domingo, 7 de junho de 2026

Visão estratégica e destruição imprevidente num só personagem

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

«Vamos construir um centro de treinamento. Vamos alterar a organização do clube. Vamos querer ser campeões da Libertadores daqui a três anos. Vamos ser campeões brasileiros daqui a três anos”.» – Luís Castro, falando sobre a primeira abordagem de John Textor ao treinador que acabaria por contratar em 2022.

«Desculpe-me interromper» – disse o auxiliar Vítor Severino. «A frase foi esta, que eu nunca mais me esqueci, porque eu costumo partilhar. ‘No primeiro ano, não estou preocupado. E vocês fiquem já a saber que se cairmos, caímos juntos, porque vocês não vão sair. Fiquem à vontade para construir. No segundo ano, vamos ficar perto dos títulos. E no terceiro, vamos buscar títulos’»

Faltou Textor acrescentar: «Nos anos seguintes destruirei as equipes vendendo os melhores atletas, aumentarei estrategicamente a dívida, levarei o caos ao clube e colocarei diversos interessados e ‘interesseiros’ a disputar o parco espólio existente para depois por via jurídica regressar triunfante reunindo os cacos e ser erguido a ‘salvador da pátria botafoguense’

John Textor teve o condão de trazer magia e desencanto aos nossos corações num ínfimo lapso de tempo. Estamos acostumados a oportunistas e impostores que nos alternam o céu e o inferno, embora nunca com tanta intensidade como na curta vida da SAF, mas somos resilientes e, como sempre durante a nossa inigualável história desportiva e social, aconteça  que acontecer, renasceremos das cinzas livres de lóbis e oligarquias que nos queiram impor, porque "o Botafogo é uma fortaleza e sua torcida jamais se renderá!".

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