por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Falando com sinceridade, este jogo valeu apenas pelos
três pontos conquistados e pela exibição de Raul, embora neste caso, apesar de
ter sido o melhor em campo, ainda precisa convencer através de uma sequência de jogos com diferentes equipes, e não apenas diante de uma equipe que
juntamente com o Internacional tem o pior ataque e os seus atletas – tal como
os nossos – são exímios em pecar na definição para gol.
À boa maneira de Anselmi tivemos uma equipe teoricamente
agressiva no ataque e o primeiro sinal foi entusiasmante: Joaquín Correa entrou
na grande área pela ala esquerda, após um bom passe de Montoro, e quando se
preparava para rematar foi derrubado. Como habitualmente o árbitro não assinalou
coisa alguma, mas desta vez o VAR chamou-o para visionar o lance e então assinalou
o pênalti – validado cinco minutos depois de ter ocorrido.
Alex Telles cobrou o penâlti novamente como mandam as
regras – goleiro para um lado, bola para o outro. Com quem é que este homem
aprendeu a cobrar pênaltis com tanta eficácia?
Botafogo 1x0 no primeiro lance perigoso, mas o placar
rapidamente se mostrou enganador com o Bragantino tomando as rédeas do jogo
numa correria à moda do fraco Mancini. No entanto, funcionou.
Com três meias ofensivos e com Danilo a volante,
sabendo-se que marca mal os adversários, o sistema defensivo mostrou-se
novamente permeável logo que o Bragantino reagiu.
Aos 11’ Raul defendeu no susto um cabeceio de Lucas
Barbosa completamente livre à boca da baliza após um cruzamento da esquerda –
que foi por onde o Bragantino quase sempre atacou, sabendo das deficiências
defensivas nessa ala; aos 13’30” a defesa alvinegra escancarou a entrada da
área e valeu novamente Raul, que espalmou para escanteio um tiraço do
Bragantino; e à terceira foi de vez à custa da peneira defensiva do Botafogo
que deixou novamente Lucas Barbosa totalmente isolado frente a frente a Raul,
tocando facilmente para um canto e empatando a partida apenas sete minutos após
a abertura do placar.
Daí em diante o Botafogo teve um único lampejo na 1ª
parte do jogo – Álvaro Montoro disparou um remate de surpresa aos 18’ e a bola
embateu na base do poste da baliza.
O Bragantino continuou a correria, os passes perdidos por
ambos os lados imperavam e a defesa alvinegra parecia a confusão da Torre de
Babel, marcando mal, perdendo as segundas bolas e dando todas as chances para o
Bragantino virar o resultado – e virou logo aos 21’. Um contra-ataque rápido, a
defesa muito alta mostrou-se uma vez mais desprevenida e a virada de placar
aconteceu, com os gols convertidos em espaços de 7 em 7 minutos.
E só mesmo a sorte nos salvou: o VAR considerou que um
atleta do Bragantino barrou Alex Telles, impedindo-o de correr atrás do atleta
que recebeu a bola e o gol foi anulado.
Com as marcações do Botafogo continuando a deixar o
Bragantino livre no ataque, aos 25’ foi novamente Raul que saiu à bola e in extremis salvou-nos da virada do
Bragantino.
A toada de jogo manteve-se com a frágil defesa do
Botafogo disputando com o frágil ataque do Bragantino quem conseguia errar mais,
bem como se constatou, por demais evidente, a inoperância de Matheus Martins (boa
oportunidade desperdiçada já nos acréscimos) e do regressado Júnior Santos – e
assim se foi chegando ao intervalo de um jogo tecnicamente muito devedor.
As substituições ao intervalo (Vitinho e Villalba) e posteriormente
a entrada de Allan melhoraram o meio-campo e o confronto entre as duas equipes
tendeu para o equilíbrio. Todavia, foi um equilíbrio qualitativamente pouco
interessante, e somente aos 70’ aconteceu algo realmente relevante – o gol do
Botafogo em jogada já clássica da equipe.
O Botafogo ganhou um escanteio, Danilo cobrou e Alexander
Barboza cabeceou à medida para desempatar e estabelecer o placar final.
Botafogo 2x1.
A partir daí, e especialmente nos últimos minutos, o
Bragantino criou duas chances na defesa-peneira do Botafogo que deixou
novamente os atacantes sem marcação, as quais só Raul conseguiu resolver
novamente com presença de espírito em duas grandes defesas aos 88’ e 91’.
Finalmente, aos 94’, Correa desperdiçou escandalosamente
um gol em que bastava um toque subtil para desviar a bola do goleiro, em vez de
a ter conduzido até à figura de Cleiton.
Será que os atacantes e meias ofensivos não fazem revisão dos jogos para corrigirem as deficiências notórias do último passe e do remate final?
