por VALTER JUNIOR | gauchazh.clicrbs.com.br
Clube carioca conquistou dois títulos nos últimos dias
e estreia no Mundial nesta quarta-feira. Torcida do patriarca começou por meio
das ondas do rádio e o encantamento com Garrincha e passou até os bisnetos.
O início de conversa, por culpa do repórter, começa
como uma bola atravessada na frente da área. A pergunta sai "como
botafoguenses de quatro gerações moram aqui no Sul?"
– Somos todos gaúchos — responde a voz do
outro lado da chamada, com a simpatia de quem plana pelos céus das américas
após o título da Libertadores.
A paixão surgida na década de 1950 virou herança para
filhos, netos e bisnetos. A estrela solitária brilhou nos ouvidos de Dair
Silveira, então um guri do Alegrete. As ondas tortas da Rádio Nacional
do Rio de Janeiro o fizeram se encantar pelos dribles das pernas não menos
tortas de Garrincha. […]
A única estação gaúcha que chegava até ele era a
Farroupilha. […] A única voz que saia do aparelho em dia de
jogo vinha do Rio de Janeiro. O
ano era 1953. Diz Seu Dair que em todo Alegrete só ele e mais uma pessoa
torciam para o Botafogo.
– Ouvíamos em um rádio maior do que eu. Éramos só
dois, mas fazíamos tanto barulho que pareciam 100 mil — relembra o contador
aposentado, de 78 anos. […]
O Botafogo deixou de ser abstração e imaginação para
Dair somente em 1957. Para comemorar o centenário da cidade, um torneio de
futebol foi organizado. Entre os convidados estava o Botafogo, de
Garrincha. Só então, viu como o formato das pernas do camisa 7 e seus
dribles desafiavam as leis da física. […]
Sandro, um de seus filhos, nasceu em solo gaúcho.
Ainda bebê partiu para a capital fluminense. Ivan, filho de Sandro, neto de
Dair, não teve a mesma sorte. Ainda jovem veio para o Sul.
– Vivemos uma loucura. Vivi 55 anos esperando. Me
sentia culpado por ter filhos botafoguenses. […] — confessa o
psicólogo Sandro, 55 anos.
O empresário Ivan, 36, não esconde que a
herança virou fardo em alguns momentos. Primeiro, era um forasteiro no Rio
de Janeiro. A família manteve os costumes gaúchos mesmo longe de casa. […]
Quando as raízes foram refincadas em Porto Alegre, era
novamente um forasteiro. Um botafoguense em meio a gremistas e
colorados. […] No Gre-Nal da turma precisava escolher um lado.
– Joguei nos dois lados. Mas me irritava muito. Queria
jogar com a camisa do Botafogo. Às vezes, preferia jogar no gol porque
podia jogar de preto, para não usar a camisa nem de Inter nem de Grêmio —
diz orgulhoso, garantido que não veste o uniforme de nenhum dos dois clubes de
Porto Alegre desde o fim da década de 1990. […]
Ivan, Sandro e João Pedro, filho mais novo de
Sandro, foram ao Monumental de Nuñez para ver a final da
Libertadores contra o Atlético-MG. Foi a primeira vez que João Pedro,
14 anos, assistiu ao time do coração ao vivo.
– Foi emocionante ir com meus dois filhos. Vi gente
com foto de pai, tio, de gente que não está mais aqui. Uma loucura — tenta
explicar Sandro.
O título inédito foi para ele o que aquele jogo de
1957, no Alegrete, representou para o seu avô. Um único sentimento
separado por 67 anos. […]
No domingo (8), um segundo título. Agora, o
Brasileiro. Depois da seca, a abundância. A sensação de loucura só aumentou.
Pareço estar no céu — destaca Ivan, pai de três
filhos.
Um deles, Theo, 7, manterá o gene alvinegro
vivo entre os Silveira. Ivan garante que o guri manda áudios enlouquecidos
quando não estão juntos e o Botafogo vence. […]
É como se todos os 78 anos que os Silveira
estão vinculados ao Botafogo sejam vividos em um punhado de dias.
Nota: As palavras a negrito reproduzem o texto original.
Leia o texto completo em https://gauchazh.clicrbs.com.br/esportes/noticia/2024/12/a-historia-da-familia-gaucha-que-tem-quatro-geracoes-de-torcedores-do-botafogo-cm4j41n49009r013hnr6lspq5.html



