais comentários eu poderia escrever: assino por baixo. Os seus comentários são excelentes.

Sobre as duas ‘ofertas’, toda a razão. O jogo seria provavelmente outro sem essas ocorrências verdadeiramente pueris. E lembro-me bem dessa final de 1967 em que o Botafogo, muito nervoso, jogou acuado e Gerson não seguiu a moda do jogo bonito, mas sim jogar para ganhar.

Também considero que, no conjunto, o Botafogo ontem não foi mal e há gente ali interessante. Não fiz menção nos comentários, mas Danilo Pereira agradou-me nos dois jogos que fez. Se a equipe conseguir criar, ele fará gols certamente.

Em minha opinião, a ausência de Arthur Cabral melhorou a equipe, porque Cabral não é homem de área e é cada vez mais lento à medida que a idade aumenta. As jgadas perdem-se nele… É uma pena que ninguém o queira comprar…

O Athletico é mediano, sim. Fizeram apenas quatro remates enquadrados com a baliza, três ações perigosas em cima dos nossos erros e nessas ações marcaram três gols, fazendo-me lembrar o Botafogo 2017 de Jair Ventura: defendia-se, jogava em contra-ataques perigosos duas ou três vezes por jogo, marcava um gol e ganhava.

O que mais me assusta também é essa aliança Associativo/SAF, que é como quem diz Presidente do Botafogo/Acionista externo da SAF, em que um parece que consegue enrolar o outro, e talvez nenhum deles saiba realmente como gerir um clube de alta competição com competência. Todos os indícios recentes apontam para o regresso ao passado.

Finalmente, discordar ligeiramente de si no que respeita à gestão amadora de Textor. Em minha opinião, Textor selecionou para diversos cargos colaboradores bastante profissionalizados que deram bons frutos e contribuíram fortemente para o deslumbrante 2024, contrariando formalmente o passado recente das nomeações por amizade. O Botafogo profissionalizou-se com nunca antes acontecera. O que Textor fez muito mal foram os riscos financeiros tremendos típicos de bilionários que nesses riscos acabam a ganhar por entre jogos financeiros. O problema é que gerir com tais riscos financeiros as atividades desportivas é não entender este setor econômico, que é completamente diferente das características de outros setores econômicos, como o do entretenimento com o qual Textor lidou por bastante tempo.

Abraços Gloriosos.

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