segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Botafogo 0x0 Palmeiras

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

Botafogo x Palmeiras foi um jogo agradável de seguir pela boa movimentação de ambas as partes, mas a eficácia ficou bastante a desejar.

O Botafogo entrou bem no jogo e logo aos 3’ Álvaro Montoro acionou o gigante Carlos Miguel num bom remate, mas praticamente à figura do arqueiro.

Entretanto, como é seu costume, o Palmeiras passou a girar a bola com paciência procurando uma falha da defesa alvinegra, mas faltou-lhe afinação no remate e acerto no último passe, enquanto o Botafogo procurava, sem grande sucesso, os lançamentos longos, sobretudo através de Montoro, que teve novamente uma boa atuação – mas o ataque não primava em aproveitar os passes mais disruptivos do jovem atleta.

Disso foi exemplo quando, aos 27’, Danilo arrancou pela ala esquerda, serviu Montoro no meio, que endossou uma bola espetacular para Lucas Villalba ficar sozinho frente a frente com o goleiro palmeirense, desperdiçando incrivelmente a melhor oportunidade de gol do Botafogo em toda a partida.

A partir da ½ hora de jogo o Palmeiras ganhou finalmente maior ascendente através da posse de bola, mas a dificuldade de entrar na área do Botafogo era enorme, e no seguimento da anulação da jogada alviverde o Botafogo tentava contra-ataques rápidos e agressivos, mas também sem efeito pela prioridade dada ao chutão para a frente, devido à dificuldade de sair da defesa com a bola dominada.

Pressentia-se que o Botafogo estava bem melhor organizado do que nos últimos jogos e que a paciência do Palmeiras traduzia-se em futebol sem criatividade e consequentemente pouco eficaz.

No segundo tempo o Palmeiras entrou melhor em busca do gol com um contra-ataque muito perigoso aos 50’ e pouco depois, aos 56’, Gabriel Batista fez a defesa da noite travando uma forte cabeçada de Maurício, que levava selo de gol na melhor oportunidade do Palmeiras em toda a partida.

Porém, foi um controlo pouco sistemático, pelo que, fora esses minutos iniciais, o padrão de jogo não se alterou: o Palmeiras em posse de bola fútil; o Botafogo procurando mais a velocidade para romper a defesa alviverde.

Porém, o resultado mostrava-se igualmente ineficaz para ambos os lados, apesar de o jogo ser bastante movimentado, na medida em que ficou mais partido e com mais espaços devido à vontade de ambas as equipes em conseguir vantagem no marcador.

Ficou, também, menos tático e esclarecido após as substituições operadas pelos dois treinadores. O Palmeiras caiu claramente de produção após as substituições aos 62’, enquanto o Botafogo perdeu criatividade ao substituir os seus dois jogadores mais criativos, em especial Arthur Cabral, que deu lugar a Kadir – e na verdade quem deveria ter sido substituído era Danilo Pereira que realizou uma má partida.

Por outro lado, as entradas de Edenílson e Cristian Medina, no lugar de Danilo e Montoro (cansado), aos 77’, permitiram melhorar a marcação e manter o Palmeiras em sentido, sem chances de gol.

No entanto, por via dessas substituições, a partida começou a ser algo entediante, com o Palmeiras mastigando muito o jogo com a bola em sua posse e o Botafogo travando com facilidade as chegadas à sua área.

Tudo parecia encaminhar-se para o empate justo, tal como efetivamente ocorreu. Talvez pudesse ter sido 1x1, em vez de 0x0, mas os goleiros também estão nos seus postos para assegurar, tanto quanto possível, as redes zeradas.

Em suma, o Botafogo foi mais organizado e competitivo contra o Palmeiras, anulando lucidamente os ataques adversários, enquanto os paulistas já tiveram tempos de maior criatividade e assédio às balizas adversárias.

