quinta-feira, 18 de junho de 2026

Entre o céu e o inferno (IX): da conquista do Estadual e dos títulos continentais de basquete e pólo aquático à 3ª despromoção à Série B do Brasileirão (2018-2020)

Campeões estaduais de 2018. Crédito: Vitor Silva | SSPress | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

A duração dos mandatos de gestão do Botafogo foi sendo alterada com a mudança de estatutos, e na passagem da gestão de Maurício Assumpção para Carlos Eduardo Pereira os mandatos passaram de dois anos, com possibilidade de reeleição, para mandato único de três anos, de modo a reduzir os mandatos presidenciais.

No entanto, a dupla anterior conseguiu ‘iludir’ a intenção do legislador mantendo-se nos cargos com alternância, o ex-presidente Carlos Eduardo Pereira passou a vice-presidente da chapa da ‘situação’ e o ex-vice-presidente Nelson Mufarrej passou a presidente.

E assim Nelson Mufarrej foi eleito para presidir os destinos do Botafogo no período 2018-2020 com Carlos Eduardo Pereira a vice-presidente. Coisas que só acontecem no Botafogo? Provavelmente sim…

O início do mandato começou com alguma sorte, mascarando o que viria a seguir. O regulamento do campeonato estadual mudara mais uma vez e o critério de finalistas já não foi pela conquista da Taça Guanabara e da Taça Rio, mas de um quadrangular final, que incluiu o Botafogo apesar de não ter conquistado nenhuma das taças.

Nas semifinais o Botafogo defrontou o Flamengo e venceu por 1x0, gol de Luiz Fernando, aos 38’. Foi o jogo e o gol de resposta à clássica zoação dos jogadores flamenguistas quando marcam gol ao Botafogo, imitando gestualmente o ‘chororô’. Luiz Fernando fez o gol da classificação e saiu para a comemoração apertando o nariz, clássica zoação dos torcedores aos flamenguistas quando são eliminados e ficam apenas no ‘cheirinho’ do título.

Luiz Fernando encenando o 'cheirinho' e devolvendo ao Flamengo a zoação do 'chororô'. Crédito: Reprodução.

Nas finais defrontaram-se Botafogo e Vasco da Gama no Maracanã. No dia 1 de abril de 2018, em jogo de ida, o Vasco da Gama saiu na frente vencendo por 3x2, com o gol da vitória marcado por Andrés Rios, aos 90+3’.

O jogo da volta, a 8 de janeiro de 2018, foi tenso e o Vasco da Gama segurou o 0x0, abeirando-se da conquista do campeonato estadual. Porém, o capitão Joel Carli decidiu resistir e responder ao gol de Andrés Rios aos 90+3’ no jogo de ida: o relógio cravava 90+4’ no jogo de volta quando Carli, em cabeçada de campeão, ofereceu a vitória a todos os alvinegros.

Na decisão por pênaltis, perante 64.000 espectadores, o Botafogo venceu por 4x3 e conquistou o Campeonato Estadual de 2018. Comandado por Alberto Valentim, o Botafogo formou com Gatito Fernández; Marcinho, Joel Carli, Igor Rabello e Moisés (Gilson); Matheus Fernandes, Marcelo (Kieza) e Renatinho; Valencia, Luiz Fernando (Rodrigo Pimpão) e Brenner.

Súmulas da campanha em https://mundobotafogo.blogspot.com/2018/04/botafogo-campeao-estadual-2018.html

O beijo da vitória. Crédito: Reprodução.

No Campeonato Brasileiro de 2018 o Botafogo acercou-se novamente dos lugares de acesso à pré-Libertadores, mas acabou por se classificar em 9º lugar, a 3 pontos de acesso à maior competição continental, registrando 13V, 12E, 13D e saldo negativo de 8 gols (38 a favor e 46 contra).

No que respeita às demais modalidades desportivas mais relevantes, ainda em 2018 sagrou-se hepta-campeão brasileiro de Remo, conquistando o CBI de Barcos Curtos e o CBI de Barcos longos, além do campeonato estadual.

No entanto, no início de 2019, em busca de recorrer a todos os meios financeiros internos para investir no futebol, a diretoria socorreu-se dos fundos financeiros do remo e a modalidade perdeu a possibilidade de pagar os salários mais altos, verificando-se uma fuga de remadores para o nosso maior rival carioca. Desde aí, o Botafogo passou a ser vice-campeão de remo nas competições nacionais e estadual, cujos títulos têm sido arrecadados pelo rival.

Assim, o Clube caminhou para uma tendência de menorização das suas modalidades e o futebol não escapou a uma gestão fracassada: no Campeonato Brasileiro de 2019 o Botafogo classificou-se em 15º lugar, sem acesso a nenhuma das competições continentais, registrando 13V, 4E, 21D e um saldo negativo de 14 gols (31 a favor e 45 contra).

Alguns membros do Comitê Executivo de Futebol – Agostini, Mufarrej, Rotenberg e Montenegro. Crédito: Carlos Eduardo Sangenetto | FogãoNET.

