domingo, 15 de março de 2026

Botafogo 0x3 Flamengo - aguarda-se decisão rápida e esclarecida

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo deve ser o único clube do mundo que tendo Acionista maioritário, treinador, centroavante e goleiro, consegue jogar (muito mal, claro) sem acionista maioritário, sem treinador, sem centroavante e sem goleiro.

O acionista maioritário tem-se mostrado um nômada do futebol e incapaz de gerir um barco à reviva no qual não instalou bússola; o treinador é um trapalhão sem ideias que tem insistido num esquema inadequado aos atletas e que os escala em posições improvisadas nas quais não conseguem desenvolver o seu melhor futebol; os centroavantes são, um, uma nulidade de 15M€, outro, bem próximo de uma nulidade de 10M€; após a venda de John os goleiros já falharam todos bisonhamente, e contra o Flamengo foi finalmente a vez de Raul mostrar-se sem reflexos de bom goleiro.

O Mundo Botafogo apontou, na rubrica ‘mercado de contratações’ para os eventuais problemas a considerar especialmente nos casos de Anselmi, Neto e Arthur Cabral, que são três peças fundamentais – goleiro para evitar gols, centroavante para marcar gols, treinador para comandar o coletivo.

Particularmente no caso de Anselmi é espantosa a inércia de John Textor, quando por muito menos demitiu Bruno Lage e Renato Paiva e deixou sair Luís Castro e Artur Jorge sem um único esforço para permanecerem.

O ‘muito menos’ é objetivo: em 16 jogos Anselmi venceu 6, empatou 2 e perdeu 8 – míseros 41,7% de aproveitamento. Pior do que isso é que Anselmi defrontou equipes ‘grandes’ 7 vezes e perdeu 6, o que significa que, fora o Cruzeiro de Tite, Anselmi só venceu contra equipes modestas e perdeu todos os clássicos cariocas.

E o tal futebol de “ataque, ataque, ataque”, anunciado por Textor e Anselmi, mostra um saldo de gols de 19-18 no 16 jogos, isto é, praticamente o mesmo número de gols marcados e sofridos (19-18) e uma ‘veia goleadora’ de 1,18 gols por partida.

Do Botafogo Renascido durante três anos de boa gestão, Textor derivou para uma gestão financeira e de transferências (de saídas e entradas) que nos está a legar um Botafogo Ruinoso e, provavelmente, um novo transferban no horizonte que nos pode asfixiar por muito tempo.

Contra o Flamengo o treinador efetuou alterações de última hora no esquema tático, tornou a improvisar atletas e falhou ao longo de toda a partida. Anselmi declarou, em coletiva, que “quando o time perde, o técnico é burro; hoje sou um burro.” Consequentemente, Anselmi assumiu a sua ‘burrice’ em metade dos jogos que disputou.

Será isso suficiente para John Textor o demitir e nomear interinamente Rodrigo Bellão ou insistirá numa solução sem soluções?

Do jogo em si há que dizer que o Botafogo apresentou-se positivamente nos minutos iniciais, mas durou 10 minutos apenas. Tinha posse de bola, mas o Flamengo era mais objetivo, esperava a oportunidade bem à moda de Leonardo Jardim e, aos 12’, inaugurou o marcador depois de a bola desviar em Bastos e ir para o fundo das redes.

Tranquilamente o Flamengo deixou a posse de bola para o Botafogo, controlando o seu adversário para que a posse de bola fosse inócua. E foi. Anselmi ainda não percebeu que com o seu esquema tático a sua ideia fantasista de “ataque, ataque, ataque” com posse de bola fútil não se adequa à equipe no contexto atual. A solução real seria montar uma defesa muito segura, dar a posse de bola aos adversários mais fortes e atacar na certa em transições rápidos – foi assim que Castro nos levou à liderança disparada do Brasileirão em 2023; foi assim que o Barcelona nos eliminou da Libertadores com menos de 20% de posse de bola.

Até que aos 45+1’, Alexander Barboza, que namora permanentemente o cartão amarelo na fronteira do cartão vermelho, foi mais uma vez ultrapassado como último homem, agarrou Pedro, foi marcada falta à entrada da área e consequentemente expulsão de Barboza, que ainda assim, nervoso durante a partida e descontroladamente exaltado, reclamou ostensivamente com o árbitro já depois da expulsão, tê-lo-á ofendido e provavelmente agravará a sua expulsão, que talvez possa ser um bem, já que Barboza joga cada vez menos, exalta-se cada vez mais comprometendo a equipe e parece que não querer mesmo renovar o contrato – e o Botafogo não sentirá a falta de quem não quer estar no Clube.

A cobrança de falta deu gol, com Raul mal posicionado a saltar atrasado para a bola – intervalo com 0x2 no placar e um homem a menos.

