domingo, 28 de junho de 2015

Confeitaria Imperial fechou em Botafogo

por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência do autor ao Mundo Botafogo]

No início era apenas um pequeno empório na Rua Real Grandeza, 161. Uns afirmam que começou em 1916 ou 1922, outros, em 1926. Não importa a data, a quase centenária Casa Imperial, tradicional confeitaria e padaria da Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro, encerrou suas atividades em 29 de novembro de 2014, e passou o ponto. Felizmente, à outra grande panificadora, Armazém do Pão, a opção mais interessante para o bairro.
Os primeiros sócios da Imperial, Albino Silva, Clarêncio e Manoel, eram portugueses. Os atuais, Antonio Calçada, Cipriano dos Santos (lusitanos também) e Ademar Fioche (brasileiro) adquiriram o imóvel e o negócio em 1982. A casa teve seu apogeu entre os anos 1930 e 1970, frequentada pela chamada alta sociedade, políticos e artistas em geral. E “concorria” com a lendária Padaria Bragança (1922-1978) – que fazia umas deliciosas rosquinhas amanteigadas –, bem defronte, na esquina do outro lado da rua. Ambas testemunharam as mudanças ocorridas, em Botafogo e na cidade, ao longo do século XX.
Remodelada algumas vezes, a Imperial ainda apresentava certo charme de antigamente. Funcionava todos os dias, sem exceção, das cinco da matina às dez da noite, e os clientes, já não tão famosos como os de outrora, certamente estão a sentir muito a sua falta. A ausência daqueles pãezinhos, brioches, tortinhas, doces e salgadinhos saborosos, cafezinho, frangos assados e escolhidos na hora – e o que dizer do “pastel de Belém”, o único quitute que vinha de fora? Sobreviver sem todos eles, que pecado!
Com fotos obtidas entre 2012 e 2014, este documento histórico é dedicado a “Seu” Jayme Santos, nascido em Portugal no dia 1° de abril de 1912, e que, aos 25 anos, em 1937, ingressou na empresa para cuidar da contabilidade. Trabalhou até 2009, falecendo aos 97 anos, deixando saudades imensas.
A título de homenagem, o Armazém do Pão deveria conservar na parede da loja o vistoso ornamento de madeira, dos anos 1920, contendo um relógio moderno (de quartzo, da marca Herweg), sustentado por figuras alegóricas de duas sereias aladas guardiãs, fundidas em bronze, representando o Comércio e a Indústria, com a inscrição “Casa Imperial - Albino, Costa & Cia”. E seguir o lema exposto em baixo dele: “A quem serve, prudência; a quem é servido, paciência”.

As reformas internas do lugar esbarraram em um percalço estrutural, já sanado. E o prazo de entrega da nova e moderna confeitaria atrasou em quase um ano. Dizem que o nome “Imperial” será mantido. Estamos torcendo para que tudo isso aconteça logo, já que o Armazém do Pão fabrica os famosos “pastéis de Belém” (ou de nata), docinho de ovos originário do Mosteiro dos Jerônimos, em Belém, uma tradição portuguesa principiada em 1837.
Vertendo lágrimas pela perda da Imperial, na trilha sonora, “Choro em Adágio”, de Alexandre Guerra, saxes alto e soprano; Paulo César Paschoal, violino; Luiz Carlos Amorim, violão de 7 cordas; Milton de Mori, cavaquinho e bandolim; e Betinho Sodré, percussão.

Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)

Confeitaria Imperial Fechou em Botafogo

Meu vídeo : http://youtu.be/p3hpGIoAlXw

1 comentário:

Renata disse...

Essa padaria ainda tem o nome de padaria imperial e funciona no mesmo lugar. Real grandeza com voluntários da pátria.

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