segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Olha a Pamoooonha!
por LÚCIA SENNA, escritora e cantora
escrito para o blogue Mundo Botafogo
“Olha a pamooooonha! Tem pamonha quentinha, tem curau de milho verde, tem
mugunzá, canjica e cuscuz... Tem pamonha grande, pamonha pequena, pamonhão, muuuuuita
pamonha... o puro gosto da fazenda”.
E lá vinha o Carro, surgindo na
nossa rua de terra batida, com o autofalante alguns decibéis acima do
recomendado, trazendo para o portão Dona Maria que não resistia a uma pamonha
fresquinha e caseira, tampouco a um curau de milho verde e seus derivados. Com a boca cheia d’água e os olhos de criança
comilona, sentava-se na rede da varanda e agora, sim, fartava-se com as
delícias que o milho lhe proporcionava. Dava gosto ver! Depois desse banquete,
o corpo pesado pedia mais que uma rede, uma cama pra se espreguiçar e quem sabe
sonhar com os seus tempos de menina, tempos difíceis, bicudos, de pouco vintém,
porém de muito lirismo e liberdade no sítio da vó Maria.
Além de uma pamonha fresquinha e
caseira, Dona Maria não resistia a muitas outras coisas.
Sentar na rede sem embalar, nem
pensar! Não assistir ao dia se pôr? Ah! Por favor! Passar um dia sequer sem
cantar? Definitivamente, não dá! Também não resistia de jeito algum a um bom
papo, a reuniões familiares (suas preferidas) e a uma boa piada
apimentada, pois as de salão, pra falar
a verdade, não era com ela, não. Gostava não só de ouvir como de contar, mas
havia um porém: ria tanto que ninguém entendia nada, mas a risada era tão
contagiante que todos acabavam chorando de rir e o final da piada jamais era
contada.
Pois é, Dona Maria não resistia a
muitas coisas... Chocolate era uma delas. Poder não podia não, chocolate tem
gordura; faz mal ao coração. “Bolas, que diacho!” Dizia a reclamona. O meu pai,
continuava, morreu com mais de noventa anos comendo ovo frito toda noite. E eu, que ainda estou na casa dos oitenta,
não posso comer uma inocente barrinha de chocolate? Eu hein! Me deixem, me
deixem... Já abrindo outro bombom com ar
desafiador.
Na realidade, Dona Maria era ‘boa
de boca’. Na hora do almoço, família reunida à mesa, era ela a primeira a se
sentar e a última a sair. Feijão preto era um prato especialíssimo, desde que
fosse ‘solteiro’. Você ficou sem
entender o que vem a ser um ‘feijão solteiro’? Eu explico: ‘feijão solteiro’
nada mais é do que um feijão, digamos, puro, ou seja, sem linguiça, paio, carne
seca, sem nada, além do próprio feijão. Um feijão desacompanhado, um feijão
solitário, tímido, cabreiro, solteiro.
Vegetariana por natureza, era
dureza até mesmo sentir o cheiro de qualquer espécie de carne, abrindo exceção
para os peixes e, ainda assim, só os de ‘cara miúda’, pois os de ‘cara grande’,
há muito deixara de comer. E se lhe perguntavam a razão, a resposta vinha
pronta: “Sinto que eles têm sentimentos e, portanto, sinto muito, mas não como,
não”. Adorava linguado até o dia em que tomou conhecimento, por um pescador de
Rio das Ostras, que o tal peixe só tinha um olho. Nunca soube se a informação
procedia, mas categórica decidiu: “Se só tem um olho não pode ser boa coisa;
deve ser mau caráter. Não como mais”.
Dona Maria talvez não soubesse, mas era poeta. Ou melhor, tinha olhos de poeta. Via beleza
em tudo. Nada escapava ao seu olhar colorido. As árvores desgalhadas do outono,
o tapete de folhas caídas, amarelo/avermelhadas, que se formava em baixo das amendoeiras e dos
flamboyans, o nascer do dia
homenageado pelo canto dos mais variados pássaros, o entardecer com o sol se
pondo no horizonte, a lua (Ah!, a lua…), as estrelas piscando confidentes, a
estrela cadente, as Três Marias, o Cruzeiro do Sul, alguns planetas vistos e
admirados através de luneta, a chuva, o
sol, o vento, o mar, as ondas, as conchas, as cores, as flores e... o Carro da
Pamonha!
Dona Maria, já disse, não
resistia a muitas coisas... Dona Maria, ela sim, era um
ser humano irresistível ! Amava a vida e por ela era amada.
