por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
O jogo não foi muito diferente do que esperava: um
Cruzeiro mais atacante, mas geralmente enrolado numa má mostra de tiki-taka e
um Botafogo à espreita da melhor oportunidade para ser feliz.
O Cruzeiro entrou melhor no jogo explorando ataques
rápidos pelos flancos com futebol vertical antes de se deixar cair no enrolado
tiki-taka.
Não obstante, foi o Botafogo que aos 11’ efetuou o 1º
remate à baliza através de um ataque rápido, Matheus Martins tocou para trás e
Álvaro Montoro rematou para uma grande defesa de Otávio. Logo em seguida, aos
12’ Arthur Cabral dentro da grande área rematou à figura do goleiro.
O Cruzeiro tornou a insistir e aos 20’ levou muito perigo
dentro da área botafoguense: Cristian Medina perdeu a bola em zona proibida,
Kaio Jorge assistiu Lucas Romero que cabeceou para uma grande defesa de
Warleson.
O Botafogo tinha dificuldade em se encontrar e falhou
diversos passes e decisões, especialmente aos 23’, após uma bobeira de Álvaro
Montoro – que durante o jogo fez o que quis dos seus marcadores – entregando a
bola a Sinisterra, que lançou Kaio Jorge cara a cara com Warleson, mas o
atacante rematou para fora com o nosso goleiro fechando o ângulo de tiro o mais
possível.
No entanto, o Cruzeiro, apesar de mais tático e mais
forte, perdia-se na ansiedade de fazer gol e o Botafogo aproveitava-se disso.
Ainda assim tivemos dois cartões amarelos ‘infantis’: Warleson por demora na
reposição da bola e Huguinho numa falta cometida quando o jogador adversário já
tinha perdido a bola – assuntos que a comissão técnica deve debater.
Entretanto, o jogo entrou em modo ‘piloto automático’,
sobretudo após o jogo estar parado vários minutos para atendimento de Arthur
Cabral aos 29’, até que aos 40’, no único escanteio cobrado pelo Botafogo no 1º
tempo, Alex Telles lançou a bola e Gabriel Justino, entre quatro defensores (!)
rematou espetacularmente de cabeça para o fundo das redes. Botafogo 1x0.
A 1ª parte do desafio, com 7’ de acréscimo, terminou com
o Cruzeiro tendo 60% de posse de bola, mas apenas com um remate enquadrado à
baliza, contra três a favor do Botafogo.
O 2º tempo foi mais monótono porque o Cruzeiro apostou ainda
mais na posse de bola e praticamente nada nas transições, sem criatividade e o
infrutífero tiki-taka acabou por ganhar uma grande dimensão (desejavelmente
para o Glorioso). Talvez por uma única vez o gol do Cruzeiro esteve à vista, aos
65’, mas Warleson fez boa defesa.
Efetivamente o Botafogo apostou em suster o tiki-taka, conseguindo
os seus intentos, e saiu algumas vezes em contra-ataque, mas sejamos realistas:
Matheus Martins é muito ruim e Arthur Cabral, que nunca foi veloz, está cada
vez mais enferrujado, jogando muito pouca bola se não estiver dentro da área e
com a bola colocada nos seus pés.
Em suma, faltam-nos atacantes e um cobrador de faltas,
porque Alex Telles cruza bem algumas bolas de escanteio, mas erra consecutivamente
na cobrança de faltas – falta-nos capacidade de decisão passes certos.
Ao contrário, surpreendendo até agora, Warleson não
cometeu nenhum erro, a zaga é bastante forte e jogou muito bem (Justino e
Ferraresi), os mais jovens são muito promissores, especialmente Álvaro Montoro
que parece estar recuperando gradualmente o seu futebol – quase destruído pelas
opções absurdas de Martin Anselmi.
Globalmente o Botafogo apostou numa tática ‘matreira’, jogando
num estádio onde não vencia há dez anos. Jogou bom futebol? – Não. Jogou bom
futebol contra o ‘matreiro’ Vitória, com o qual empatou, e pouco futebol contra
o Cruzeiro, ao qual venceu, sobretudo fechando os meios de entrada do Cruzeiro
com uma defesa segura e um relativo controlo do jogo sem bola.
Comparando os dois últimos desafios a equipe mostra que é
capaz de ser taticamente versátil e lutar por algo mais do que a simples
classificação para a Copa Sul-americana, se – tornou a sublinhar – os reforços
que estão chegando acrescentarem realmente valor à equipe.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x0 Cruzeiro
» Gols: Gabriel Justino, aos 40’
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 26.07.2026
» Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
» Público: 39.294 espectadores
» Renda: R$ 2.140.430,50
» Árbitro: Davi de
Oliveira Lacerda (ES); Assistentes: Douglas
Pagung (ES) e Pedro Amorim de Freitas (ES); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)
» Disciplina: cartão amarelo – Warleson, Huguinho, Ferraresi, Alex Telles e Kadir (Botafogo) e Fagner,
Jonathan Jesus, Arroyo e Kaio Jorge (Cruzeiro)
» Botafogo: Warleson; Vitinho,
Ferraresi, Justino e Alex Telles (Marçal); Huguinho, Cristian Medina, Danilo
(Kauan Toledo) e Álvaro Montoro (Santi Rodríguez); Matheus Martins (Lucas
Villalba) e Arthur Cabral (Kadir). Técnico: Franclim Carvalho.
» Cruzeiro: Otávio; Fagner
(William), Fabrício Bruno (João Marcelo), Jonathan Jesus e Rojas (Kauã Moraes);
Lucas Romero, Matheus Henrique e Marquinhos (Arroyo); Sinisterra (Wanderson),
Kaio Jorge e Bruno Rodrigues. Técnico: Artur Jorge.

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