por RUY MOURA | Editor
do Mundo Botafogo
Por onde começar num jogo de equívocos
colossais que parecem anunciar o ‘dobrar dos sinos’ para uma sequência de 12
jogos em dois meses?
Estamos perante uma equipe que não tem
goleiro nem atacantes há largo tempo e, de repente, sem treinador. Todavia,
John Textor não providenciou a contratação de um goleiro (Neto, Léo Linck e
Raul são manifestamente muito fracos); não providenciou uma dupla de atacantes
capazes que pudessem substituir as inacreditáveis insuficiências de Matheus
Martins e da múmia Arthur Cabral, que custaram mais de 20 M€ (e não é Júnior
Santos fora de forma que resolverá o problema); não providenciou um treinador
em substituição daquele que despediu (e Rodrigo Bellão ainda não está em
condições de assumir uma equipe principal).
Acresce que a defesa foi desarticulada por
Martín Anselmi e tanto a zaga quanto os laterais já não sabem o que fazer e
estão desfasados do tempo de marcação e de recomposição quando o Botafogo
ataca. Quanto ao meio-campo, com tantos improvisos de Anselmi, descaracterizou-se.
Rodrigo Bellão é defensor da posse de bola e
tentou desenhar um modelo de jogo, sem sucesso. É minha opinião, conforme já escrevi,
que Bellão pode vir a ser um bom treinador, mas que ainda não amadureceu tecnicamente
para assumir um plantel principal e permaneço com dúvidas sobre a sua capacidade
de liderança de homens já feitos – que exigem uma liderança diferente dos atletas
das equipes de base.
O homem-mor que deveria articular o que
desarticulou devido a ser uma espécie de cata-vento nas contraditórias ideias
que toma, continua passeando pelo mundo ao mesmo tempo que centraliza as decisões
e, simultaneamente, sem montar um departamento de futebol com profissionais à
altura das exigências do Clube que há pouco mais de um ano foi campeão
sul-americano e brasileiro – travando assim o tempo útil para as decisões.
Quanto ao jogo, o inenarrável Matheus Martins
perdeu um gol logo aos 2’ de jogo, não conseguindo sequer que o remate fosse enquadrado
com a baliza. O Athletico falhou, mas o Botafogo não aproveitou. Na resposta do
Athletico, Montoro perdeu a bola, Barboza falhou, Raul deixou a bola passar sob
o corpo e o Athletico aproveitou para inaugurar o marcador num contra-ataque
veloz. E aos 6’ não ocorreu o 2x0 por mero acaso.
Enquanto o Athletico imprimia velocidade nas suas
ações com bolas em profundidade, o Botafogo rendilhava uma imitação de
tiki-taka, mas sem nenhuma eficácia, nem sequer perigo para a baliza
adversária, já que Matheus Martins e Arthur Cabral simplesmente omitiam-se no
ataque – e fora o remate de MM aos 2’, nada mais produziram.
O Botafogo rendilhava e o Athletico simplesmente
esperava pelos nossos erros. Dada a lentidão do nosso meio-campo, foram sendo
tentados lançamentos em profundidade, mas sempre sem precisão e sem atacantes
que dominassem a bola.
E assim foi decorrendo a partida: o Botafogo
com posse de bola inócua; o Athletico marcando bem e recuado à espreita do
contra-ataque letal.
Ao 42’ a sorte favoreceu-nos: Alex Telles cobrou
mal um escanteio rasteiro, mas a bola escapuliu dos pés de um zagueiro, o
goleiro conseguiu espalmar no susto, mas Edenilson, já quase no chão, conseguiu
empatar a partida.
Bafejados pela sorte, os nossos atletas, como
se fossem rapazes de uma pelada, entusiasmaram-se com o empate, atacaram
novamente sem cuidar de proteger a defesa e aos 45+3’, com a nossa defesa
incapaz de se recompor rapidamente, o Athletico executou um lançamento longo e
preciso para a ala direita onde Alex Telles não estava, o centro saiu rasteiro,
Bastos fez mal a cobertura na área e o atacante apenas empurrou para o fundo da
baliza para o Athletico retomar a liderança do placar.
E para repetir a entrada da 1ª parte, o Athletico
ampliou logo no início da 2ª: em jogada ensaiada numa cobrança de falta, a zaga
botafoguense – feita peneira de principiante – foi ludibriada pela maior
maturidade do adversário e a nossa derrota foi praticamente sacramentada.
As múmias da frente continuaram a sua
improdutividade, o meio-campo rendilhava sem capacidade de produção efetiva e
atrás a marcação era um deserto de eficiência. O Athletico permaneceu, então,
tranquilo a gerir a partida e ainda conseguiu, aos 81’, estabelecer a goleada
através da cobrança de falta: a bola foi pelo alto em diagonal e Raul lançou-se atrasado e mal colocado, tomando novo gol da sua inteira responsabilidade.
E assim foi um jogo simples do Athletico
ganhar com poupança de energias e goleada com olé. Mais uma vergonha…
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x4 Athletico
» Gols: Edenílson, aos 42’ (Botafogo); Viveros, ao 3’ e
45+3’, Aguirre, aos 49’, e Esquivel, aos 81’ (Athletico)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 29.03.2026
» Local: Arena da Baixada, em Coritiba (PR)
» Público: 21.967 pagantes; 22.625 espectadores
» Renda: R$ 864.995,00
» Árbitro: Paulo Cesar Zanovelli da Silva (MG); Assistentes:
Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Celso Luiz da Silva (MG); VAR: Marco
Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
» Disciplina: cartão amarelo – Cristian Medina, Alexander
Barboza e Júnior Santos (Botafogo) e Luiz Gustavo e Arthur Dias (Athletico)
» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Alexander Barboza e
Alex Telles; Edenílson (Jordan Barrera), Cristian Medina e Álvaro Montoro;
Santi Rodríguez (Júnior Santos), Arthur Cabral (Nathan Fernandes) e Matheus
Martins (Lucas Villalba). Técnico: Rodrigo Bellão.