Mulher à frente do seu tempo. Mulher
guerreira, valente, sangue quente, jamais se deixou abater pelas tempestades
que um dia, lá na sua juventude, teve que enfrentar. Vítima de uma sociedade
preconceituosa, livrou-se deles e viveu sem amarras, sem medo, sem
ressentimentos, sem culpas nem desculpas, arcou com o ônus, usufruiu o bônus, lidou com o certo, com o
errado e, como toda mulher, soube o valor de um talvez, aboliu certezas, jamais
foi dona da verdade, nunca negou idade e nem estado civil. Soube viver com
total dignidade tudo o que lhe coube viver.
“Olha a pamooooonha, tem pamonha quentinha, tem curau de milho verde,
tem mugunzá...”
E tem muita, muita saudade de
Dona Maria, que sabia, sim, dar valor a uma deliciosa pamonha fresquinha e
caseira, mas que soube, como poucos, saborear a vida em todas as suas nuances e
matizes.
Botafoguenses no campeonato sul-americano de remo 2016
Os remadores
botafoguenses obtiveram diversas medalhas integrando a equipe brasileira que
disputou o Campeonato Sul-americano Júnior e Sênior, em Laguna La Luz de
Curauma, Valparaiso, no Chile, em março de 2016.
Os atletas
botafoguenses participaram na conquista de seis medalhas de prata e três
medalhas de bronze.
Eis as medalhas:
Single Skiff Peso-Leve
Masculino
1º Alejandro Colomino
(Argentina), em 7’04”662
2º UNCAS TALES BATISTA
(BOTAFOGO), em 7’04”664
3º Renzo Garcia (Peru),
em 7’09”950
Single Skiff Júnior
masculino
1º Lautaro Ramos
(Argentina), em 7’13”134
2º LUCAS VERTHEIN (BOTAFOGO),
em 7’13”173
3º Valentino Balzarini
(Paraguai), em 7’18”230
Quatro Sem Peso-Leve
Masculino,
1º Abarora, Velaquez,
binden e Salas (Chile), em 6’11”641
2º GUILHERME RICARDO
GOMES (BOTAFOGO), William Giaretton (Brasil), Xavier Vela Maggi (Brasil) e
Evaldo Morais (Brasil), em 6’15”134
3º Piva, Collao Toum,
Lopez Berocay e Rossi (Uruguai), em 6’20”012
Double Skiff Júnior Feminino
1º Magdalena V. Alvez
e Yoselin Ponce (Chile), em 7’30”638
2º Maria Caeiro Acuna
e Romina Cetraro Berriolo (Uruguai), em 7’36”613
3º ISABELLA IBEAS
(BRASIL/BOTAFOGO) e Milena Viana
(Brasil), em 7’39”156
Double Skiff Júnior
Masculino
1º Daniel Po e E.
Sanhueza (Chile), em 6’50”624
2º LUCAS VERTHEIN
(BOTAFOGO) E DANIEL AFONSO KELLY (BOTAFOGO), em 6’53”605
3º Lautaro Barrios e
Federico Pacheco (Argentina), em 6’56”236
Quatro Sem Sênior Masculino
1º Brian Rosso,
Cristian Rosso, Ariel Suarez e J. Iwan (Argentina), em 6’04”423
2º EMANUEL BORGES (BOTAFOGO),
UNCAS TALES BATISTA (BOTAFOGO), DIEGO NAZÁRIO (BOTAFOGO) e E. de Morais
(Brasil), em 6’08”701
3º Sebastian Trujão,
S. Cordoba, F. Apostel e Ignacia Abraham (Chile), em 6’11”332
Double Skiff Sênior
Masculino
1º Ariel Suarez e
Brian Rosso (Argentina), em 6’47”434
2º UNCAS TALES BATISTA
(BOTAFOGO) e Steve Hiestand
(Brasil), em 6’51”326
3º Emiliano Dumestre e
Jhonatan Esquivel Montes (Uruguai), em 6’55” 676
Quatro Sem Peso Ligeiro Masculino
1º Carlo Garcia, Sofia
Conte, Pablo Lizondo e Luxen (Argentina), em 6’16”316
2º Bruno Cetraro,
Rodolfo Collazo Toum, Maurício Berocay Lopez e Rossi (Uruguai), em 6’20”618
3º EMANUEL BORGES (BOTAFOGO),
GUILHERME GOMES (BOTAFOGO), DIEGO NAZÁRIO (BOTAFOGO) e E. de Morais (Brasil), em 6’21”217
Quatro Sem Júnior Maculino
1º F. Gianastroso, C.
Desal, C. Kalel e C. Etcheverria (Chiele), em 6’27”104
2º Bogão, Franco
Calvo, Tobias Olay e Rodriguez (Argentina), em 6’33”494
3º LUCAS VERTHEIN (BOTAFOGO),
DANIEL AFONSO KELLY (BOTAFOGO), Bernardo Boggian (Brasil) e Faria (Brasil), em
6’35”714
Fonte: Johnny di
Botafogo / Wordpress; Portal Oficial da competição.
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