Um
jogo de gols perdidos e um enorme diferencial entre um treinador e outro. Ambas
as equipas iniciaram o jogo completamente trapalhonas e aos cinco minutos não
havia um empate de 1x1 porque a sorte bafejou Hernane e a trave opôs-se a
Felipe Gabryel.
Porém,
enquanto Dorival instruía a equipa para marcar melhor e mais adiantada, Oswaldo
fazia o costume: nada.
O
esquema de jogo está errado e escalação também. Deixar um só atacante à frente, e que não é nenhum
craque, torna-se absurdo. Bruno Mendes não está em forma, mas pouco pode fazer
sozinho dentro da área. E quando teve a chance de empatar chutou em cima do
goleiro, porque ele só olha para a bola, não para onde vai chutar.
Não
entendo porque é que o Botafogo não faz o 4x4x2 clássico, que permite melhor
consolidação de jogo. Mas Oswaldo gosta muito de um esquema tático sem volantes
de origem, que marcam mal, e de um homem sozinho à frente, no meio de uma
floresta de adversários. Os treinadores mais espertos já perceberam como o
Botafogo joga e dão-lhe o nó com a mesma facilidade que o Abel Braga nos deu no
ano passado na decisão. Espantou-me foi a declaração do chefe do departamento de futebol do Glorioso ao declarar que Oswaldo é um cara incrível e se acertou na sua continuidade. Pobre departamento de futebol...
Mal voltemos ao jogo, que poderia estar 2x2 ou 3x3 aos 17 minutos, tal foi a trapalhada dos dois
lados, mas depois o Flamengo começou a marcar melhor e a controlar a vantagem.
E foi aproveitando o enfiamento de bolas nas costas de Márcio Azevedo. Não
compreendo como muitos torcedores gostam deste atleta. Quando avança e passa a
bola para outro atleta, ele não recua, avança. O contra-ataque fica fácil,
porque Márcio Azevedo raramente está no sítio, e quando está não tem reflexos
como defesa e é batido com a maior facilidade. Viu-se isso na 1ª e na 2ª parte.
Será que o rapaz pensa que é um Nilton Santos? E será que Lucas pensará ser o
Rildo?
O
Botafogo melhorou um pouco por volta dos 25 minutos e 10 minutos depois Márcio
Azevedo fez um contra-ataque e correu para o miolo da área com três adversários
pela frente e dois companheiros completamente livres à esquerda e à direita.
Que fez? Avançou e chutou em cima da defesa do Flamengo.
No
2º tempo claro que o Flamengo voltou mais organizado com a conversa de
vestiário e Dorival apostou no
contra-ataque para matar o jogo. E não matou, embora apanhasse a defesa
desguarnecida, porque de baliza aberta os de vermelho atiraram para fora duas
vezes. E houve outras oportunidades também boas.
Quanto
ao Botafogo, evidentemente entrou pior e não conseguiu fazer frente a um time
mais compacto e melhor armado para a 2ª parte. O último passe é geralmente errado e o chute ainda é pior do que os passes errados.
Ademais,
o Botafogo está dependente de um atleta de 36 anos. Sem Seedorf os jogadores não
sabem o que fazer, e vai continuar assim, porque o esquema tático não devia ser
aquele, os volantes não marcam e os lançamentos feitos pelos laterais para a baliza não funcionam. A
utilização dos laterais no ataque devia ser, sobretudo, para lançamentos transversais para a área,
como é praxe no futebol moderno. Mas a nossa ineficácia é imensa, e a defesa
continua a ser uma peneira desde pelo menos 2007. Mas no Botafogo vários treinadores e dirigentes nunca repararam nos buracões da defesa.
O
que me vale é que realmente não espero nada de um time comandado por Oswaldo
Oliveira. Aliás, espero. Espero que os treinadores mais espertos lhe ganhem sempre fácil, fácil... E que o presidente e o chefe de futebol elogiem o dito cujo. Porque gosto de me rir.
FICHA
TÉCNICA
Botafogo 0x1 Flamengo
» Gols:
Hernane 3'
» Data:
17.02.2013
» Local: Estádio
Olímpico João Havelange, o ‘Engenhão’, Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 22.227
pagantes
» Renda:
R$ 855.270,00
» Árbitro:
Rodrigo Nunes de Sá; Auxiliares:
Rodrigo Pereira Joia (RJ) e Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ)
» Disciplina: cartão amarelo – Lodeiro e Cidinho (Botafogo); Ibson, Cáceres e
Elias (Flamengo)
» Botafogo:
Jefferson, Lucas, Bolívar, Antônio Carlos, Márcio Azevedo; Júlio César, Fellype
Gabriel (Jadson, 61'), Lodeiro, Seedorf; Vitinho (Cidinho, 57') e Bruno Mendes
(Sassá ao intervalo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
» Flamengo:
Felipe, Léo Moura, González, Wallace, João Paulo; Cáceres, Ibson (Cleber
Santana 81'/, Elias, Carlos Eduardo (Rodolfo ao intervalo); Rafinha e Hernane
(Igor Sartori 72'). Técnico: Dorival Júnior.

