“Mas vamos
nos lembrar um pouco do sr. Carlito Rocha, que foi na realidade a figura mais
característica e pitoresca do “meu Botafogo”. A figura dele era a de um pai,
com todas as suas crenças e crendices. Houve coisas dessa pessoa maravilhosa
que ficaram famosas: o mel, a gemada, as vitaminas que nos eram dadas na boca,
a reza na capela, na entrada da nossa sede, o cachorro Biriba de mascote e o
ele mais levava a sério – a superstição. É por isso que até hoje o Botafogo é conhecido
como um clube supersticioso. Tudo começou com ele. Se o Cristo redentor estava
encoberto pela neblina e era dia de jogo, ele já ficava preocupado: dizia que
íamos perder porque o Cristo não podia olhar pelo Botafogo. Se entrasse num
táxi e o motorista desse marcha à ré, ele pedia para parar e saltava do carro.
Costumava polvilhar-se de açúcar, pois achava que isso dava sorte. Às vezes, um
bajulador qualquer entrava no vestiário e, querendo agradá-lo, limpava o
açúcar. Pronto, a confusão estava formada.” – Nilton Santos, património eterno do Botafogo – Placar Magazine, 24.09.1982.
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