segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ditos do dia mais almejado do séc. XX

Os três torcedores de Manaus: promessa cumprida. Crédito: Marco Antônio Cavalcanti | Placar.

por PLACAR, 30 de junho de 1989.

«Campeão invicto. Feito que, desde o início da era Maracanã em 1950, só tinha acontecido exatamente uma década com o Flamengo. E, se o vice-campeão teve os dois artilheiros – Bebeto com dezoito gols e Renato com doze –, o Botafogo orgulha-se da defesa menos vazada e do maior total de pontos ganhos – quarenta

VÍTOR

«Na Taça Rio, o rubro-negro fez 3x1 e passeava em campo em busca de uma goleada. Mas o Botafogo reagiu e chegou ao empate no último minuto com um gol de Vítor. “Estava escrito desde esse dia que venceríamos o Flamengo na final”, contava, na quarta passada, já com o título na mão

ESPINOSA

«Nem todos tinham a certeza do atleta de Cristo. “Só acredito quando vir o marcador eletrônico escrever ‘Botafogo campeão’”, esperava o técnico Valdir Espinosa enquanto já começava a ser carregado como o grande herói da conquista

JOSIMAR

«“Eu também só saí comemorando quando li ‘Campeão’ no marcador do Maracanã”, afirma Josimar. “Foi o melhor dia da minha vida.”»

PAULINHO CRICIÚMA

«Artilheiro do time com dez gols, ele estava tão certo do título que tomou uma atitude inusitada. Pela primeira vez em todo o campeonato, o atacante entrou em campo com uma cueca sob o calção. “Temia que os torcedores me deixassem nu no meio do campo”, contou.»

CARLOS ALBERTO

«Anunciava o fim de uma tradição no futebol carioca. “Diziam que o Botafogo era uma fria por causa do tabu. Não acreditei e o resultado está aí.”»

Maurício comemorando reservadamente com poucos amigos. Crédito: Ari Gomes | Placar.

MAURÍCIO

«Preferia refugiar-se com poucos amigos numa churrascaria de Ipanema. Perto dali, na badalada boate Calígola, os outros jogadores botafoguenses comemoravam o título esperado há 21 anos.

“Ser campeão pelo Flamengo, Fluminense ou Vasco é muito fácil. Difícil era dar essa conquista ao Botafogo”, proclamava o autor do gol decisivo, que, no entanto, insistia em relembrar os duros dias vividos no clube. A noite era especial para quem, no ano passado, foi emprestado ao Internacional de Porto Alegre com a fama de farrista e viciado. “Saí como um marginal e agora sou consagrado como um herói”, desabafava, queixando-se da torcida. “Ela nunca entendeu que eu era apenas uma peça de uma máquina que não funcionava.”

Para que a conversão, finalmente, acontecesse, o jogador aponta um único responsável: Valdir Espinosa. “Ele uniu o grupo.”»

EMIL PINHEIRO

«O vice-presidente de futebol, Emil Pinheiro, era outro eufórico folião no carnaval alvinegro. “Agora posso morrer em paz”, dizia.»

ALTHEMAR DUTRA DE CASTILHO

«Proibido de ir ao Maracanã, pois se recuperava de uma cirurgia, o presidente Althemar Dutra de Castilho, o mesmo de 1968, ficou trancado em casa sob os cuidados da mulher, dona Maria. “Nossa Senhora da Medalha Milagrosa vai ajudar este time”, orava ela antes da final.»

FOLIA TOTAL

«Às 7 horas da manhã, dezenas de torcedores ainda dançavam [na sede social, no Mourisco]. Os jogadores preferiram dirigir-se para a boate Calígola, em Ipanema. Paulinho Criciúma, Mauro Galvão, Mazolinha, entre outros, viraram atração num espaço reservado ao brilho do beautiful people da zona sul carioca.

Vítor não teve a mesma sorte. Ele foi o responsável por um congestionamento que, durante uma hora, parou o trânsito no túnel Rebouças, o maior do Rio. Identificado num automóvel, um dos heróis do título foi arrancado do carro e carregado em triunfo.

A loucura era tamanha que o tradicional restaurante Chopp´s abriu suas portas, oferecendo 10% de desconto a todo botafoguense que fosse almoçar lá com a camisa do time. Enquanto isso, os amazonenses Benedito Coelho, Francisco Araújo e Eliana dos Santos subiam os 365 degraus da tradicional Igreja da Penha. Promessa de quem gastou todas as economias em passagens aéreas desde Manaus para ver o Fogão campeão.»

Sem comentários:

Ditos do dia mais almejado do séc. XX

Os três torcedores de Manaus: promessa cumprida. Crédito: Marco Antônio Cavalcanti | Placar. por PLACAR, 30 de junho de 1989. « Campeão ...