sexta-feira, 11 de março de 2022

Fragmentos ‘futebol do botafogo 1961-1965’: do adeus dos maiores dirigentes do Botafogo à oposição de Saldanha… [70]

por CARLOS VILARINHO

especialmente para o Mundo Botafogo

sócio-proprietário e historiador do Botafogo de Futebol e Regatas

[A narração que se segue reporta-se ao II Volume da coleção ‘O Futebol do Botafogo’ e ao ano de 1963]

Na segunda-feira (dia 2 de dezembro), a Diretoria discutiu a formação da próxima chapa, chegando a um nome de consenso: Ney Cidade Palmeiro. Brandão Filho, Nelson Mufarrej, Octávio Pinto Guimarães e Paula Ramos disputariam as vice-presidências. Com a eleição (certa) de Brandão Filho, João Citro assumiria a diretoria de futebol no lugar de Estellita. A troca será mal recebida por um grupo de jornalistas (Saldanha à frente), cuja ostensiva má vontade evoluirá para feroz oposição.

Na mesma segunda-feira, Gosling admitiu curar o joelho de Garrincha sem bisturi, mas pediu novas radiografias a Lídio Toledo. Tendo treinado muito bem na outra quarta-feira (dia 27), Mané voltou a se destacar no coletivo de quinta-feira, dia 5, desta vez, entre os titulares, no lugar de Jairzinho, que não treinou, alegando dores no tornozelo. Três dias antes, ele recusara as bases salariais oferecidas por Estellita. Uma coisa interferiu na outra. Manga, com o joelho inchado, também ficou de fora. Nilton Santos sentiu dores no músculo da perna direita e deixou o coletivo logo no início. Na sexta-feira, na raça, ele e Manga garantiram a Paraguaio que enfrentariam o América. Jairzinho avisou que só voltaria a jogar após a eleição do novo presidente.

Na manhã de sábado, dentro dos festejos do 21º aniversário do Botafogo FR, foram inauguradas as restantes dependências do Mourisco, incluindo uma homenagem à Marinha de Guerra, cujo comandante, almirante Silvio Mota, fez a entrega oficial ao Botafogo de monumental mastro que pertencera ao Navio Escola Saldanha da Gama, o mais belo veleiro da Marinha do Brasil.

À tarde, para conservar suas esperanças (mínimas), o Botafogo teria de vencer e torcer pela vitória do Olaria sobre o Flamengo (na Rua Bariri) e pelo empate entre Bangu e Fluminense. Aos 20, o lateral esquerdo Silvio corta um passe com a mão: pênalti. Quarentinha põe na marca e converte, mas Wilson Lopes de Souza manda repetir porque alguém do América invadiu. Quarentinha repete com a mesma violência e faz 1x0. Aos 35, completando boa trama, Abel entra na carreira para empatar: 1x1.

Na fase final, aos 12, Nilton Santos reclama de uma falta violenta sofrida por Rildo, sendo expulso de campo. Para piorar, aos 20, Roberto sofreu grave contusão e deixou a partida. Reduzido a 9 jogadores, o Botafogo ainda resistiu algum tempo na base da raça. Rildo, por exemplo, foi jogar na ponta direita. Porém, Fernando Cônsul (aos 26) e João Carlos (aos 35) não deixaram por menos: 1x3.

Com a derrota do Bangu (1x3 Fluminense) e a vitória do Flamengo (Olaria 1x2), o Bangu também saiu do páreo: Flamengo (38 pg); Fluminense (37 pg); Bangu (36 pg); Botafogo (33 pg).

Na noite de sexta-feira, em General Severiano, o Botafogo custou a furar a muralha cadete, mas encerrou com vitória sua participação no campeonato. O fator decisivo foi a decisão de Nilton Santos de fixar-se no ataque. Aos 26 do segundo tempo, Jair Bala fez 1x0. Aos 39, Othon venceu Franz (excelente) pela segunda vez e selou a vitória: 2x0.

O Bangu voltou a perder (0x2 Vasco) e acabou em 3° lugar (36 pg). Marcial garantiu o 0x0 e o Flamengo, o título. O Botafogo terminou num melancólico 4° lugar (35 pg).

Na segunda-feira, o Botafogo sagrou-se undecacampeão carioca de levantamento de peso (1953-1963).

À noite, Ney Palmeiro (120 votos) foi eleito presidente para o biênio 1964-1965, ao lado de Brandão Filho (120 votos), Nelson Mufarrej (78 votos) e Octávio Pinto Guimarães (73 votos). Paula Ramos (55 votos) não foi eleito, mas se contentou com a diretoria de Comunicação, onde introduzirá o informativo quinzenal (ágil e combativo), paralelamente à transformação do antigo boletim em revista. O Botafogo seguirá em frente, agora, sem o comando direto de seus mais importantes dirigentes, Paulo Azeredo e Sergio Darcy.

07/12/1963 – 1x3 América, gol de Quarentinha. Time: Manga, Joel, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo, Élton e Arlindo, Roberto, Amoroso, Quarentinha e Othon.

13/12/1963 – 2x0 São Cristóvão, gols de Jair Bala e Othon. Time: Manga, Joel, Zé Maria, Nilton Santos e Rildo, Élton e Arlindo, Amoroso, Jair Bala, Quarentinha e Othon.

A Obra pode ser adquirida através do endereço: https://www.mauad.com.br

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