por RUY MOURA
Editor do Mundo Botafogo
Estava cansado, adormeci e
não vi o jogo. Talvez houvesse um sexto sentido no meu organismo a querer me
evitar o misto de acesso de desilusão e raiva.
Hoje vou ser menos político
e mais aberto nos meus comentários, agindo paradoxalmente em relação à crítica
que adiante farei a Luís Castro (LC). Porém, eu posso ser menos político nas
minhas expressões quando melhor entender porque sou apenas torcedor, e torcedor
pode ser politicamente incorreto.
Li hoje o que os meus amigos
comentaram por whatsapp e também alguns locais de crítica decente – porque a
indecente já não leio. E não gostei. Como não gostei que LC – uma pessoa sempre
muito ética – venha mencionar em público determinados assuntos. Creio que está
exagerando sobre o que se deve dizer em público devido à sua obsessão da transparência
e assertividade. A transparência e a assertividade são atributos muito positivos,
mas devem ser equilibrados com o sentido político e as solidariedades devidas,
e politicamente falando LC não pode dizer em público o que disse do CT e da
equipe da série B que jogou ontem.
Assuntos tão delicados devem
ser discutidos com a direção e cobrados à direção. Parece que andam todos sob o
efeito de soporíferos numa montanha russa entre vitórias excelentes e estrondosas
derrotas. Textor tem a megalomania dos grandes nomes, mas de quem fala a esse nível
são jogadores de 34 anos, em vez de ter contratado bons ‘olheiros’ para ir
buscar gente de nível médio+ à medida das necessidades e do perfil que LC quer
para montar uma equipe coesa e competitiva. Por sua vez, o departamento de
futebol ainda não logrou alcançar conquistas durante este tempo em que o
Botafogo é SAF, e pouco ou nada se viu de ações concretas. Do lado da comissão
técnica parece que os seus membros não conseguem perceber as equipes
brasileiras e não se joga com as fraquezas do adversário, que deve ser bem
estudado, insistindo-se que o que interessa somos ‘nós’. Não, interessa muito o
que eles são e como fazem para ser. Foi por eles nos estudarem bem que fizeram
3 gols.
Pelo que li, parece que a
desmotivação ficou plasmada nos rostos de todos após o jogo. E de manhã ao
espelho, olhando para mim, percebi que eu estava incluído. Ou o dono da SAF, o
departamento de futebol e a comissão técnica tomam importantes decisões em
conjunto, para ‘ontem’, ou entraremos em novo beco. Creio que altos, tão altos, e
baixos, tão baixos, são mais catastróficos do que os altos e baixos normais de
uma equipe em reconstrução. Porém, a reconstrução não está em evolução como eu
sugeria na análise ao jogo contra o Fluminense.
Uma coisa é o tempo
necessário para o efeito, outra coisa é a evolução não avançar, e mesmo tendo
em consideração que há muitas baixas por lesões e suspensões, a verdade é que
jogamos contra uma equipa de ‘vai e vem’ entre a 1ª e a 2ª divisão e que tem
imensa dificuldade em marcar gols (2º pior ataque do campeonato brasileiro). Ou
melhor, tinha, porque ontem marcaram três.
Em suma: Esta espécie de
pântano de onde parece que tínhamos saído para retornar ontem, contra uma equipe
de má qualidade, classificada no Z4 do campeonato e sem capacidade atacante,
não isenta ninguém: Textor, departamento de Futebol e Comissão Técnica. E
talvez até mesmo os jogadores, porque, pelo que li, ontem fizeram apenas seis
faltas e por conta disso não travaram ataques cruciais do América.
Num horizonte onde o azul
começara a ressurgir recentemente, nuvens cinzentas se perfilam por cima de
General Severiano.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x3 América
» Gols: Wellington Paulista, aos 5’, Danilo Avelar, aos
34’, e Alê, aos 58’
» Competição: Copa do Brasil
» Estádio: Arena Independência, em Belo Horizonte (MG)
» Data: 30.06.2022
» Público: 3.861 espectadores
» Renda: R$ 92.943,00
» Árbitro: Jean Pierre Goncalves Lima (RS); Assistentes: Leirson Peng Martins
(RS) e Lúcio Beiersdorf Flor (RS): VAR: Daiane Caroline Muniz dos Santos (SP)
Cartões amarelos: Saravia (Botafogo) e Éder e Wellington Paulista
(América)
» Botafogo: Gatito Fernández; Kanu, Carli e Philipe Sampaio
(Jeffinho); Daniel Borges (Saravia), Kayque (Del Piage), Patrick de Paula, Chay
e Hugo; Vinícius Lopes (Diego Gonçalves, depois Daniel Cruz) e Matheus
Nascimento. Técnico: Luís Castro.
» América: Matheus Cavichioli; Patric, Luan Patrick, Éder e
Danilo Avelar (Marlon); Lucas Kal, Juninho e Alê (Juninho Valoura); Everaldo
(Felipe Azevedo), Wellington Paulista (Aloísio) e Paulinho (Matheusinho).
Técnico: Vagner Mancini.