quarta-feira, 27 de setembro de 2023

Camisa Gloriosa nos países bálticos: Riga, do medieval ao moderno, uma capital animada (VIII)

 
Jardins de Sigulda. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

compilação e montagem de textos de RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Passeio campestre com foto de árvore histórica várias vezes centenária, em local perto do Castelo de Sigulda, apresentado na reportagem anterior e ligado a Maija (1601-1620), a famosa ‘Rosa de Turaida’, morta na Gruta Gutman e eternizada pela sua dignidade numa grande história de amor.

Imagem religiosa espetacular no átrio da catedral Luterana. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

Na Catedral Luterana de Riga (o luteranismo surgiu dos esforços de Lutero, frade católico que reformou a doutrina e a prática da Igreja Católica, originando a Reforma Protestante e o Protestantismo), que foi construída em 1211 e considerada a maior igreja medieval dos estados bálticos, assisti a um concerto de música de órgão, cujo instrumento – inaugurado em 1884 – tem quatro teclados manuais e um teclado de pedais e possui 6.718 tubos, sendo o terceiro maior órgão tubular do mundo.

O extraordinário órgão tubular da Catedral de Riga, capa do Programa a que assisti no dia 23 de agosto de 2023. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

A curiosidade é que o programa do concerto apresentava, entre outras, obra de Heitor Villa-Lobos, compositor, maestro, violoncelista, pianista e violinista brasileiro, considerado a figura criativa mais significativa do séc. XX na música clássica brasileira e o compositor sul-americano mais conhecido mundialmente.

Programa com menção à música de Heitor Villa-Lobos. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

As Bachianas Brasileiras são uma série de nove composições de Villa-Lobos escritas a partir de 1930, tendo o compositor, nessas suítes, fundido material folclórico brasileiro – em especial a música caipira – às formas pré-clássicas no estilo de Bach.

Ao fundo, o topo do edifício mais alto de Riga, a Igreja de São Pedro. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

A Igreja de São Pedro foi construída em 1209 como igreja do povo, foi alargada em 1409 e a torre atual foi construída em 1746. A igreja foi restaurada pela última vez em 1973, atingida seis vezes por relâmpagos e desmoronou em 1666 e 1721. Durante a Segunda Guerra Mundial era o edifício de madeira mais alto da Europa e foi danificado por um incêndio. Os soviéticos restauraram a igreja e instalaram um elevador que permite uma visão panorâmica de Riga a 70metros de altura.

Monumento dos músicos de Bremen para Riga. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

Próximo da Igreja de São Pedro, existe um monumento (foto acima) oferecido pelos músicos da cidade de Bremen a Riga, cuja ideia é que os focinhos do burro, do cachorro, do gato e do galo sejam alisados pelos transeuntes para lhes dar sorte. Espero que a minha sorte se concretize definitivamente a 3 de dezembro de 2023…

Casa dos Cabeças Negras. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

No Centro Histórico de Riga, capital da Letónia, a Casa dos Cabeças Negras é um edifício situado na cidade velha, erguido no séc. XIV para a Irmandade dos Cabeças Negras, uma guilda de mercadores solteiros e estrangeiros. É o local da primeira árvore de Natal decorada, erguida em 1510. Os alemães bombardearam-no em 1941 e os restos foram demolidos pelos soviéticos. O edifício foi reconstruído e reinaugurado em 1999 após a queda da URSS – é museu, apresenta concertos de música clássica, teatro e ópera e possui grandes salões de baile para eventos luxuosos de boas vindas a reis, rainhas e presidentes de todo o mundo.

O exterior e o interior do luxuoso Palácio de Rundäle. Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

O Rundäle Pils – Palácio de Rundäle –, situado em Pilsrundäle, a 79 km de Riga, foi construído na década de 1730 pelo mesmo arquiteto responsável pelos espetaculares Palácio de Inverno e Palácio de Verão, ambos em São Petersburgo. É o mais importante palácio barroco da Letônia e um dos mais importantes monumentos históricos do país, sendo muitas vezes referido como o Versailles do Báltico – entre quartos e salas possui 138 divisões distribuídas pelos dois andares.

Entretanto o seu proprietário – o Duque da Curlândia – caiu em desgraça, o palácio permaneceu vazio por bastante tempo e acabou sendo absorvido pelo Império Russo, em 1795, tendo Catarina II, Imperatriz da Rússia, oferecido o palácio de presente ao seu amante, o Príncipe Zubov, que ali permaneceu até aos seus últimos dias.

