............................................Texto de Rui Moura (Mundo Botafogo)
Em
duas semanas os abutres do futebol carioca querem liquidar o Botafogo, com a preciosa
ajuda de Carlos Augusto Montenegro e de Maurício Assumpção – um lançou a ideia,
o outro pode concretizá-la.
Montenegro
lançou publicamente, na semana passada, a ideia de devolução do Engenhão e, manobra
aqui, manobra ali, o presidente admite colocar essa hipótese.
Revoltante!
Se
o fizer estaremos a regredir a 1976 e preparados para uma nova travessia no
deserto, senão mesmo a iniciar-se a ‘americanização’ do Botafogo – fazendo, em
questão de uns anos apenas, companhia ao America FC.
Se
o presidente ceder ao curto prazo e entregar o Engenhão, será um novo carrasco
do Botafogo que, a longo prazo, nos destruirá – porque não se consegue motivar
mais torcedores que tão sofridos têm sido.
Ninguém,
no seu juízo perfeito, faz tal coisa, a não ser que, por hipótese, existam interesses pessoais
de alguém que não se importa de esmagar o seu próprio clube.
Se
o Engenhão for entregue, o Botafogo descerá inexoravelmente a ladeira e
espatifar-se-á numa pedreira, sem honra nem glória. No imediato, a gozação com
o Botafogo e a descida de consideração ao clube arrastar-nos-á para uma
situação em que a torcida nunca mais se renovará por desmotivação da gurizada,
e a mídia e os esbirros cathartiformes acabam com a liquidação do Glorioso, e
nem alvo de piadas seremos no futuro – porque já ninguém se importará connosco.
Teoricamente, tal
opção só pode interessar aos seus intervenientes, não ao Botafogo nem aos seus
sócios. Ademais, uma tal decisão tão delicada exigiria um escrutínio a todos os
sócios – mas a todos, e não apenas ao núcleo de sempre, que congeminou e apoiou políticas
inconsequentes desde a presidência de C. A. Montenegro, que mantém o
Botafogo à margem das grandes disputas há 18 anos.
E
depois de termos um estádio como o Engenhão já nada será como dantes. O arrendamento
do estádio foi uma espécie de rotura com o passado, e a ele jamais se pode regressar
nas mesmas condições.
Entregar
o Engenhão é tarefa simples que qualquer medíocre pode fazer, mas ousar seguir
em frente e combater pelos interesses do Botafogo, já exige visão, capacidade,
competência e boa gestão política do entorno – e nada disso abunda no
presidente.
A
devolução do Engenhão é tudo o que os nossos inimigos almejam, e constitui uma
nova rotura que nos trará a diminuição e a desacreditação do Botafogo.
E
a Estrela Solitária, sem facho de luz, terá a sua última aparição como estrela
candente – despojada de glória por toda a eternidade.
Convido
todos os blogueiros a insurgirem-se contra a destruição do Botafogo de Futebol
e Regatas, contra a destruição do nosso amor e das nossas almas profundamente
botafoguenses.
Convido
algum líder das torcidas organizadas, ou um sócio com prestígio social, que
seja feita uma Marcha de Combate a
tal medida, e que termine à frente da sede do Botafogo.
Se
fosse possível, Garrincha e Heleno de Freitas erguer-se-iam da sepultura e
chorariam com quanta força tivessem. Didi e Quarentinha não acreditariam na
ocorrência, e Nilton Santos, se estivesse lúcido, teria uma parada cardíaca
fulminante.
À
falta do choro de Garrincha e de Heleno de Freitas, e do espanto de tantas e
tantas glórias do Botafogo, serão somente os nossos olhos que transbordarão.
Provavelmente pela última vez para muitos de nós.
.
[Resta-nos
que seja verdade o que o diretor executivo Landau desmentiu hoje, há uma hora
atrás: “Não existe essa chance, não estamos nem discutindo. Isso é uma
iniciativa que não faz parte da diretoria executiva do Botafogo.”].