por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência do autor ao Mundo Botafogo]
Um trabalho bem humorado mostrando casais apaixonados clicados
nas ruas de Botafogo, Copacabana e
Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, entre 2012 e 2014. São muitas as
demonstrações públicas de carinho e afeto, livres e espontâneas, sem falso
puritanismo. Entremeadas com expressivas imagens - também captadas na urbe -,
de flores, dizeres em grafites e cartazes, as fotos compõem um interessante
mosaico romântico, em um flerte sensual com a contemporaneidade.
Nosso poeta maior, Carlos
Drummond de Andrade (1902 – 1987), mineiro de Itabira - e um ilustre
vascaíno -, disse, em “Declaração de
Amor – Canção de Namorados” (livro de 27 poemas selecionados pelos netos
Pedro Augusto e Luís Maurício) que o Dia
dos Namorados para ele era todo dia: não havia dias determinados para se amar
noite e dia.
Já outro luminar de nossas letras, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues (1912 – 1980),
pernambucano do Recife - e um torcedor apaixonado pelo Fluminense - afirmava
que “todo amor é eterno; se o amor
acabou é porque não era amor”.
Para os que gostam de pesquisa, no Brasil o Dia dos Namorados é uma data comemorativa de caráter comercial.
Historicamente sua origem remonta a frei
Fernando de Bulhões (1191 –1231), português nascido em Pádua, que
enfatizava nas pregações religiosas o valor do amor e do casamento. Em virtude
disso, Antônio de Lisboa (ou Antônio de
Pádua), que viveu na virada da Idade Média em Lisboa, recebeu fama de ser
um “santo casamenteiro” após sua
canonização pela Igreja Católica.
Véspera do Dia de Santo Antônio
(“O Casamenteiro”), 13 de junho, escolheu-se o dia 12 para a habitual manifestação de troca de cartões, flores,
presentes e lembranças entre os apaixonados. A ideia partiu do publicitário João Dória (1919 – 2000), um baiano de
Salvador, da agência Standard Propaganda,
em São Paulo, contratado em 1949 pela direção da loja “A Exposição Clipper” para criar alguma coisa que impulsionasse as
vendas, sempre em queda durante o mês que precede as férias escolares de julho.
O mote da campanha expressava a ideia de que nem só de beijos vivia o amor, ou que um verdadeiro amor não se provava
apenas com beijos. O modismo iria pegar mesmo somente dez anos depois.
Mas eu concordo plenamente com mestre Drummond: “O
dia dos Namorados / para mim étodo dia. / Não tenho dias marcados/ para te amar
noite e dia. // O dia 12 de junho, / como qualquer outro, diz / (e disso dou
testemunho) / que contigo sou feliz.”
Embalando o clima de romantismo, o pianista Richard Clayderman interpreta “PlaisirD’Amour”
(Chaubeaussière/Martini/Claris, em arranjo de O. Toussaint/G. Salesses), “Love Me Tender”
(Poulton/Darby/Matson/Presley), “Love Is
Blue” (Popp/Cour/Mauriat/Blackburn) e “Till”
(Lupi/Buisson/Denvers/Sigman).
Enamorados de Drummond
Meu vídeo: http://youtu.be/gf8KEU3q1as


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