por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
O Botafogo deve ser o único clube do mundo que tendo Acionista
maioritário, treinador, centroavante e goleiro, consegue jogar (muito mal,
claro) sem Acionista maioritário, sem treinador, sem centroavante e sem goleiro.
O Acionista maioritário tem-se mostrado um nômada do
futebol e incapaz de gerir um barco à reviva no qual não instalou bússola; o
treinador é um trapalhão sem ideias que tem insistido num esquema inadequado
aos atletas e que os escala em posições improvisadas nas quais não conseguem
desenvolver o seu melhor futebol; os centroavantes são, um, uma nulidade de 15M€,
outro, bem próximo de uma nulidade de 10M€; após a venda de John os goleiros já
falharam todos, e contra o Flamengo foi finalmente a vez de Raul mostrar-se sem
reflexos de bom goleiro.
O Mundo Botafogo apontou, na rubrica ‘mercado de contratações’
para os eventuais problemas a considerar especialmente nos casos de Anselmi,
Neto e Arthur Cabral, que são tês peças fundamentais – goleiro para evitar
gols, centroavante para marcar gols, treinador para comandar o coletivo.
Particularmente no caso de Anselmi é espantosa a inércia
de John Textor, quando por muito menos demitiu Bruno Lage e Renato Paiva e
deixou sair Luís Castro e Artur Jorge sem um único esforço para permanecerem.
O ‘muito menos’ é objetivo: em 16 jogos Anselmi venceu
6,empatou 2 e perdeu 8 – mísero 41,7% de aproveitamento. Pior do que isso é que
Anselmi defrontou equipes ‘grandes’ 7 vezes e perdeu 6, o que significa que,
fora o Cruzeiro de Tite, logo demitido, Anselmi só venceu contra equipes modestas
e perdeu todos os clássicos cariocas.
E o tal futebol de “ataque, ataque, ataque”, anunciado por
Textor e Anselmi, mostra um saldo de gols de 19-18 no 16 jogos, isto é,
praticamente o mesmo número de gols marcados e sofridos (19-18) e uma ‘veia
goleadora’ de 1,18 gols por partida.
Do Botafogo Renascido durante três anos de boa gestão,
Textor derivou para uma gestão financeira e de transferências (de saídas e
entradas) que nos está a legar um Botafogo Ruinoso e, provavelmente, um novo
transferban no horizonte que nos pode asfixiar por muito tempo.
Contra o Flamengo o treinador efetuou alterações de
última hora no esquema tático, tornou a improvisar atletas e falhou ao longo de
toda a partida. Anselmi declarou, em coletiva, que “quando o time perde, o
técnico é burro; hoje sou um burro.” Consequentemente, Anselmi assumiu a sua ‘burrice’
em metade dos jogos que disputou.
Será isso suficiente para John Textor o demitir e nomear
interinamente Rodrigo Bellão ou insistirá numa solução sem soluções?
Do jogo em si há que dizer que o Botafogo apresentou-se positivamente
nos minutos iniciais, mas durou 10 minutos apenas. Tinha posse de bola, mas o
Flamengo era mais objetivo, esperava a oportunidade bem à moda de Leonardo
Jardim e, aos 12’, inaugurou o marcador depois de a bola desviar em Bastos e ir
para o fundo das redes.
Tranquilamente o Flamengo deixou a posse de bola para o
Botafogo, controlando o seu adversário para que a posse de bola fosse inócua. E
foi. Anselmi ainda não percebeu que com o seu esquema tático a sua ideia
fantasista de “ataque, ataque, ataque” com posse de bola fútil não se adequa à equipe
no contexto atual. A solução real seria montar uma defesa muito segura, dar a
posse de bola aos adversários mais fortes e atacar na certa em transições rápidos
– foi assim que Castro nos levou à liderança disparada do Brasileirão em 2023;
foi assim que o Barcelona nos eliminou da Libertadores com menos de 20% de
posse de bola.
Até que aos 45+1’, Alexander Barboza, que namora
permanentemente o cartão amarelo na fronteira do cartão vermelho, foi mais uma
vez ultrapassado como último homem, agarrou Pedro, foi marcada falta à entrada
da área e consequentemente expulsão de Barboza, que ainda assim, nervoso
durante a partida e descontroladamente exaltado, reclamou ostensivamente com o
árbitro já depois da expulsão, tê-lo-á ofendido e provavelmente agravará a sua
expulsão, que talvez possa ser um bem, já que Barboza joga cada vez menos,
exalta-se cada vez mais comprometendo a equipe e parece que não querer mesmo
renovar o contrato – e o Botafogo não sentirá a falta de quem não quer estar no
Clube.
A cobrança de falta deu gol, com Raul mal posicionado a
saltar atrasado para a bola – intervalo com 0x2 no placar e um homem a menos.
Na 2ª parte o Flamengo selou o placar aos 48’ perante
falha da zaga, que não conseguiu acompanhar os atacantes do Flamengo. Se no 1º
tempo o Botafogo teve a posse de bola sem resultado, no 2º tempo foi o
rubro-negro que com o placar muito favorável geriu o resto da partida com
Anselmi sem soluções.
Resultado justo para o caso concreto de um técnico sem
ideias realistas e incapaz de entender o atual contexto do nosso futebol e dos
jogos em si.
Em suma, Bellão como o interino é uma solução rápida e de
curto prazo. Embora só tenha treinado equipes de base, cujos jogadores o tratam
como se fosse um pai e Bellão os trata por ‘filho’, o que não pode, ou não
deve, acontecer numa equipe profissional, é bem verdade que Bellão tem mais deias
do que o oásis de ideias de Anselmi – e transitoriamente pode ser a melhor solução.
Porque o Botafogo precisa de uma solução rápida e radical
para não ficar fora do mapa.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x3 Flamengo
» Gols: Samuel Lino 12’/1ºT (0-1),
Léo Pereira 46’/1ºT (0-2) e Pedro 3’/2ºT (0-3)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 14.03.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 14.789 pagantes; 16.176 espectadores
» Renda: R$ 628.290,00
» Árbitro: Anderson Daronco (RS); Assistentes:
Rafael da Silva Alves (RS) e
Brígida Cirilo Ferreira (AL);
Var: Rodrigo D’Alonso Ferreira (/SC)
» Disciplina –
cartão amarelo – Alexander Barboza,
Allan, Arthur Cabral e Martín Anselmi – técnico (Botafogo) e Pulgar e Jorginho
(Flamengo); cartão vermelho – Alexander Barboza (Botafogo)
» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Alexander Barboza e Alex Telles; Allan
(Newton), Cristian Medina e Danilo (Edenílson); Jordan Barrera (Mateo Ponte),
Matheus Martins (Ferraresi) e Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Martín
Anselmi.
» Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira
(Vitão) e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Evertton Araújo), Jorginho (Luiz
Araújo) e Lucas Paquetá; Carrascal (Plata), Samuel Lino e Pedro. Técnico:
Leonardo Jardim.

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