por PLACAR, 30 de junho
de 1989.
«Campeão
invicto. Feito que, desde o início da era Maracanã em 1950, só tinha acontecido
exatamente uma década com o Flamengo. E, se o vice-campeão teve os dois
artilheiros – Bebeto com dezoito gols e Renato com doze –, o Botafogo
orgulha-se da defesa menos vazada e do maior total de pontos ganhos – quarenta.»
VÍTOR
«Na
Taça Rio, o rubro-negro fez 3x1 e passeava em campo em busca de uma goleada.
Mas o Botafogo reagiu e chegou ao empate no último minuto com um gol de Vítor.
“Estava escrito desde esse dia que venceríamos o Flamengo na final”, contava,
na quarta passada, já com o título na mão.»
ESPINOSA
«Nem
todos tinham a certeza do atleta de Cristo. “Só acredito quando vir o marcador
eletrônico escrever ‘Botafogo campeão’”, esperava o técnico Valdir Espinosa
enquanto já começava a ser carregado como o grande herói da conquista.»
JOSIMAR
«“Eu também
só saí comemorando quando li ‘Campeão’ no marcador do Maracanã”, afirma
Josimar. “Foi o melhor dia da minha vida.”»
PAULINHO CRICIÚMA
«Artilheiro
do time com dez gols, ele estava tão certo do título que tomou uma atitude
inusitada. Pela primeira vez em todo o campeonato, o atacante entrou em campo
com uma cueca sob o calção. “Temia que os torcedores me deixassem nu no meio do
campo”, contou.»
CARLOS ALBERTO
«Anunciava o fim de uma tradição no futebol carioca. “Diziam que o Botafogo era uma fria por causa do tabu. Não acreditei e o resultado está aí.”»
MAURÍCIO
«Preferia
refugiar-se com poucos amigos numa churrascaria de Ipanema. Perto dali, na
badalada boate Calígola, os outros jogadores botafoguenses comemoravam o título
esperado há 21 anos.
“Ser campeão pelo
Flamengo, Fluminense ou Vasco é muito fácil. Difícil era dar essa conquista ao
Botafogo”, proclamava o autor do gol decisivo, que, no entanto, insistia em
relembrar os duros dias vividos no clube. A noite era especial para quem, no
ano passado, foi emprestado ao Internacional de Porto Alegre com a fama de
farrista e viciado. “Saí como um marginal e agora sou consagrado como um
herói”, desabafava, queixando-se da torcida. “Ela nunca entendeu que eu era
apenas uma peça de uma máquina que não funcionava.”
Para que a conversão,
finalmente, acontecesse, o jogador aponta um único responsável: Valdir Espinosa.
“Ele uniu o grupo.”»
EMIL PINHEIRO
«O
vice-presidente de futebol, Emil Pinheiro, era outro eufórico folião no
carnaval alvinegro. “Agora posso morrer em paz”, dizia.»
ALTHEMAR DUTRA DE CASTILHO
«Proibido
de ir ao Maracanã, pois se recuperava de uma cirurgia, o presidente Althemar
Dutra de Castilho, o mesmo de 1968, ficou trancado em casa sob os cuidados da
mulher, dona Maria. “Nossa Senhora da Medalha Milagrosa vai ajudar este time”,
orava ela antes da final.»
FOLIA TOTAL
«Às 7
horas da manhã, dezenas de torcedores ainda dançavam [na sede social, no
Mourisco]. Os jogadores preferiram dirigir-se para a boate Calígola, em
Ipanema. Paulinho Criciúma, Mauro Galvão, Mazolinha, entre outros, viraram
atração num espaço reservado ao brilho do beautiful people da zona sul carioca.
Vítor não teve a mesma
sorte. Ele foi o responsável por um congestionamento que, durante uma hora,
parou o trânsito no túnel Rebouças, o maior do Rio. Identificado num automóvel,
um dos heróis do título foi arrancado do carro e carregado em triunfo.
A loucura era tamanha
que o tradicional restaurante Chopp´s abriu suas portas, oferecendo 10% de
desconto a todo botafoguense que fosse almoçar lá com a camisa do time.
Enquanto isso, os amazonenses Benedito Coelho, Francisco Araújo e Eliana dos
Santos subiam os 365 degraus da tradicional Igreja da Penha. Promessa de quem
gastou todas as economias em passagens aéreas desde Manaus para ver o Fogão
campeão.»


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