Na 2ª parte o Flamengo selou o placar aos 48’ perante falha da zaga, que não conseguiu acompanhar os atacantes do Flamengo. Se no 1º tempo o Botafogo teve a posse de bola sem resultado, no 2º tempo foi o rubro-negro que com o placar muito favorável geriu o resto da partida com Anselmi sem soluções.

Resultado justo para o caso concreto de um técnico sem ideias realistas e incapaz de entender o atual contexto do nosso futebol e dos jogos em si.

Em suma, Bellão como o interino é uma solução rápida e de curto prazo. Embora só tenha treinado equipes de base, cujos jogadores o tratam como se fosse um pai e Bellão os trata por ‘filho’, o que não pode, ou não deve, acontecer numa equipe profissional, é bem verdade que Bellão tem mais deias do que o oásis de ideias de Anselmi – e transitoriamente pode ser a melhor solução.

Porque o Botafogo precisa de uma solução rápida e radical para não ficar fora do mapa.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino 12’/1ºT (0-1), Léo Pereira 46’/1ºT (0-2) e Pedro 3’/2ºT (0-3)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 14.03.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 14.789 pagantes; 16.176 espectadores

» Renda: R$ 628.290,00

» Árbitro: Anderson Daronco (RS); Assistentes: Rafael da Silva Alves (RS) e Brígida Cirilo Ferreira (AL); Var: Rodrigo D’Alonso Ferreira (/SC)

 » Disciplina – cartão amarelo – Alexander Barboza, Allan, Arthur Cabral e Martín Anselmi – técnico (Botafogo) e Pulgar e Jorginho (Flamengo); cartão vermelho – Alexander Barboza (Botafogo)

» Botafogo: Raul; Vitinho, Bastos, Alexander Barboza e Alex Telles; Allan (Newton), Cristian Medina e Danilo (Edenílson); Jordan Barrera (Mateo Ponte), Matheus Martins (Ferraresi) e Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Martín Anselmi.

» Flamengo: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira (Vitão) e Alex Sandro (Ayrton Lucas); Pulgar (Evertton Araújo), Jorginho (Luiz Araújo) e Lucas Paquetá; Carrascal (Plata), Samuel Lino e Pedro. Técnico: Leonardo Jardim.

4 comentários:

jornal da grande natal disse...

Do jeito que vai pode encomendar o rebaixamento. O BFR não tem nem "estrelas" em campo. A única é a Gloriosa do escudo na camisa!

Sergio disse...

O inacreditável caso do gestor que tirou o futebol do Botafogo do buraco, deu dois títulos importantes para o clube, sendo um deles o mais importante da sua história, mas a vaidade, por isso essa ineficiência do gestor, coloca novamente o clube num buraco, que pelo andar da carruagem parece não ter fim.
Interessante você citar o Bellão, pois eu ontem após o jogo pensei exatamente a mesma coisa. Vou escrever o que já escrevi diversas vezes: o bom treinador é aquele que monta um esquema de acordo com os jogadores que tem e não tentar adaptar os jogadores a um esquema da sua cabeça. O que o Botafogo apresentou ontem é o resultado de um treinador completamente perdido, goleiro fraco, na minha opinião falhou no gol de falta, bola defensável. Temos um centroavante nulo, e para coroar o desastre, um time sem alma.
Ou o Botafogo toma uma atitude drástica e urgentes ou então a vava vai pro brejo com soninho e tudo, como diria o saudoso João Saldanha.
E o que dizer do nervosismo do Barboza, a falta que dei origem ao segundo gol foi completamente desnecessária.
Infelizmente o Botafogo, nome derivado de uma navio de guerra portugues, está com seu poder de fogo nulo, e a deriva. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

A continuar assim, sim, Vanilson. Algo radical tem que ser feito. Porém, até agora estamos nas mãos do acionista maioritário e nunca se consegue projetar qual vai ser a direção tomada, se vai no sentido dos interesses desportivos do Clube ou no sentido dos seus interesses financeiros ou ao sabor dos humores/comportamentos.

Levou-nos ao céu, está nos devolvendo o inferno. Esperemos que seja tomado pela lucidez em favor do Clube que diz amar.

Abraços Gloriosos.

Ruy Moura disse...

Justamente, Sergio, a eficácia de gestão durante três anos transformou-se numa ineficiência desastrosa de decisões caóticas que o colocam a grande barcaça alvinegra à deriva.

O 2º gol era defensável, sim; quanto ao Barboza, creio que se descontrola como se fosse um rapazola porque também não há quem controle agora o Botafogo. Já devia ter levado um bom raspanete do treinador e do departamento de futebol pelos seus comportamentos prejudiciais à equipe.

O Bellão podia ser interino, mas não o treinador principal, porque talvez se 'queimasse' extemporaneamente. Mas como interino acredito que trazia seriedade, modéstia e incutia uma alma à equipe.

Abraços Gloriosos.

Hugo Ibeas, o grande patrono do remo alvinegro

Crédito: botafogofrsocialolimpico.com.br por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo O Dr. Hugo Ibeas é uma das figuras históricas ligadas ...