segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Botafogo 0x1 Vitória – novo destino selado?

Crédito: Gerado por IA.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O jogo do Barradão teve uma grande virtude: percebermos todos que Franclim Carvalho se esgotou depois de uma atuação tenebrosa e inaceitável em Cusco, confirmada com os seus equívocos de estratégia e de leitura de jogo em Salvador.

De estratégia porque o Botafogo não tem equipe para reter a bola na frente, e menos ainda após o cansaço resultante do jogo em Cusco; de leitura de jogo porque depois estarmos em desvantagem Franclim partiu cego para um 4x4x2 que nos fez perder o meio-campo – e um dos ensinamentos técnicos é que as mexidas devem ser feitas à medida do que o jogo pede, não à medida da exasperação de um técnico que vê o seu cargo sugado por um buraco negro criado por ele próprio.

Se nada ainda estava verdadeiramente ganho ou perdido após a abertura do placar, passou a estar mais perdido.

Podemos reclamar – uma vez mais, e sempre com razão – da arbitragem parcial e vergonhosa do árbitro e do VAR, seja do amarelo que condicionou Huguinho, seja do vermelho que não foi mostrado a Ramon, entre outros aspectos.

Porém, devemos sobretudo reclamar substantivamente da inexistência de uma identidade coletiva meses depois de FC ter assumido o comando técnico do Glorioso. Se antes de Cusco Franclim não conseguira organizar consistentemente a equipe, em Cusco aconteceu o descalabro e em Salvador confirmou-se a falta de um ADN claro.

Outras culpas existem, mas a do comando técnico é grande demais para não ser evidente. Por exemplo, a culpa do departamento de futebol de não ter enxergado há várias semanas um ataque que não funciona, quer com Arthur Cabral – cada vez mais lento e longe da grande área, contabilizando uma única cabeçada perigosa aos 14’ em Salvador –, quer com Matheus Martins, claramente com uma deficiência de discernimento na única vez que chegou ao ataque com perigo aos 23’, não passando a bola ao companheiro e não ultrapassando a marcação, preferindo atirar-se ao solo simulando um pênalti inexistente.

É certo que temos reforços para os pontos avançados, mas não estão ainda preparados para integrar a equipe em pleno e, diga-se, não se sabe se vão funcionar bem, porque certo mesmo é que um ‘matador’ não foi realmente contratado.

Há 16 anos tomamos 6x0 do Vasco, mas tínhamos um matador acabado de chegar e um novo treinador contratado que não quis saber de jogo bonito, mas sim de resultados antes de qualquer outra coisa – e deram certo conquistando o título carioca.

Hoje não sabemos o que teremos pela frente: se os reforços são suficientes – e admito que não – e se neste contexto do futebol botafoguense é possível contratar um treinador sagaz que se concentre na vitória, antes de qualquer outra preocupação, e mais adiante, então, se preocupe em jogar bom futebol – se o plantel for capaz de o concretizar.

A estratégia da SAF na contratação de técnicos seguiu sempre a orientação de técnico que tivesse muita experiência de comandar as bases – sempre com o intuito máximo de gerar ‘craques’ para vender –, mas por uma ou outra razão falhou em quase todos os casos – excepto em um.

Não precisamos de um técnico assim. Precisamos apenas de um técnico experiente que saiba lidar com Rodrigo Bellão, cujos resultados nas equipes de base têm sido muito significativos, e que deveria ser, aliás, o coordenador técnico de todas as equipes de base, de modo a criar um DNA semelhante em todas as categorias, alinhando por um DNA teoricamente definido para a equipe principal que, a seu tempo, deve ser determinante para a escolha de um técnico alinhado à visão definida pela SAF.

No entanto, não demorem muito tempo, mesmo com a solução de Rodrigo Bellão como interino, porque apesar de jovem e com potencial, ainda não está suficientemente maduro para assumir a equipe principal do Botafogo.

Antes disso tem que passar por desaires, aprender com derrotas e pavimentar com segurança o seu futuro – talvez na equipe principal do Botafogo, quem sabe?

Faço votos para que o novo destino do Botafogo seja selado o quanto antes com nova administração, novo diretor de futebol, novo técnico e (re)potencialização dos atletas.

Botafogo 0x1 Vitória

» Gols: Matheuzinho, aos 26’ (pen.)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 16.08.2026

» Local: Estádio Manoel Barradas (‘Barradão’), em Salvador (BA)

» Público: 20.025 espectadores

» Renda: R$ 525.232,00

» Árbitro: Paulo Cesar Zanovelli da Silva (MG); Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Felipe Alan Costa de Oliveira (MG); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Huguinho, Álvaro Montoro, Franclim Carvalho e Lucas Monzón (Botafogo) e Ramon e Martínez (Vitória); cartão vermelho – Arthur Cabral (Botafogo)

» Botafogo: Warleson; Vitinho, Ferraresi, Lucas Monzón e Alex Telles; Huguinho (Júnior Santos), Cristian Medina (Santi Rodríguez), Danilo (Domingos Andrade) e Álvaro Montoro; Matheus Martins (Danilo Pereira) e Arthur Cabral. Técnico: Franclim Carvalho.

» Vitória: Lucas Arcanjo; Britez, Cacá, Luan Cândido e Ramon (Jamerson); Zé Vitor, Martínez (Wallace) e Matheuzinho (Marinho); Erick, Tarzia (Pochettino) e Renê (Renato Kayzer). Técnico: Jair Ventura.

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