por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Num jogo de resultado previsível face às duas campanhas
dos dois oponentes, o Botafogo começou ao ataque. E se não fosse a absoluta
inabilidade de Matheus Martins, que perdeu um gol sozinho frente ao goleiro,
chutando incrivelmente para fora com a baliza aberta à sua frente, teríamos
inaugurado o marcador aos 2’.
A estratégia parecia ser a de marcar logo de início e depois
cozinhar o jogo em contra-ataques, mas a desorganização em que se encontra a
equipe facilitou que na primeira avançada perigosa do Palmeiras o esquema
defensivo estivesse completamente desarticulado, sem marcação aos adversários, que
se apresentaram no miolo da grande área e Allan rematou facilmente para o fundo
das redes alvinegras aos 8’.
O Botafogo acusou o gol, o Palmeiras passou a dominar o
jogo com se o segundo gol fosse uma questão de tempo, mas a eficácia não esteve
ao lado do ataque paulista. Por outro lado, a arbitragem favorecia o Palmeiras
nas faltas inexistentes que marcava a seu favor ao mesmo tempo que não marcava
as faltas existentes a favor do Botafogo.
Aos 40’ a benevolência do árbitro a favor do Palmeiras clarificou-se
totalmente: Matheus Martins foi derrubado aparentemente dentro da grande área
adversária e o árbitro não apitou pênalti. Se tivesse apitado o VAR confirmaria
que a falta ocorrera fora a poucos centímetros da grande área e Matheus Martins
é que já caíra dentro da grande área. Mas claramente o árbitro não assinalou a
falta porque a percepção é que seria pênalti.
E logo depois, ao final da 1ª parte, Cristian Medina,
temerário, derrubou o atacante do Palmeiras na ala direita e era o último homem.
Todavia, a baliza estava longe e outros alvinegros corriam para a grande área,
o que significa que a iminência de gol não existia. O árbitro preparava-se para
mostrar corretamente o cartão amarelo, mas deixou-se rodear de palmeirenses,
acabou por aceitar a pressão, expulsou Medina e o VAR não teve coragem de desdizer
a decisão do árbitro.
O 2º tempo iniciou-se, então, com o placar desfavorável e
menos um jogador alvinegro em campo. Do modo como o Botafogo (não) jogava
esperar-se-ia um massacre. No entanto, o Botafogo atacou, o árbitro ignorou
duas faltas sucessivas dos paulistas e nem o cartão amarelo exibiu.
Todavia, o Botafogo atacou sem a articulação e harmonia
exigidas a uma equipe bem organizada, com fez na final da Copa Libertadores de
2024, atacou e desguarneceu a defesa, e aos 52’, numa perda de bola do nosso
sistema defensivo, Arias fez o que quis dos zagueiros e rematou para a baliza, a
bola passou por entre as mãos de Raul e o placar aumentou para 2x0. Mas ainda
não contrataram goleiro…
Com o Botafogo sem esquema tático, sem ideias e sem
dinâmica coletiva, o Palmeiras começou trocando a bola tranquilamente crente
que o 3º gol seria uma questão de tempo. Até o ‘nervosinho’ Abel estava também tranquilamente
sentado no banco do Palmeiras.
No entanto, numa das poucas jogadas com passes rápidos do
Botafogo no meio campo adversário, Danilo foi por ali afora, driblou dois, a
bola bateu na zaga e sobrou novamente para si que, com classe, diminuiu o
placar com um gol aos 52’ devido, sobretudo, à sua arte individual e presença
de espírito dentro da grande área rodeado de palmeirenses.
Incrivelmente, o Palmeiras sentiu o gol. E se não jogara
muito até ali – vencendo mais por demérito botafoguense do que pelo seu mérito –,
acabou por sofrer ataques do Botafogo, mais na garra do que na técnica, houve
momentos em que esteve realmente encurralado, o gol de empate poderia ter
saído, mas os nossos artistas estão menorizados em algumas das suas qualidades
pela constante rotatividade de posições que o técnico os faz assumir e o gol
não apareceu – sobretudo porque, ao atacar, as decisões tomadas pelos jogadores
são normalmente erradas, chutando à baliza quando deviam dar o passe para um
companheiro melhor colocado ou ao invés fazendo o passe em vez de rematar à
baliza.