No dia 9 de dezembro de 2019, visando fortalecer o futebol com uma estratégia vitoriosa, foi decidido criar o Comitê Executivo de Futebol, composto por seis membros, no qual pontificava Carlos Augusto Montenegro, ex-presidente que influenciou profundamente eleições e decisões nos últimos 35 anos, e que Durcesio Mello, amigo de Montenegro desde a infância, o classificou como “o maior botafoguense da história” (sic), ignorando as dimensões maiores de formidáveis botafoguenses como Paulo Antônio Azeredo, Carlos Martins da Rocha (‘Carlito’), Adhemar Bebianno, Sergio Darcy e tantos outros dirigentes de grande nobreza.

Foi esse Comitê que montou o elenco protagonista da mais trágica participação do Botafogo no Campeonato Brasileiro de futebol no ano de 2020. Montenegro, face mais visível desse grupo, envolveu-se em várias polêmicas e conviveu com o profundo desagrado da torcida botafoguense que o considerou um dos principais responsáveis pela dramática campanha repleta de equívocos e erros de gestão desportiva.

Em outubro de 2020, em plena crise, quando já se avistava a 3ª descida do futebol à Série B, Montenegro decidiu afastar-se dos holofotes, sendo anunciado que o próprio e Manoel Renha sairiam do Comitê no dia 30 de novembro, enquanto Ricardo Rotenberg, Claudio Good e Marco Agostini (este substituíra o vice-presidente do Clube Carlos Eduardo Pereira, no início de 2020) sairiam em 31 de dezembro, mesma data do fim da presidência de Nelson Mufarrej, também pertencente ao Comitê – extinguindo-se esse órgão já depois da descida oficial do futebol botafoguense para a Série B.

A desorientação do Comitê Executivo do Futebol foi tão elevada que entre 1º de janeiro de 2020 até à despromoção para a Série B (25.02.2021) o Botafogo contratou 6 treinadores – Alberto Valentim, Paulo Autuori, Bruno Lazaroni, Ramón Díaz, Eduardo Barroca e Marcelo Chamusca (neste caso para começar de raiz na Série B).

Nesse trágico Campeonato Brasileiro de 2020 o colossal desastre do Botafogo saldou-se na classificação geral pelo 20º e último lugar com 5V, 12E, 21D, aproveitamento de 23.7%, e um saldo negativo de 30 gols (32 a favor e 62 contra).

No dia 25 de fevereiro de 2021 o Botafogo encerrou o Brasileirão de 2020 (campeonato prorrogado para 2021 devido à pandemia COVID-19) com uma triste derrota por 2x1 frente ao Ceará, na Arena Castelão, cuja equipe, comandada por Lúcio Flávio, formou com Diego Loureiro; Kevin, Marcelo Benevenuto, Sousa e Hugo; Kayque (Wendel) e Luiz Otávio (Lecaros); Warley (Davi Araújo), Cesinha (Matheus Nascimento) e Ênio; Matheus Babi (Rafael Navarro).

Os títulos continentais de 2019 no basquete e no pólo aquático, conquistados no espaço de uma semana. Fonte: Reprodução | Montagem do Mundo Botafogo.

As demais modalidades desportivas acompanharam o desastre, tendo o basquete, que se sagrara Campeão da Liga Sul-americana de Basquetebol em 2019, sido prejudicado nas suas finanças – que eram baseadas em participações exteriores especificamente orientadas para o basquete – e a equipe de basquete desmoronou-se.

Campanha completa do basquete em https://mundobotafogo.blogspot.com/2019/12/botafogo-e-campeao-da-liga-sul.html

O polo aquático, que era tetracampeão Sul-americano em 2016-2017-2018-2019 não competiu em 2020 por falta de verbas para deslocações.

Campanha completa do polo aquático em  https://mundobotafogo.blogspot.com/2019/12/botafogo-tetracampeao-sul-americano-de.html

O remo sobreviveu à custa do extraordinário e devotado técnico Paulinho, que juntamente com os remadores que ficaram, lutaram por todos os meios para se manterem à tona e, apesar do enormes contratempos, conseguirem segurar-se como o segundo clube mais importante do país no remo.

É bem provável que se o Remo não fosse obrigatório por estatuto também seria desmembrado, ou extinto, como viria a ocorrer com outras modalidades desportivas em 2021, já sob a presidência de Durcesio Mello, o amigo de infância de Montenegro, que em 24 de novembro de 2020 venceu as eleições do Botafogo para o quadriênio 2021-2024.

Fontes principais: interativos.ge.globo.com; mundobotafogo.blogspot.com; www.fogaonet.com.

Sem comentários:

Copa do Mundo de 1978: consagração de Kempes, pressão da ditadura, manobras várias e goleada suspeita

Cartaz da Copa do Mundo de 1978. Crédito: Reprodução. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo A Copa do Mundo de 1978 realizou-se na Ar...