» Athletico: Santos, Benavidez, Aguirre, Arthur Dias
(Terán) e Esquivel; Luiz Gustavo, Jadson e Dudu (Portilla); Mendoza (Léo Derik),
Viveros (Renan Peixoto) e Julimar (Zapelli). Técnico: Odair Hellmann.

6 comentários:
Caro e competente articulista e comentarista você escreveu no quinto parágrafo tudo aquilo que eu procurava como definição para a administração do Textor depois do "bicampeonato" simultâneo. Resume o desastre. A briga é para não cair.
José Vanilson, não espero rigorosamente nenhuma conquista do futebol profissional em 2026, mas espero que, pelo menos, o Clube não baixe do 12º lugar para não termos que assistir "a briga para não cair".
Abraços Gloriosos.
É mais fácil se destruir em pouco tempo um time de futebol o que foi construído do que corrigir erros e vícios em um período curto, na verdade muitas vezes não há saída. O que se viu ontem foi na minha visão, um time completamente perdido nos erros e vícios do treinador anterior, e pior, um time sem alma e com jogadores que deveriam ser impedidos de vestir a camisa do Botafogo, em especial Artur Cabral. Um lance que ilustra a completa falta de condições de ser atacante do time. Esse lance foi no segundo tempo: Montoro da um passe magnífico de trivela e coloca o Artur Cabral a feição para concluir a gol, porém, parecendo um pato manco, o Cabral não consegue dominar a bola. A minha indignação nesse lance foi tão grande que ao proferir desaforos quase tenho sérios problemas com minha esposa.
Vou repetir: o Botafogo não tem um time de futebol, mas um bando desorientado dentro de campo. Defesa "peneira", que não faz muito tempo era uma das melhores do país. Meio campo? O Botafogo tem meio campo, se tem, precisar treinar, pois sem o Danilo, o único jogador lúcido que parece que temos no momento, esse seguro simplesmente sucumbe. Ataque? Mateus Martins e Artur Cabral seriam escorraçados da minha pelada, tal a inoperância e a falta de qualidade. Já nem consigo contabilizar o número de gols relativamente simples que ele perdeu. Cabral? Ex jogador, não serve nem para pelada de casados X solteiros.
E o ponto mais irritante: café o dono da SAF? Reconstruiu o clube em 3 anos e destruiu em menos de 2 anos, e parece que afundado em uma administração caótica e suspeita abandonou o clube.
E o que dizer do Rodrigo Bellão, que tem feito um belo trabalho na base e de repente é jogado as feras. Achei isso revoltante com um profissional que tem tudo para se tornar um bom treinador, mas que as circunstâncias atuais vão acabar queimando a largado. Espero que não, ele é o menos culpado nessa situação.
Às vezes eu acho que o Botafogo é um clube amaldiçoado, embora não acredite nisso, porque as coisas que tem acontecido ao longo de décadas parecem ser inacreditáveis. Quando da venda de General Severiano, me lembro sempre das palavras do Carlito Rocha: " não vendam a sede, vocês vão acabar com o clube". O clube não acabou, mas se tornou um clube irrelevante, contrariando a sua história. Abs e SB!
Sergio, passe o exagero da comparação, eu comparo o que ele fez ao Botafogo como tendo insuflado um poderoso doping na equipa e quando passou o efeito nem equer fez medicação alternativa, deixando a equipe de rastos entregue a si própria.
A equipe tem elementos de qualidade, mas é tão desequilibrada que não consegue articular fio de jogo. Por exemplo, goleiros e atacantes inexistem no Botafogo; temos zagueiros que neste momento nem sequer nem podem jogar - restam dois laterais (Marçal e Alex Telles, apesar das idades), volantes e meio-campistas que bem orientados podem salvar a "honra do convento".
Sobre o Rodrigo Bellão: já escrevei que tem potencial e até elaborei e publiquei a sua biografia, mas ainda tenho sérias dúvidas sobre a sua capacidade de liderança de adultos. Trata os atletas da base por... 'filhos'. Isso é simples liderança paternalista. É um pouco ridículo, não? Para gerir adultos tem que mudar o disco da conversa para posturas assertivas e não paternalistas.
O nosso Clube foi sempre assim: de 30 em 30 anos acorda, e depois adormece com as baterias descarregadas por um bom tempo.
Abraços Gloriosos.
O negócio anda tão feio que clubes que tinham os resultados desfavorável contra o Botafogo, em número de vitórias, muitos fora do eixo Rio-São Paulo, reverteram este quadro, ao menos de 2000 para cá e talvez antes, conforme cada caso, xe acordos com os retrospectos e históricos sempre divulgados pelo editor do MB. Observação do leitor, torcedor e repórter!
Desde o início do século, com 3 descidas de divisão, os números são desfavoráveis na maioria dos casos. A chegada de JT deveria ter sido de recuperação, mas caminha para a 'perdição'.
Abraços Gloriosos.
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