quinta-feira, 18 de junho de 2026

O Brasil começou ganhando a Copa de 1958 no planejamento

Fonte: Wikipédia.

por JOÃO CARLOS GONÇALVES, Juruna | excerto da matéria “Garrincha e o futebol: o brilho da estrela” | in jornalggn.com.br

«A CBD, sob o comando do recém-eleito presidente João Havelange e de seu vice, Paulo Machado de Carvalho, traçou planos ambiciosos. Pela primeira vez, o Brasil ia para uma Copa com um planejamento milimétrico, cobrindo o período de 7 de abril (apresentação dos atletas) a 29 de junho de 1958 (a grande final). Pela primeira vez, a Seleção Brasileira adotava uma comissão técnica multidisciplinar. Junto a Feola, atuavam o supervisor Carlos Nascimento, o preparador físico Paulo Amaral, o médico Hilton Gosling, o administrador José de Almeida e o tesoureiro Adolpho Marques.

Desde a escolha do hotel na Suécia até o mapeamento das passagens aéreas para qualquer cenário de eliminação ou avanço, tudo foi friamente calculado. Os 33 jogadores pré-convocados foram submetidos a um check-up inédito na história do esporte nacional.

[…] Os atletas foram virados do avesso por clínicos, traumatologistas, neurologistas, radiologistas, cardiologistas, oftalmologistas, otorrinolaringologistas e até calistas. Os resultados laboratoriais foram assustadores.

Mesmo tratando-se da elite do futebol do país — homens que recebiam os maiores salários da profissão —, o estado físico geral era alarmante. Pareciam recém-chegados do interior profundo, carregando uma trouxa nas costas e um talo de capim entre os dentes. Os exames diagnosticaram um verdadeiro festival de vermes, lombrigas, anemias, infecções, problemas digestivos e circulatórios.

O cenário mais grave, contudo, estava na boca dos jogadores. Entre os 33 atletas, foram encontrados 470 dentes com problemas — uma média de quase 15 por jogador. O total de extrações chegou a 32 dentes, o equivalente a uma dentadura completa.

Outra inovação ousada da CBD foi incluir na delegação uma figura inusitada para a época: um psicólogo. Até então, vigorava a tese de que o jogador brasileiro “tremia nas bases” em momentos decisivos de Copas do Mundo. Como prevenção, o profissional passou a acompanhar o grupo.

O rigor da preparação estendia-se à conduta. O regulamento disciplinar, rigidamente fiscalizado por Carlos Nascimento, continha 40 itens, incluindo proibições como descer para o café da manhã sem fazer a barba ou dar declarações à imprensa sobre assuntos internos. Apesar de um certo exagero folclórico, aquela rigidez era necessária para profissionalizar o ambiente. Todo esse aparato surtiu efeito, e o título mundial, antes um sonho distante, tornou-se real

Texto completo em https://jornalggn.com.br/artigos/garrincha-e-o-futebol-o-brilho-da-estrela-por-joao-carlos-juruna/#elementor-action%3Aaction%3Dpopup%3Aopen%26settings%3DeyJpZCI6IjczMDk2OCIsInRvZ2dsZSI6ZmFsc2V9

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