domingo, 7 de junho de 2015

Fernando da Silva Peixoto, Penedense!


por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência do autor ao Mundo Botafogo]

Prezado Amigo Ruy Moura

Este era o meu avô, vizinho e amigo, em Copacabana, de Octávio Pinto Guimarães, histórico dirigente botafoguense, que cedia o telefone dele para o Octávio ter privacidade para conversar assuntos do Botafogo e da Federação, na década de 1960.

35 Anos de Falecimento de Fernando da Silva Peixoto (1889 – 1980)

“Avô – pai sem exigências. Avó – mãe com açúcar.” (Lauro Müller, 1863 – 1926)

A família Peixoto vem convidar para a celebração de Missa Solene pelos 35 anos de falecimento do seu patriarca Fernando da Silva Peixoto (1889 – 1980). A cerimônia será realizada no dia 8 de junho, segunda-feira, às 18 horas, na Igreja Matriz de São João Batista da Lagoa, situada na Rua Voluntários da Pátria, 287, no bairro de Botafogo, Rio de Janeiro.


Alagoano, nascido na histórica e ribeirinha Cidade de Penedo em 28 de janeiro de 1889, Fernando da Silva Peixoto era filho do Comendador Manoel da Silva Peixoto (1847 – 1910), comerciante português, de Vila do Fafe, e da penedense Anna da Silva Peixoto (1855 – 1932). Empreendedor, empresário da indústria têxtil e da navegação fluvial, ele se casou em 2 de abril de 1910 com a sergipana Laura Galvão Peixoto (1889 – 1973), de Brejo Grande, com quem teve quatro filhos: Danilo Galvão Peixoto (1911 – 1981), engenheiro civil, Murilo Galvão Peixoto (1912 – 1935), promotor de Justiça, Perilo Galvão Peixoto (1913 – 2002), médico, radialista e jornalista – naturais de Salvador, Bahia – e Zurica Galvão Peixoto (1914 – 2005), a caçula – a única penedense –, que cuidou de toda a família e ainda encontrou tempo de escrever e fazer poesias – que estão sendo publicadas postumamente.


Fernando da Silva Peixoto morava na Ladeira da Barra, 16, em Salvador, na Bahia (onde geria os negócios do escritório), até fixar-se em Penedo, no Chalé dos Peixotos – que adquiriu, em 1914, do comerciante José Vieira de Figueiredo –, no Cajueiro Grande, hoje Avenida Getúlio Vargas, nº 172. “Seu” Fernandinho ou “Coronel” Fernandinho – como era chamado – reformou e ampliou internamente o chalé, de estilo eclético e influência francesa, para maior conforto da família.

Construído pelo engenheiro Joaquim Loureiro, um símbolo do apogeu econômico da cidade e palco de festas da sociedade penedense nos anos 1910/1920, considerado o “o esplendor da Belle Époque”, o Chalé dos Peixotos recebeu hóspedes ilustres, como Getúlio Vargas (por intermédio de Amarílio Sales, organizador da recepção presidencial em Penedo), que se dirigia em campanha a Sergipe, em 1931/32. [Um prédio de vanguarda então, que se encontra abandonado pela incúria de quem o comprou em 1992 com a pretensão de transformá-lo em um museu-memorial de preservação da tradição cultural da região do Baixo São Francisco. E ainda tentou apagar da história os que nele viveram e lhe deram notoriedade e fama, trocando-lhe o nome com que era tradicionalmente conhecido]


Culto, refinado, elegante, Fernando da Silva Peixoto escrevia poesias – no idioma pátrio e em francês –, desenhava e tocava piano de ouvido. Muito espirituoso, era emérito contador de piadas, jogava tênis e adorava viajar com os seus. Em 1933, por perseguição política e/ou disputas pelo controle acionário da fábrica de tecidos, pressionado, vendeu a casa por um valor irrisório – o anúncio com a oferta saiu no jornal “O Luctador”, de Amaranto Filho, em fevereiro daquele ano – e rumou com a família para Maceió.

Depois, em 1937/38, mudou-se para o Rio de Janeiro – a Capital Federal – e residiu o resto de sua longa e honrada vida no bairro de Copacabana. Sempre soube cultivar amizades ilustres, como o general Altamiro da Fonseca Braga, o médico oftalmologista Luís Augusto de Medeiros – cunhado de Graciliano Ramos –, os senadores Arnon de Mello e Nelson Carneiro, o governador Carlos Lacerda, o presidente Juscelino Kubitschek e o doutor Octávio Pinto Guimarães.

Fernando da Silva Peixoto faleceu em 7 de junho de 1980, aos 91 anos de idade, vítima de uma pneumonia. Alegre, terno e carinhoso com os netos, leitor voraz de livros e periódicos, estava a par de tudo, da economia ao futebol, passando, claro, pela política. Em seu exílio voluntário não deixou de pensar – ou de falar – na terra natal, a “Mui Nobre e Sempre Leal” Penedo, a cidade dos sobrados, situada na margem esquerda do Rio São Francisco, em Alagoas. Foi esquecido, mas nunca esqueceu o belo lugar em que nasceu.


Após a morte do genitor, sua filha Zurica Galvão Peixoto (1914 – 2005) – à época com 65 anos – escreveu “Evocando Meu Querido Pai”:

“Quando os homens da loja de material hospitalar retiraram do quarto e levaram de volta a cama de Fawler [leito metálico retrátil e de manivela], que ali permanecera durante vinte dias, retornei para ver o derradeiro ambiente que ainda guardava forte a imagem querida de meu Pai.”

“Verifiquei, com surpresa, que os velhos chinelos usados por meu Pai ficaram esquecidos a um canto do aposento. Num gesto de carinho e tristeza, tomei-os nos braços, abraçando-os vigorosamente e evocando o andar lento de meu Pai caminhando pela nossa casa.”


“Quanta emoção! Não mais iria escutar os seus passos, nem ouvir a sua voz. Não mais sentiria a presença física dessa pessoa tão amada que andara pela vida afora.”

“Homem de trabalho, inteligente, honesto, corajoso, tivera a existência cheia de percalços. Sofrera injustas perseguições e experimentara muitas decepções.”


“Mas, apesar de tudo, soubera chegar aos 91 anos bem vividos, não obstante as dificuldades enfrentadas e os achaques da velhice. Ao lado da família, com dignidade e altivez, meu Pai nunca esmoreceu, e superou bravamente as adversidades que lhe foram impostas pelo destino.” (Zurica Galvão Peixoto)

Na trilha sonora, CONFIDÊNCIAS, de Ernesto Nazareth (1863 – 1934), e VALSA ELEGANTE, de Francisco Mignone (1897 – 1986), interpretadas pelas pianistas MARIA JOSEPHINA MIGNONE e MIRIAM RAMOS, que compõem o Duo Francisco Mignone (1897 – 1986).

Atenciosamente,
Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

Fernando da Silva Peixoto, Penedense! (1889 - 1980)

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