por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência do autor ao Mundo Botafogo]
Prezado Amigo Ruy Moura
Este era o meu avô, vizinho
e amigo, em Copacabana, de Octávio Pinto Guimarães, histórico dirigente
botafoguense, que cedia o telefone dele para o Octávio ter privacidade
para conversar assuntos do Botafogo e da Federação, na década de 1960.
35 Anos de Falecimento de
Fernando da Silva Peixoto (1889 – 1980)
“Avô – pai sem exigências.
Avó – mãe com açúcar.” (Lauro Müller, 1863 – 1926)
A família Peixoto vem
convidar para a celebração de Missa
Solene pelos 35 anos de
falecimento do seu patriarca Fernando da Silva Peixoto (1889 – 1980). A cerimônia será realizada no dia 8 de junho, segunda-feira, às
18 horas, na Igreja Matriz de São João Batista da Lagoa, situada na Rua
Voluntários da Pátria, 287, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.
Alagoano, nascido na
histórica e ribeirinha Cidade
de Penedo em 28 de janeiro de
1889, Fernando da Silva Peixoto era filho do Comendador Manoel da Silva Peixoto
(1847 – 1910), comerciante
português, de Vila do Fafe, e da penedense Anna da Silva Peixoto (1855 –
1932). Empreendedor, empresário da
indústria têxtil e da navegação fluvial, ele se casou em 2 de abril de 1910 com
a sergipana Laura Galvão Peixoto (1889 – 1973), de Brejo
Grande, com quem teve quatro filhos: Danilo
Galvão Peixoto (1911 – 1981), engenheiro civil, Murilo Galvão Peixoto (1912 – 1935), promotor de Justiça, Perilo Galvão
Peixoto (1913 – 2002), médico,
radialista e jornalista – naturais de Salvador, Bahia – e Zurica Galvão Peixoto (1914 – 2005),
a caçula – a única penedense –, que cuidou de toda a família e ainda encontrou
tempo de escrever e fazer poesias – que estão sendo publicadas postumamente.
Fernando da Silva Peixoto morava na Ladeira da Barra, 16, em Salvador, na Bahia (onde
geria os negócios do escritório), até fixar-se em Penedo, no Chalé dos Peixotos – que adquiriu, em 1914, do comerciante José Vieira de Figueiredo –, no Cajueiro Grande, hoje Avenida Getúlio
Vargas, nº 172. “Seu” Fernandinho ou “Coronel” Fernandinho – como era chamado – reformou e ampliou
internamente o chalé, de estilo eclético e influência francesa, para maior
conforto da família.
Construído pelo engenheiro Joaquim Loureiro, um símbolo do
apogeu econômico da cidade e palco de festas da sociedade penedense nos anos
1910/1920, considerado o “o
esplendor da Belle
Époque”, o Chalé dos Peixotos recebeu hóspedes ilustres, como Getúlio Vargas (por intermédio de Amarílio Sales, organizador da recepção presidencial em
Penedo), que se dirigia em campanha a Sergipe, em 1931/32. [Um prédio de
vanguarda então, que se encontra abandonado pela incúria de quem o comprou em
1992 com a pretensão de transformá-lo em um museu-memorial de preservação da
tradição cultural da região do Baixo São Francisco. E ainda tentou apagar da
história os que nele viveram e lhe deram notoriedade e fama, trocando-lhe o
nome com que era tradicionalmente conhecido]
Culto, refinado, elegante, Fernando da Silva Peixoto escrevia poesias – no idioma pátrio e
em francês –, desenhava e tocava piano de ouvido. Muito espirituoso, era
emérito contador de piadas, jogava tênis e adorava viajar com os seus. Em 1933,
por perseguição política e/ou disputas pelo controle acionário da fábrica de
tecidos, pressionado, vendeu a casa por um valor irrisório – o anúncio com a
oferta saiu no jornal “O
Luctador”, de Amaranto Filho, em fevereiro
daquele ano – e rumou com a família para Maceió.
Depois, em 1937/38,
mudou-se para o Rio de Janeiro – a Capital Federal – e residiu o resto
de sua longa e honrada vida no bairro de Copacabana.
Sempre soube cultivar amizades ilustres, como o general Altamiro da Fonseca
Braga, o médico oftalmologista Luís Augusto de Medeiros – cunhado de Graciliano
Ramos –, os senadores Arnon de Mello e Nelson Carneiro, o governador Carlos
Lacerda, o presidente Juscelino Kubitschek e o doutor Octávio Pinto Guimarães.
Fernando da Silva Peixoto faleceu em 7 de junho de 1980, aos 91 anos de idade, vítima de uma
pneumonia. Alegre, terno e carinhoso com os netos, leitor voraz de livros e
periódicos, estava a par de tudo, da economia ao futebol, passando, claro, pela
política. Em seu exílio voluntário não deixou de pensar – ou de falar – na
terra natal, a “Mui Nobre e Sempre Leal” Penedo,
a cidade dos sobrados, situada na margem esquerda do Rio São Francisco, em Alagoas. Foi esquecido, mas
nunca esqueceu o belo lugar em que nasceu.
Após a morte do genitor,
sua filha Zurica Galvão
Peixoto (1914 – 2005) – à época
com 65 anos – escreveu “Evocando Meu Querido Pai”:
“Quando os homens da loja
de material hospitalar retiraram do quarto e levaram de volta a cama de Fawler [leito metálico retrátil e de
manivela], que ali permanecera durante vinte dias, retornei para ver o
derradeiro ambiente que ainda guardava forte a imagem querida de meu Pai.”
“Verifiquei, com surpresa,
que os velhos chinelos usados por meu Pai ficaram esquecidos a um canto do
aposento. Num gesto de carinho e tristeza, tomei-os nos braços, abraçando-os
vigorosamente e evocando o andar lento de meu Pai caminhando pela nossa casa.”
“Quanta emoção! Não mais
iria escutar os seus passos, nem ouvir a sua voz. Não mais sentiria a presença
física dessa pessoa tão amada que andara pela vida afora.”
“Homem de trabalho,
inteligente, honesto, corajoso, tivera a existência cheia de percalços. Sofrera
injustas perseguições e experimentara muitas decepções.”
“Mas, apesar de tudo,
soubera chegar aos 91 anos bem vividos, não obstante as dificuldades
enfrentadas e os achaques da velhice. Ao lado da família, com dignidade e
altivez, meu Pai nunca esmoreceu, e superou bravamente as adversidades que lhe
foram impostas pelo destino.” (Zurica Galvão Peixoto)
Na trilha sonora,
CONFIDÊNCIAS, de Ernesto Nazareth (1863 – 1934), e VALSA ELEGANTE, de Francisco
Mignone (1897 – 1986), interpretadas pelas pianistas MARIA JOSEPHINA MIGNONE e
MIRIAM RAMOS, que compõem o Duo Francisco Mignone (1897 – 1986).
Atenciosamente,
Fernando Moura Peixoto (ABI
0952-C)
Fernando
da Silva Peixoto, Penedense! (1889 - 1980)







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