Em suma, uma defesa peneira em que Raul salvou o Botafogo
da derrota pelo menos em cinco ocasiões e o ataque do Botafogo se mostrou novamente
inoperante mesmo perante uma escalação muito ofensiva que desequilibra a defesa,
necessitando mais uma vez que fossem os defensores a marcar os gols que os
atacantes não conseguem / não sabem fazer.
Esta vitória não pode encobrir o essencial: a equipe
permanece sem fio de jogo, superiormente desorganizada na defesa e
inferiormente produtiva no ataque.
Se nem contra o modesto Bragantino Martín Amselmi consegue estabelecer um fio de jogo coerente, equilibrado e persistente, urge a sua saída e a contratação de um
treinador com provas dadas que assegure, à partida, uma nova esperança, porque a
equipe dispõe de jogadores com valor suficiente para fazerem muito melhor com um
treinador que seja capaz de montar uma identidade coletiva consistente e imprimir
uma dinâmica de jogo baseada nas características do jogadores – sem improvisos
nem obsessões em esquemas táticos desajustados à realidade do plantel.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 2x1 Bragantino
» Gols: Alex Telles, aos 7’ (pen.), e Alexander Barboza, aos 70’
(Botafogo); Lucas Barbosa, aos 14’ (Bragantino)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 21.03.2026
» Local: Estádio Cícero de Souza Marques, em São Paulo
(SP)
» Árbitro: Lucas Casagrande (PR); Assistentes: Victor
Hugo Imazu dos Santos (PR) e Andrey Luiz de Freitas (PR); VAR: Daniel Nobre
Bins (RS)
» Disciplina: cartão amarelo – Santi Rodríguez, Matheus Martins e Edenílson
(Botafogo) e Juninho Capixaba e Alix Vinícius (Bragantino)
» Botafogo: Raul; Mateo Ponte, Ferraresi (Justino), Alexander Barboza e Alex Telles (Vitinho); Danilo,
Santi Rodríguez (Allan), Álvaro Montoro e Matheus Martins (Edenílson); Joaquín
Correa e Júnior Santos (Lucas Villalba). Técnico: Martín Anselmi.
» Bragantino: Cleiton; Andrés Hurtado, Alix Vinícius, Gustavo Marques e Juninho Capixaba;
Gabriel (Davi Gomes), Matheus Fernandes (Nacho Sosa) e Rodriguinho
(Gustavinho); Lucas Barbosa, Eduardo Sasha (Pitta) e Henry Mosquera (José
Herrera). Técnico: Vagner Mancini.

2 comentários:
Atuação horrorosa e confusa do time, só valeu mesmo pela vitória e a atuação do Raul. Uma pergunta simples: tinha algum sistema de jogo no time do Botafogo ontem?
Em 3 meses de trabalho, em pouquíssimos momentos consegui perceber algo de que o time poderia evoluir, e o mais grave, vários jogadores sendo mal utilizados, outros pouco utilizados , o que naturalmente afetou no rendimento desses jogadores. Montoro é um desses, que me parece completamente perdido sem saber qual é sua função. E o que falar da defesa, defesa- peneira devidamente nomeado pelo nosso Ruy Moura.
A defesa é um completo desespero para nós torcedores, falham em todos os fundamentos. E o que dizer do setor de criação. O melhor jogador do time, o Danilo, ontem foi colocado numa função que simplesmente tirou a possibilidade de criação.
Mas no momento em que escrevo essas linhas, recebo a notícia que o Martins Anselmi foi demitido. Considero uma decisão bastante coerente em função do péssimo desempenho da equipe depois de 3 meses, mas agora fica a pergunta: quem será que vai assumir o time do Botafogo? Aguardemos os próximos capítulos dessa nova novela, pois do jeito que o Textor é, será que o treinador virá antes do final do semestre? Abs e SB!
Absolutamente de acordo, Sergio! O que melhorou em três meses? Eu respondo: vários aspetos pioraram e eu gostava muito de saber como é que tantos jogadores colocados a jogar fora das suas posições podem respaldar Anselmi considerando-o um bom treinador. Será que a mioleira de alguns jogadores foi tomada de assalto por algum vírus anti-futebolístico? - É de bradar aos céus esse respaldo!
Tenho a certeza que muitos do nossos torcedores de arquibancada teriam feito melhor do que ele - porque é realmente fácil ser melhor que o sistema tático de bando implantado pelo Anselmi e que corrompeu todo os fundamentos básico do futebol.
O que Anselmi tem feito no Botafogo deixa saudades até do Eduardo Barroca...
Acredito, tal como já mencionei em análise anterior, que o Rodrigo Bellão, apesar de ser muito cedo para assumir a titularidade de um cargo de treinador principal, poderá fazer uma boa transição para a nova comissão técnica. Pelo menos que não invente e recoloque no lugar devido todos os atletas atualmente deslocados para funções que não sabem executar... e, já agora, dar um mínimo padrão de jogo que Anselmi nunca conseguiu.
Abraços Gloriosos.
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