No entanto, padecemos do mesmo de há bastante tempo: os nossos atacantes não possuem a técnica decisiva que permite resolver os desafios a nosso favor. Nos últimos 10 jogos no Brasileirão convertemos apenas 8 gols – e nem todos marcados por atacantes e meio-campistas.

No final, dois realces: a expulsão de Alexander Barboza fez jus às sistemáticas entradas violentas de antes e de agora; Marlon Freitas fez jus ao seu futebol sistematicamente para os lados, e para trás, e aos seus remates apontados à arquibancada – nunca foi diferente disso.

Vamos caminhando. Na esperança que Gabriel de Alba seja lúcido, algo que ainda não vimos traduzido na prática.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 0x0 Palmeiras

» Gols: –

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 06.09.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 15.503 pagantes; 16.981 espectadores

» Receita: R$ 664.790,00

» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE);

Assistentes: Francisco Chaves Bezerra Junior (PE) e Karla Renata Cavalcanti de Santana (PE)

VAR: Gilberto Rodrigues Castro Junior (PE)

» Disciplina: cartão amarelo – Arthur Cabral, Marçal e Álvaro Montoro (Botafogo) e Alexander Barboza e Marlon Freitas (Palmeiras); Cartão vermelho – Alexander Barboza (Palmeiras)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Lucas Monzón e Marçal; Lucas Villalba (Júnior Santos), Huguinho, Danilo (Edenílson) e Álvaro Montoro (Cristian Medina); Danilo Pereira e Arthur Cabral (Kadir). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Palmeiras: Carlos Miguel; Giay (Khellven), Gustavo Gómez, Alexander Barboza e Piquerez; Marlon Freitas, Lucas Evangelista (Vítor Roque) e Andreas Pereira (Larson); Felipe Anderson (Emiliano Martínez), Flaco López e Mauricio (Jhon Arias). Técnico: Abel Ferreira.

2 comentários:

Sergio disse...

A defesa melhorou, mas falta ataque ao time do Botafogo. Gostei da luta do time. O gol perdido pelo fraquíssimo Villalba foi de doer. Quem pediu essa contratação?
Apesar da atuação do Artur Cabral ter sido razoável, sendo inclusive aplaudido quando substituídos, eu acho que ele está sendo usado de forma equivocada no ataque, não tem velocidade e não é jogador para jogar pelos lados do campo, vejo o Cabral como jogador para jogar enfiado, e verdade seja dita, qual foi a grande oportunidade ele teve para finalizar? Na minha visão o problemas maior do time é a falta de jogadores que atuem pelas extremas, o que temos são muito fracos.
O fato incontestável é que a montagem do elenco foi muito mal feita, assim como as vendas equivocadas. Aquele papo do Textor de vender muito e comprar muito foi papo pra boi dormir. A base do time vencedor de 2024 foi sendo sistematicamente desmontada e as contratações muito abaixo do que deveriam ser. Mas o que se pode fazer se o antigo maior acionista fez o que fez.
A torcida agora é que venham contratações que possam amenizar os problemas do time e que sobretudo o Botafogo se mantenha na primeira divisão. Penso que esse é o principal objetivo, mas se acontecer algo a mais, será lucro. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Eu creio que não temos ataque há meses. Uma parte significativa de gols na temporada foi feita pelos defensores.

E sim, o Arthur Cabral não tem velocidade não joga pelas laterais. Deveria ser jogador de área, mas tem fracassado nessa função, então arrumaram-no para um sítio que não é cômodo para ele.

A montagem do elenco fi feita à boa moda de JT: vender os melhores e comprar barato, aos montes e sem eficácia.

A 'coisa' está bem complicada para o nosso lado. O dito Botafogo Social (que na verdade é o Botafogo FR) é o que é, e o investidor da SAF está deixando tudo à solta em mãos alheias.

O sofrimento espreita... Meio da tabela já seria bom, por agora

Abraços Gloriosos.

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