quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Botafogo 3x2 Grêmio do 'Picareta Falante'

 O maestro. Crédito: Vitor Silva.

por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo

O Botafogo iniciou a partida com um sistema tático do tipo 4-4-2, com bastante liberdade de Álvaro Montoro para ocupar zonas interiores. A combinação Montoro - Danilo - laterais permitiu ao Botafogo dispor alternadamente de cruzamentos e ataques rápidos pelas alas com jogadas no corredor interior, sobretudo entre Montoro e Danilo, dificultando as marcações adversárias.

Foi desse modo que Rodrigo Bellão montou a estrutura inicial buscando o empate, visível logo de início através de remate de Álvaro Montoro, antes mesmo de completado o primeiro minuto, e pressionou o Grêmio com marcação alta na saída de bola, mas faltou a criação de oportunidades claras de gol e o Grêmio acabou por equilibrar a partida.

Aos 10’ Danilo tentou a sorte rematando de longa distância, mas Weverton defendeu, e aos 15’, Jovane Cabral, que é bom jogador, apareceu livre na grande área após cruzamento da linha de fundo e levou muito perigo à nossa baliza, chutando ao lado.

O jogo continuou movimentado, bola cá e bola lá, até que Danilo – que não fazia uma boa partida – aplicou uma caneta em Villasanti no meio-campo, lançou rapidamente Junior Santos, que serviu Montoro dentro da área, que quase não conseguiu dominar a bola, mas teve a lucidez de tocar ligeiramente para trás, e Danilo, na passada, com uma enorme naturalidade, meteu a bola no canto da baliza, fora do alcance Weverton, para inaugurar o marcador aos 29’. Botafogo 1x0.

Um gol que combinou claramente ataque rápido de Júnior Santos pela ala direita e jogo interior de Montoro - Danilo, mas, ainda assim, o Botafog afrouxou, como vem sendo habitual, e não conseguiu manter a pegada e aos 35’, em cobrança de falta inexistente, Jovane Cabral empatou a partida, com a bola resvalando em Júnior Santos e ganhando o ângulo da baliza de Gabriel Batista.

A primeira parte terminou com Vitinho furando novamente num belo passe de Montoro.

Na segunda parte, com Justino no lugar de Monzón e Danilo Pereira no lugar de Edenílson, o Botafogo entrou melhor, mais ofensivo, e aos 51’ Júnior Santos lançou Vitinho, que cruzou para o segundo pau e Álvaro Montoro, em grande estilo, matou no peito e fuzilou a baliza de Weverton. Botafogo 2x1.

Daí em diante o Botafogo conseguiu gerir melhor a partida, embora sem grandes oportunidades de gol, com as equipes errando passes de parte a parte, até que aos 78’, em novo ataque de pé em pé, Vitinho recebeu a bola pela direita, à entrada da área tocou para Montoro que endereçou outro belíssimo toque para trás, encontrando Danilo que, novamente na passada, encheu o pé e ampliou o placar. Botafogo 3x1.

Finalmente, os criativos meia-atacantes do Botafogo apareceram – quebrando jogos em que os defensores é que marcavam os gols –, em virtude de Bellão ter revisto o seu sistema de jogo com Danilo e Montoro recuados, para novamente aparecerem mais à frente furando a linha defensiva do Grêmio e desequilibrando o confronto.

Após o gol, a equipe, com menos poder de fogo, tendeu a recuar, o Grêmio aproveitou e buscou mais o ataque e aos 87’, numa cabeçada no meio da área, Gustavo Martins reduziu para o Grêmio. Botafogo 3x2.

Efetivamente o Botafogo perdeu capacidade de ataque com a substituição do maestro Montoro por Allan e de Arthur Cabral por Tiquinho Soares, que não segurou a bola na frente e errou passes elementares, e a equipe conheceu novamente o sufoco típico dos seus últimos minutos num jogo que parecia ganho. E o inevitável aconteceu: o Grêmio lutou e empatou aos 91’. Porém, a sorte esteve do nosso lado. Por milímetros a tecnologia semiautomática determinou impedimento do jogador gremista e o placar não se alterou.

Enfim, vitória muito importante, com o maestro Álvaro Montoro e o criativo rematador Danilo brilhando no ataque, mas que, ainda assim, não escondeu as deficiências da nossa equipe em matéria de consistência de jogo, não conseguindo regularidade contra uma equipe gremista de ‘picaretas’ – para utilizar a expressão do CEO do Grêmio, Alex Leitão.

Leitão bradou ao vazio que foram roubados, contra uma equipe de picaretas, aparentemente sem perceber que tecnologia não rouba coisa alguma e que doravante bem pode passar a chamar-se Alex Leitão, o ‘Picareta Falante’.

Talvez o ‘Picareta Falante’ estivesse ressabiado por Danilo ter marcado quatro gols ao Grêmio nos dois jogos do Brasileirão.

Uma nota para Rodrigo Bellão: é bom ter saído com uma vitória e sido elevado a membro da comissão técnica de Tite (contratação com a qual não concordo), preservando a sua integridade pessoal e profissional, que esteve em risco com a decisão absurda da Diretoria do Botafogo em estender o tempo de Bellão na equipe principal, sujeitando-o a críticas por vezes injustas e ferozes.

Vencer o Mirassol no próximo combate é essencial e a data FIFA deve ser bem aproveitada pela nova comissão técnica, que não se poderá desculpar pela falta de tempo. Em todo o caso, embora discordando do perfil técnico de Tite, desejo que a nova comissão técnica saiba analisar a nossa equipe, saiba pensar bem e saiba discernir melhor com a ambição possível e realizável.

FICHA TÉCNICA

Botafogo 3x2 Grêmio

» Gols: Danilo, aos 29’ e 78’, e Álvaro Montoro, aos 51’ (Botafogo); Jovane Cabral, aos 35’, e Gustavo Martins, aos 87’ (Grêmio)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 16.09.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 8.483 pagantes; 9.725 espectadores

» Receita: R$ 278.407,50

» Árbitra: Edina Alves Batista (SP); Assistentes: Neuza Inês Back (SP) e Fabrini Bevilaqua Costa (SP); VAR: Thiago Duarte Peixoto (SP)

» Disciplina: cartão amarelo – Danilo (Botafogo) e Noriega (Grêmio)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho, Arthur Chaves, Lucas Monzón (Justino) e Alex Telles; Huguinho, Edenílson (Danilo Pereira), Danilo e Álvaro Montoro (Allan); Júnior Santos (Marçal) e Arthur Cabral (Tiquinho Soares). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Grêmio: Weverton; Diego Caito, Wallace, Gustavo Martins e Caio Paulista; Noriega (Matheus Nascimento), Villasanti e Krovinović (Braithwaite); Pavon (Tetê), Carlos Vinicius e Jovane Cabral (Enamorado). Técnico: Felipão.

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