O
nosso atleta Bolívar entende que a frase “há coisas que só acontecem ao
Botafogo” se aplica apenas a coisas ruins. Eu concordo com a frase e com a
diferença que ela encerra relativamente aos clubes ‘normais’, e, sobretudo, à
expansão dessa frase para as coisas que são positivas e gloriosas.
Nós
somos diferentes. Os estudos (mestrados) realizados sobre o futebol carioca
apontam essa capacidade única de o Botafogo reunir coisas únicas que o tornam
versátil, ao contrário da história unívoca dos demais clubes do estado do Rio
de Janeiro – bem como do Brasil e do Mundo.
A
frase pode aplicar-se negativamente, por exemplo, quanto à fundação de um clube
de regatas por um homem que se rebelou contra os apostadores do remo e acabou
sendo morto na prisão durante a Revolta da Marinha; à Tragédia da Piedade que
vitimou o campeão de 1910, Dinorah; ao falecimento na quadra de basquete do
atleta do Club de Regatas Botafogo, que consagrou a união de dois clubes e a
consagração do Botafogo de Futebol e Regatas; ao falecimento de Waltencir
vítima do pescoço partido em campo; ao penalty
inventado por Marcelo de Lima Henrique, etc.
Porém,
há belíssimas coisas que são acontecimentos únicos que não sucedem a outros clubes
brasileiros, quiçá mundiais: um clube de futebol fundado por garotos cuja ideia
ocorreu durante uma aula de matemática (Flávio Ramos e Cia.); um clube
perseguido desde 1907 pelo Fluminense e depois pelo Flamengo consegue, há
décadas, ser o clube que mais contribuiu com futebolistas Campeões do Mundo
(46) e que mais atletas convocados teve na Seleção do Brasil (95); um clube de
ética única, um ‘Grande de Espanha’ – como classificou o tricolor Mário Filho –
que se solidarizou com Abelardo Delamare em 1910 e se retirou do campeonato
carioca; um clube com o mais ético futebolista de sempre, que solicitou ao
árbitro anular um gol que inadvertidamente fez com a mão (Mimi Sodré); um clube
que detém o recorde das mais extraordinárias e hilárias superstições em todo o
mundo (Carlito Rocha e Aloísio ‘Birruma’); o clube cujo atleta se tornou o mais
reivindicativo quanto a deter os direitos do seu passe – e que ganhou na
justiça (Afonsinho); o único clube do mundo em que o seu atleta foi artilheiro
da Copa do Mundo marcando gols em todos os jogos (Jairzinho); a maior estrela
do futebol mundial, absolutamente desconcertante nos dribles e rigorosamente imarcável,
era botafoguense (Garrincha); o único clube do mundo com três atletas na
Seleção Mundial da FIFA no século XX (Garrincha e Nilton Santos, titulares, e
Didi, reserva); um clube cujos atletas inventaram o fair-play (Garrincha), a roda de bobo (Nilton Santos), a 1º
paradinha na cobrança de penalty
(Didi); o Olé! em campos de futebol (Garrincha); a folha-seca (Didi), talvez
seja o único clube do mundo que tem apenas uma Estrela (a Estrela D’ Alva) no
seu escudo e nada mais, etc.
Portanto,
amigo Bolívar, embora eu entenda a colocação da sua frase, não a reduza apenas a
coisas ruins, porque isso seria reduzir a nossa identidade – o ‘Bem’ e o ‘Mal’
fazem parte da identidade do Botafogo: somos os mais explosivos na alegria e os
mais sorumbáticos na tristeza.
Esses
são os maiores motivos por eu continuar umbilicalmente ligado ao Glorioso,
estejamos cobertos de Glória ou de Tragédia: sou homem incondicionalmente ao
lado das coisas únicas, das coisas diferenciadas, das coisas que enchem a alma,
das coisas tangíveis ou intangíveis que evidenciam a singularidade da “pequena
e mais fanática” torcida do Brasil – não esqueçamos que o Botafogo foi o clube
do Brasil, quiçá do mundo, que inventou a temível vaia dos torcedores e os
aplausos desmedidos de uma torcida em plena exaltação (conforme comprovam os
jornais da 1ª década do século XX).
A
nossa identidade é tudo isso que faz o Botafogo ser irremediavelmente diferente
– para desespero dos nossos mais acérrimos inimigos.
São
estas coisas únicas que configuram, na sua diversidade, um clube único em todo
o Mundo – o Glorioso BOTAFOGO DE FUTEBOL
E REGATAS!