Na verdade, poderia ter aparecido o 3x1, porque à medida
que o Botafogo atacava, desguarnecia a defesa e o Palmeiras poderia ter marcado
em duas ou três ocasiões, todas perdidas porque também não era dia de brilho
para os paulistas – aos 65’ foi flagrantíssimo o desperdício dos paulistas
quando a nossa zaga se afastou e abriu completamente a entrada da grande área ao
adversário, que rematou inacreditavelmente para fora. E logo depois, face à
nossa defesa amanteigada, nova oportunidade desperdiçada pelo Palmeiras.
Vendo o Palmeiras preocupado, e com Abel já de pé à beira
do gramado, o Botafogo apertou o Palmeiras a partir dos 70’ e as substituições
que o técnico efetuou, embora temerárias por substituição da dupla de
zagueiros, surtiram efeito devido à ineficácia paulista e ao seu pouco volume
de jogo na 2ª parte, mas também por virtude de uma certa coragem dos jogadores
numa lógica de que perder por 2x1 ou 3x1 seria igual.
Porém, as nossas deficiências técnicas foram
insuficientes para mudar o placar e o Palmeiras salvou-se do empate por entre os
‘intervalos da chuva’, seja pela nossa ineficácia, seja porque as arbitragens
andam muito ‘verdes’…
Pode-se dizer que nada mudou na desorganização da equipe
do Botafogo, a não ser a coragem de atacar na 2ª parte em busca do empate, mas
na verdade jogou-se na base da ‘raça’ e do individualismo.
O que se vê em campo, além da desorganização, é a
anulação das potencialidades, por exemplo, de Álvaro Montoro e Jordan Barrera,
que à custa de jogarem fora das suas posições e sem liberdade de ação, estão
sendo ‘queimados’ pelo treinador. Por outro lado, há atletas – não apenas os
que têm vindo da base – que evidenciam progresso zero, o que significa que o
técnico não os analisa bem e não os apoio no desenvolvimento das suas
capacidades.
Em suma, eu diria que o sistema tático tem sido incapaz
de se articular, e ao não se articular produz sucessivas disfunções entre a
defesa, o meio e o ataque; a equipe marca mal os adversários e também não consegue
manter intensidade e pressionar o oponente com consistência; alguns jogadores
que já atuaram melhor estão caindo de produção porque são relegados a posições
nas quais rendem muito pouco e comentem erros crassos; finalmente, o técnico não
é claramente um tutor de potenciação das faculdades que certos jogadores poderiam
desenvolver – entre os quais os vindos da base – e consequentemente não os leva
a alcançar o máximo do seu rendimento.
Se em minha opinião, como mencionei em análise anterior,
o debate do ano deve incidir sobre o futuro da SAF, não vale a pena continuar a
debater-se a situação do técnico – pode ter sido bom analista e bom narrador no
início da carreira profissional, mas não está suficientemente preparado para
combates como comandante de grandes clubes em busca de títulos.
E é uma opinião respaldada em realidades: eliminado da Copa
Libertadores em casa por uma equipe tecnicamente muito inferior à nossa; e atualmente
no Z4 com 20% de aproveitamento!
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x2 Palmeiras
» Gols: Danilo, aos 59’
(Botafogo); Allan, aos 8’, e Arias, aos 52’ (Palmeiras)
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 18.03.2026
» Local: Allianz Parque, em São
Paulo (P)
» Árbitro: Rafael Rodrigo Klein (RS);
Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Michael
Stanislau (RS); VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
» Disciplina: cartão amarelo – Marçal, Joaquín Correa e Lucas Villalba (Botafogo) e
Sosa (Palmeiras); cartão
vermelho – Cristian Medina (Botafogo)
» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos (Artur), Ferraresi (Justino) e Alex Telles; Álvaro
Montoro, Cristian Medina, Danilo e Jordan Barrera (Lucas Villalba); Júnior
Santos (Santi Rodríguez) e Matheus Martins (Joaquín Correa). Técnico: Pablo de
Muner.
» Palmeiras: Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Murilo e Arthur; Marlon Freitas,
Andreas Pereira (Lucas Evangelista), Maurício (Sosa) e Jhon Arias (Larson);
Allan (Felipe Anderson) e Flaco López (Vítor Roque). Técnico: Abel Ferreira.

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