por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência do autor ao Mundo Botafogo]
No
início era apenas um pequeno empório na Rua Real Grandeza, 161. Uns afirmam que
começou em 1916 ou 1922,
outros, em 1926. Não
importa a data, a quase centenária Casa Imperial, tradicional
confeitaria e padaria da Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo, zona sul do
Rio de Janeiro, encerrou suas atividades em 29 de novembro de 2014, e passou o
ponto. Felizmente, à outra grande panificadora, Armazém do Pão, a opção mais
interessante para o bairro.
Os primeiros sócios da Imperial, Albino
Silva, Clarêncio e Manoel, eram portugueses. Os atuais, Antonio Calçada, Cipriano dos Santos (lusitanos
também) e Ademar Fioche (brasileiro) adquiriram o imóvel e o negócio
em 1982. A casa teve seu apogeu
entre os anos 1930 e 1970, frequentada
pela chamada alta sociedade, políticos e artistas em geral. E “concorria” com a lendária Padaria Bragança (1922-1978) – que
fazia umas deliciosas rosquinhas amanteigadas –, bem defronte, na esquina do
outro lado da rua. Ambas
testemunharam as mudanças
ocorridas, em Botafogo e na cidade, ao longo do século XX.
Remodelada algumas vezes, a Imperial ainda apresentava certo charme de
antigamente. Funcionava todos os
dias, sem exceção, das cinco da
matina às dez da noite, e os clientes, já não tão famosos como os de
outrora, certamente estão a sentir muito a sua falta. A ausência daqueles pãezinhos, brioches,
tortinhas, doces e salgadinhos saborosos, cafezinho, frangos assados e escolhidos
na hora – e o que dizer do “pastel de Belém”, o único quitute que vinha
de fora? Sobreviver sem todos eles, que pecado!
Com fotos obtidas entre 2012 e 2014, este documento histórico é dedicado a “Seu” Jayme Santos, nascido em Portugal no dia 1° de abril
de 1912, e que, aos 25
anos, em 1937, ingressou na empresa para cuidar da contabilidade. Trabalhou até 2009, falecendo aos 97 anos,
deixando saudades imensas.
A título de homenagem, o Armazém
do Pão deveria conservar na
parede da loja o vistoso ornamento de madeira, dos anos 1920, contendo um
relógio moderno (de quartzo, da marca Herweg),
sustentado por figuras alegóricas de duas
sereias aladas guardiãs, fundidas em bronze, representando o Comércio e a Indústria, com a
inscrição “Casa Imperial -
Albino, Costa & Cia”. E seguir o lema exposto em baixo dele: “A
quem serve, prudência; a quem é servido, paciência”.
As
reformas internas do lugar esbarraram em um percalço estrutural, já sanado. E o
prazo de entrega da nova e moderna confeitaria atrasou em quase um ano. Dizem
que o nome “Imperial” será mantido. Estamos torcendo para
que tudo isso aconteça logo, já que o Armazém
do Pão fabrica os famosos “pastéis
de Belém” (ou de nata), docinho de ovos originário do Mosteiro dos
Jerônimos, em Belém, uma tradição portuguesa principiada em 1837.
Vertendo lágrimas pela perda da Imperial,
na trilha sonora, “Choro em
Adágio”, de Alexandre Guerra, saxes alto e soprano;
Paulo César Paschoal, violino; Luiz Carlos Amorim, violão de 7 cordas; Milton
de Mori, cavaquinho e bandolim; e Betinho Sodré, percussão.
Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)
Fernando Moura Peixoto (ABI 0952-C)







1 comentário:
Essa padaria ainda tem o nome de padaria imperial e funciona no mesmo lugar. Real grandeza com voluntários da pátria.
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