segunda-feira, 20 de julho de 2026

Sendo técnico da sua própria vida, manteria a escalação atual?

por TIAGO LEITE | PhD Saúde, Master Coach | Colaborador do Mundo Botafogo

Sentado na arquibancada, no sofá ou diante da televisão, todo o botafguense já olhou para o campo e pensou:

"Esse time precisa mudar."

Às vezes é a escalação; às vezes é a postura; às vezes é a estratégia.

Quando os resultados não aparecem, a torcida rapidamente percebe que continuar fazendo a mesma coisa dificilmente levará a um resultado diferente.

Mas existe uma pergunta bastante mais desconfortável:

– Se você fosse o técnico da sua própria vida, manteria a escalação atual?

As equipes avaliam jogadores, testam estratégias e fazem ajustes. O Botafogo está fazendo exatamente a mesma coisa. Porque existe uma verdade que todo profissional do futebol conhece:

– Nenhum time melhora sem diagnóstico; nenhum time evolui sem mudança; nenhum time vence sem ação.

E na vida acontece exatamente a mesma coisa.

Aos 40+, muitos homens possuem experiência, conhecimento e potencial suficientes para viver uma vida melhor. O problema é que muitos não conguem porque continuam repetindo a mesma escalação há anos:

– Mantêm hábitos que prejudicam a saúde; mantêm rotinas que drenam energia; mantêm decisões adiadas; mantêm desculpas que já perderam a validade.

E esperam que o placar mude sozinho.

O DIAGNÓSTICO: A TRAVA OCULTA

O maior problema não é o erro; é a incapacidade de enxergar o erro.

No futebol isso é fatal.

Um técnico que não reconhece as falhas da equipe, dificilmente sobrevive por muito tempo.

Na vida também.

A Trava Oculta aparece quando você começa a justificar aquilo que deveria corrigir.

Sabe que precisa cuidar melhor do corpo, mas diz que não tem tempo.

Sabe que precisa organizar a vida financeira, mas diz que a fase está difícil.

Sabe que precisa encerrar um ciclo, mas continua esperando o momento perfeito.

Pouco a pouco, a acomodação se disfarça de prudência.

E a estagnação se disfarça de estabilidade.

A DECISÃO: RUPTURA OU ACEITAÇÃO

Chega um momento em que o treinador precisa assumir a responsabilidade.

Não adianta culpar o juiz; não adianta culpar o gramado; não adianta culpar a tabela.

Ou muda a equipe. Ou aceita o resultado.

Na vida também.

Talvez seja preciso substituir hábitos, mudar prioridades e parar de negociar com comportamentos que estão sabotando seus resultados.

Porque existe uma verdade difícil de aceitar:

–  A vida que cada qual tem hoje é consequência das decisões que vem repetindo.

E quando a vida não vai bem a escolha é simples: mude ou aceite.

Não tem outra maneira.

A AÇÃO

Antes de continuar lendo, faça um exercício simples.

Imagine que você foi contratado hoje para ser técnico da sua própria vida.

O que mudaria imediatamente? Qual hábito iria para o banco? Qual comportamento seria substituído? Qual decisão não poderia mais ser adiada?

Agora escolha apenas uma dessas mudanças.

Uma.

E execute nas próximas 24 horas.

Não na próxima semana; não no próximo mês; não quando as condições melhorarem.

Hoje.

Garrincha não entrou para a história porque ficou analisando o jogo. Entrou porque tinha coragem de fazer o que precisava ser feito quando a bola chegava aos seus pés.

A Seleção Brasileira precisará tomar decisões difíceis para ressugir.

O Botafogo precisará fazer ajustes para continuar competitivo.

E você?

Se fosse técnico da sua vida, manteria a equipe atual em campo?

Ou já teria feito substituições?

Mude ou Aceite: não tem outra maneira.

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