segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Botafogo 0x3 Flamengo – a vocação do erro…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Recentemente recordei aqui a antiga, singela e realista frase de Augusto Frederico Schmidt: “O Botafogo tem a vocação do erro.”

Foi intencional. Anunciava o encerramento de uma Era efêmera que marcara um novo Tempo de Botafogo. Que se foi com a mesma rapidez que chegou. Porque John Textor encarnou a famosa frase de Augusto Frederico Schmidt e executou-a tão ‘perfeitamente’ que a vitoriosa SAF tornou-se objetivamente nuvem que voa e em sonho desfeito como a neve, erro de vocação que gerou um novo e mais recente erro: o regresso do Botafogo Social a influenciar decisivamente o futebol, apesar de ser minoritário, enquanto o investidor se anula nas decisões, e o retorno aos tempos das administrações amadoras que nos valeram três descidas de divisão chegou a passos largos.

E o que isso tem a ver com o jogo de ontem?... Tudo! – direi eu.

1 – Franclim Carvalho não deveria ter sido demitido antes de se encontrar uma solução forte, experiente e vitoriosa para o comando técnico, já que o seu historial não era negativo e a goleada sofrida na Sula fora circunstancial, agravada por o departamento de futebol ter enviado o elenco apenas na véspera do jogo e o técnico estar mal informado sobre os efeitos das condições climáticas da região, errando assim a escalação.

2 – Rodrigo Bellão tem feito um grande trabalho nas bases do Botafogo e possui condições para ser promovido a coordenador geral das bases – jamais a técnico principal atualmente. Bellão tem basicamente experiência de gerir jovens e ainda não está preparado para gerir um tempo de crise na equipe principal. Além disso, Bellão não tinha historial anterior relevante como interino, já que trazia do passado botafoguense como interino 3 vitórias e 2 derrotas, sendo as derrotas para o Sampaio Corrêa pelo Carioca e uma goleada de 4x1 imposta pelo Athletico-PR, ao que se junta agora 1 vitória e 2 derrotas, tomando 6 gols nos últimos dois jogos e não conseguindo montar a defesa adequadamente. Efetivamente, errou a estratégia inicial, como ele próprio mencionou, errou o alinhamento da defesa excessivamente alta e precisa de mais tempo de preparação para eventualmente assumir a equipe principal do Glorioso no futuro. A decisão equivocada pode valer-lhe ser ‘queimado’ na sua carreira – o que seria lamentável pelo homem que é e pelo profissional que pode vir a ser no futuro.

3 – Danilo não deveria ter estado sequer em campo. Quando um atleta de alto nível está contrariado num clube é difícil mantê-lo assegurando uma boa performance. O Botafogo rejeitou 28 milhões de euros por Danilo, arriscando o que está acontecendo agora com o seu desempenho, enquanto com esse valor poderia ter adquirido dois atacantes para reforçar a linha da frente e ainda sobrava dinheiro – evidenciando que nem o departamento de futebol nem o novo investidor percebem realmente dos meandros do futebol. Danilo deveria ter saído há semanas para bem de todos – porque agora o mal é de todos.

4 – A contratação de Warleson e Gabriel Barbosa foram, em minha opinião, temerárias, porque no historial de ambos constam defeitos significativos. Tanto Gabriel Barbosa como Warleson já falharam mais do que uma vez em tão pouco tempo, e Gabriel Barbosa tomou ontem mais dois gols entre as pernas. Um goleiro é a peça principal de uma equipe, muito mais importante do que um atacante, porque se este pode falhar e emendar o erro na jogada seguinte marcando gol, o goleiro não pode anular os gols que tomou por culpa própria.

5 – O departamento de futebol já deveria ter iniciado uma reformulação radical, porque tem sido totalmente omisso em matérias importantes, assim como deveria ter sido evitada a nomeação de dirigentes ex-Boavista, porque quer se queira, quer não, independentemente da qualidade dos nomeados, a proximidade da decisão a um passado recente é sinal de um regresso que os botafoguenses não querem.

Já agora cito outros eventuais equívocos – e neste caso refiro-me apenas a rumores de redes sociais e que podem não ser verdadeiros –, tais como considerar a possibilidade de contratar o técnico Ney Franco, cujo historial não o recomenda, e que a hipótese de contratar Renato ‘Churrasco’ Gaúcho é uma afronta ao Glorioso e certamente será apenas rumor. Tanto quanto sei, há técnicos em toda a América do Sul credenciados e atualmente livres no mercado com capacidade para comandar o Botafogo.

Em suma, o Botafogo de ontem já poderia ter sido outro, mais reforçado e capaz de enfrentar o Flamengo olhos nos olhos, algo que não aconteceu.

Nos primeiros minutos parecia que a equipe estava bem, e até marcou um gol que foi anulado. Aliás, sobre essa anulação, quero deixar a minha perspectiva: a bola bateu na mão de apoio de Arthur Cabral quando a própria mão já estava caindo e, sendo assim, o gol não é passível de anulação. Por outro lado houve uma jogada em que ficaram sérias dúvidas no que respeita a uma grande penalidade sobre Vitinho que deveria ter sido alvo de revisão, bem como o ‘carrinho’ sobre Edenilson. Porém, claro, sabemos quem era o VAR nomeado, não é?... E a propósito de VAR, a CBF mostrou bem como despreza o Botafogo ao nomear tal senhor para os nossos jogos, evidenciando que o Botafogo de Futebol e Regatas – seja o dito Social, seja a SAF – é novamente entidade de voz nula na CBF.

Logo após o gol anulado o Flamengo inaugurou o marcador e o Botafogo amedrontou-se, encolheu-se, deixou o jogo para o Flamengo e Bellão sem saber o que fazer com a estratégia que montou. O rubro-negro poderia muito bem ter selado a vitória na primeira parte, mas não está nos seus melhores momentos e o Botafogo poderia ter aproveitado isso se os erros de gestão não tivessem sido cometidos anteriormente.

Na segunda parte a equipe melhorou, mas quando o melhor jogador em campo é Arthur Cabral, o que se pode dizer da equipe?...

O Botafogo foi buscar o empate, lançou-se a ataque, mas não criou verdadeiramente grandes oportunidades, e simultaneamente desorganizou a defesa, permitindo ao Flamengo fazer o que queria na parte final do desafio – atacar velozmente contando com a lentidão da linha de defesa, marcar mais dois gols e sacramentar com uma vitória excessiva face ao que fora feito em campo.

Vitória justa por demérito nosso.

Vida que segue… temerariamente…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x3 Flamengo

» Gols: Samuel Lino, aos 12’ e 85’, e Carrascal, aos 89’

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 30.08.2026

» Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 61.934 pagantes; 65.970 espectadores

» Receita: R$ 5.770.680,00

» Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ); Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Luiz Claudio Regazone (RJ); VAR: Daniel Nobre Bins (RS)

» Disciplina: cartão amarelo – Marçal e Justino

» Botafogo: Gabriel Batista; Ferraresi, Justino e Marçal; Vitinho (Lucas Villalba), Huguinho, Edenílson (Cristian Medina), Danilo, Álvaro Montoro (Danilo Pereira) e Alex Telles (Lucas Monzón); Arthur Cabral (Júnior Santos). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Flamengo: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Jorginho e Arrascaeta (Carrascal); Luiz Araújo (Lucas Paquetá), Pedro (Everton Cebolinha) e Samuel Lino. Técnico: Leonardo Jardim.

Sem comentários:

Botafogo 0x3 Flamengo – a vocação do erro…

Crédito: Vitor Silva | Botafogo. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo Recentemente recordei aqui a antiga, singela e realista frase ...