por RUY MOURA |
Editor do Mundo Botafogo
Recentemente recordei aqui a antiga, singela
e realista frase de Augusto Frederico Schmidt: “O Botafogo tem a vocação do
erro.”
Foi intencional. Anunciava o encerramento de
uma Era efêmera que marcara um novo Tempo de Botafogo. Que se foi com a mesma
rapidez que chegou. Porque John Textor encarnou a famosa frase de Augusto
Frederico Schmidt e executou-a tão ‘perfeitamente’ que a vitoriosa SAF
tornou-se objetivamente nuvem que voa e em sonho desfeito como a neve, erro de
vocação que gerou um novo e mais recente erro: o regresso do Botafogo Social a
influenciar decisivamente o futebol, apesar de ser minoritário, enquanto o
investidor se anula nas decisões, e o retorno aos tempos das administrações
amadoras que nos valeram três descidas de divisão chegou a passos largos.
E o que isso tem a ver com o jogo de
ontem?... Tudo! – direi eu.
1 – Franclim Carvalho não deveria ter sido
demitido antes de se encontrar uma solução forte, experiente e vitoriosa para o
comando técnico, já que o seu historial não era negativo e a goleada sofrida na
Sula fora circunstancial, agravada por o departamento de futebol ter enviado o
elenco apenas na véspera do jogo e o técnico estar mal informado sobre os
efeitos das condições climáticas da região, errando assim a escalação.
2 – Rodrigo Bellão tem feito um grande
trabalho nas bases do Botafogo e possui condições para ser promovido a
coordenador geral das bases – jamais a técnico principal atualmente. Bellão tem
basicamente experiência de gerir jovens e ainda não está preparado para gerir
um tempo de crise na equipe principal. Além disso, Bellão não tinha historial anterior
relevante como interino, já que trazia do passado botafoguense como interino 3
vitórias e 2 derrotas, sendo as derrotas para o Sampaio Corrêa pelo Carioca e
uma goleada de 4x1 imposta pelo Athletico-PR, ao que se junta agora 1 vitória e
2 derrotas, tomando 6 gols nos últimos dois jogos e não conseguindo montar a
defesa adequadamente. Efetivamente, errou a estratégia inicial, como ele
próprio mencionou, errou o alinhamento da defesa excessivamente alta e precisa
de mais tempo de preparação para eventualmente assumir a equipe principal do Glorioso
no futuro. A decisão equivocada pode valer-lhe ser ‘queimado’ na sua carreira –
o que seria lamentável pelo homem que é e pelo profissional que pode vir a ser
no futuro.
3 – Danilo não deveria ter estado sequer em
campo. Quando um atleta de alto nível está contrariado num clube é difícil
mantê-lo assegurando uma boa performance. O Botafogo rejeitou 28 milhões de
euros por Danilo, arriscando o que está acontecendo agora com o seu desempenho,
enquanto com esse valor poderia ter adquirido dois atacantes para reforçar a
linha da frente e ainda sobrava dinheiro – evidenciando que nem o departamento
de futebol nem o novo investidor percebem realmente dos meandros do futebol.
Danilo deveria ter saído há semanas para bem de todos – porque agora o mal é de
todos.
4 – A contratação de Warleson e Gabriel
Barbosa foram, em minha opinião, temerárias, porque no historial de ambos
constam defeitos significativos. Tanto Gabriel Barbosa como Warleson já
falharam mais do que uma vez em tão pouco tempo, e Gabriel Barbosa tomou ontem
mais dois gols entre as pernas. Um goleiro é a peça principal de uma equipe,
muito mais importante do que um atacante, porque se este pode falhar e emendar
o erro na jogada seguinte marcando gol, o goleiro não pode anular os gols que
tomou por culpa própria.
5 – O departamento de futebol já deveria ter
iniciado uma reformulação radical, porque tem sido totalmente omisso em
matérias importantes, assim como deveria ter sido evitada a nomeação de
dirigentes ex-Boavista, porque quer se queira, quer não, independentemente da
qualidade dos nomeados, a proximidade da decisão a um passado recente é sinal
de um regresso que os botafoguenses não querem.
Já agora cito outros eventuais equívocos – e
neste caso refiro-me apenas a rumores de redes sociais e que podem não ser
verdadeiros –, tais como considerar a possibilidade de contratar o técnico Ney
Franco, cujo historial não o recomenda, e que a hipótese de contratar Renato ‘Churrasco’ Gaúcho é uma afronta ao Glorioso e
certamente será apenas rumor. Tanto quanto sei, há técnicos em toda a América
do Sul credenciados e atualmente livres no mercado com capacidade para comandar
o Botafogo.
Em suma,
o Botafogo de ontem já poderia ter sido outro, mais reforçado e capaz de
enfrentar o Flamengo olhos nos olhos, algo que não aconteceu.
Nos
primeiros minutos parecia que a equipe estava bem, e até marcou um gol que foi
anulado. Aliás, sobre essa anulação, quero deixar a minha perspectiva: a bola
bateu na mão de apoio de Arthur Cabral quando a própria mão já estava caindo e,
sendo assim, o gol não é passível de anulação. Por outro lado houve uma jogada
em que ficaram sérias dúvidas no que respeita a uma grande penalidade sobre
Vitinho que deveria ter sido alvo de revisão, bem como o ‘carrinho’ sobre
Edenilson. Porém, claro, sabemos quem era o VAR nomeado, não é?... E a
propósito de VAR, a CBF mostrou bem como despreza o Botafogo ao nomear tal
senhor para os nossos jogos, evidenciando que o Botafogo de Futebol e Regatas –
seja o dito Social, seja a SAF – é novamente entidade de voz nula na CBF.
Logo após
o gol anulado o Flamengo inaugurou o marcador e o Botafogo amedrontou-se,
encolheu-se, deixou o jogo para o Flamengo e Bellão sem saber o que fazer com a
estratégia que montou. O rubro-negro poderia muito bem ter selado a vitória na
primeira parte, mas não está nos seus melhores momentos e o Botafogo poderia
ter aproveitado isso se os erros de gestão não tivessem sido cometidos
anteriormente.
Na
segunda parte a equipe melhorou, mas quando o melhor jogador em campo é Arthur
Cabral, o que se pode dizer da equipe?...
O
Botafogo foi buscar o empate, lançou-se a ataque, mas não criou verdadeiramente
grandes oportunidades, e simultaneamente desorganizou a defesa, permitindo ao
Flamengo fazer o que queria na parte final do desafio – atacar velozmente
contando com a lentidão da linha de defesa, marcar mais dois gols e sacramentar
com uma vitória excessiva face ao que fora feito em campo.
Vitória
justa por demérito nosso.
Vida que
segue… temerariamente…
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x3 Flamengo
» Gols: Samuel Lino, aos 12’ e 85’, e Carrascal, aos 89’
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 30.08.2026
» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
» Público: 61.934 pagantes; 65.970 espectadores
» Receita: R$ 5.770.680,00
» Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ); Assistentes: Rodrigo
Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Daniel Nobre
Bins (RS)
» Disciplina: cartão amarelo – Marçal e Justino
» Botafogo: Gabriel Batista; Ferraresi, Justino e Marçal;
Vitinho (Lucas Villalba), Huguinho, Edenílson (Cristian Medina), Danilo, Álvaro
Montoro (Danilo Pereira) e Alex Telles (Lucas Monzón); Arthur Cabral (Júnior
Santos). Técnico: Rodrigo Bellão.
» Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira
e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Carrascal); Luiz Araújo (Lucas
Paquetá), Pedro (Everton Cebolinha) e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.

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