Nos jardins do Palácio de Rundäle, em jeito de despedida, para visitar o último dos três países bálticos, a Estónia, ou melhor, revisitar (país já visitado em viagem à Finlândia, Estônia e Rússia, em 2005). Acervo de Ruy Moura / Mundo Botafogo.

Atualmente, o Rundäle Pils e os seus jardins são um dos principais destinos visitados pelos turistas na Letônia, possuindo, também, funções de representação, sendo utilizado para acomodar hóspedes notáveis, como líderes de nações estrangeiras em visitas oficiais.

Fontes da série “Camisa Gloriosa nos países bálticos”: https://en.wikipedia.org; https://es.abcdef.wiki; https://es.wikipedia.org; https://it.wikipedia.org; https://pt.wikipedia.org; https://travelshelper.com; https://www.itinari.com; https://www.magnusmundi.com

4 comentários:

Sergio disse...

Sensacional! Que órgão lindíssimo, assim comoudo que vi nas imagens.
Sinceramente, não sabia que Villa-Lobos tinha obras para órgão, pelo menos aqui no Brasil nunca ouvi. Seria arranjos do organista?
De qualquer maneira é mais uma gaveta desse grande compositor. Parabéns pela exposição e por essa viajem maravilhosa. Quanto a sorte, suspeito que seja o título brasileiro do Botafogo, ou estou errado? ABS e SB!

Ruy Moura disse...

Em foto ainda é mais sensacional, Sergio. Vou enviar por e-mail para si a foto que fiz do órgão. É de sonho!

Fui ao concerto sabendo do Villa-Lobos, porque alguém, com quem conversei no hotel, me mencionou que havia obra do músico na Catedral.

Abraços Gloriosos.

Lúcia Costa disse...

Que viagem fascinante, meu querido!
Adoraria conhecer esses países bálticos , pois muito claramente conseguem preservar as estruturas e as histórias medievais. Sou apaixonada pela Idade Media! Viajar pela Lituânia, Letônia e Estônia ,conhecendo a cultura da região, visitando igrejas,castelos,muralhas, pontes e não sei mais o quê...QUE MARAVILHA!!!!
E,outra coisa : em certos momentos da história esses países foram anexados a então União Soviética e,portanto,obviamente, apresentam grande influência da cultura russa,uma das minhas paixões ( conhecer a Rússia)
Depois,Villa Lobos !!! Esse nosso brasileirissimo HEITOR ,era de uma audácia criativa,inimaginável!
Juntava, como bem dizes, elementos da cultura brasileira ( nossa boa e saborosa cantiga caipira ) com o requinte do SEBASTIAN( rsrsrs) e o resultado era simplesmente Magnífico!
Havia também muitas outras composições com elementos das canções populares e ...indígenas!
O gajo era girissimo!!!!!
Estás mais uma vez de parabéns pela linda viagem e por dividir conosco tão belas experiências. Viajei contigo !
Beijos bálticos!!!!

Ruy Moura disse...

Há claramente muitas influências de todos os lados porque os Bálticos, assim como a atual Polônia, foram sempre corredor desde tempos imemoriais com os impérios que foram nascendo, crescendo, definhando e morrendo. São povos que, na gênese, apesar de virem de linhagens comuns com a Rússia, e fazendo parte de tradições e culturas comuns, foram se separando gradualmente de um ponto de vista social. Os países bálticos fazem parte da União Europeia, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e vivem um ambiente democrático. Socialmente tudo separa os Países Bálticos da Rússia/União Soviética que viveu sempre comandada por Czares, depois Marxistas-Leninistas e agora por uma extrema-direita oriunda da KGB à qual Putin pertenceu e nela se formou. O que me espanta realmente é como conseguiram, vivendo assim, produzirem, no passado, músicos, escritores, poetas e outros intelectuais de elevada estirpe antes do século. Li quase todas as obras de Tolstoi, Dostoievski, Tchekhov, Gogol, Turgueniev e Gorki e confesso que me espanta como uma nação vivendo milenarmente sob regimes tão autoritários e milenarmente imperialistas produziu tanta cultura e até mesmo uma arquitetura brilhante. São Petersburgo é um exemplo absolutamente extraordinário de uma cidade grandiosa e visionária. Porém, viajar pela Rússia ou viajar pelos países Bálticos reconhece-se que a 'aragem social' é muitíssimo distinta.

Beijos viajantes!

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