domingo, 13 de setembro de 2026

Botafogo 1x1 Bragantino

Crédito: Vitor Silva | Botafogo.

por RUY MOURA |Editor do Mundo Botafogo

Aparentemente o Botafogo começara bem, solto, mas sem causar perigo em dois remates de Álvaro Montoro, enquanto o Bragantino demonstrava estar de olho na baliza alvinegra.

O Bragantino cresceu e aos 18’ teve a primeira grande oportunidade com uma cabeçada de Fernando bem defendida por Gabriel Batista. Um minuto depois novo remate a rasar o poste alvinegro.

Aos 20’ o Botafogo encontrava-se sem nenhuma tática óbvia, desgarrado, com posicionamentos incertos que não permitiam acionar automatismos entre os atletas.

Aos 23’ o Bragantino fez nova cabeçada perigosa ao lado, enquanto o Botafogo recuava, e sem velocidade para contra-atacar.

Aos 28’ o Bragantino já jogava à vontade, encontrando muitos espaços para penetrar na nossa defensiva ante um meio-campo alvinegro desorganizado, com Danilo muito recuado e Danilo Pereira largado sozinho à frente, não recebendo bola e produzindo nada.

Aos 29’ surgiu o gol esperado do Bragantino, apesar da infelicidade de Lucas Monzón marcando contra a própria baliza. Bragantino 1x0.

E em vez de reagir, o Botafogo piorou: baixou ainda mais o seu bloco defensivo, continuou sem pressionar o adversário, não conseguia saída de bola, Danilo mantinha-se inexplicavelmente recuado, Júnior Santos permaneceu com dantes, sem as explosões de 2024.

Aos 40’ o Botafogo mantinha-se sem qualquer tática visível, muito recuado, desorganizado, apático e triste nas mãos de um ataque paulista vibrante e veloz, que só não ampliou por manifesta incapacidade de rematar bem.

Aos 43’ Wallace Yan foi expulso por agressão a Ferraresi e o intervalo chegou para salvar uma exibição alvinegra catastrófica com nível técnico de série B.

No segundo tempo, aos 47’, o Botafogo roubou uma bola e por pouco não empatou, mas Tiago Volpi defendeu no reflexo. O Botafogo foi tentando entrar na área adversária, que era sua obrigação, jogando no Niltão e em vantagem numérica, mas a ineficiência continuava a imperar e o Bragantino não deixava de estar de olho na nossa baliza, contra-atacando sempre que podia.

Os atacantes não funcionavam de maneira nenhuma e – pasme-se! – o lateral-esquerdo Alex Telles cruzou para o lado contrário da grande área e foi o lateral-direito Vitinho, que indo por detrás da zaga cabeceou para empatar a partida aos 56’.

A esperança renascia na arquibancada alvinegra com a jogada dos dois laterais da equipe, fazendo o que os atacantes não eram capazes.

Aos 58’, Telles tornou a cruzar, Danilo Pereira cabeceou e Volpi fez uma grande defesa. O cruzamento para a área era a jogada principal de quem não tem ideias, mas finamente parecia que o Botafogo conseguia jogar futebol com a bola no chão, urdindo uma ou outra jogada de pé em pé.

Foi sol de pouca dura, porque aos 63’ a equipe já tornara a afrouxar e o Bragantino recomeçou a ir mais ao ataque com perigo, mas incapaz de finalizar bem.

No entanto, o tempo passava, e não se passava nada. De parte a parte o futebol decaiu consideravelmente, mais do que a ruindade que já tinha sido antes. O Bragantino recuara as suas linhas, mas a equipe alvinegra, posicionalmente desorganizada, e sem técnica individual, sem energia nem alegria, desesperava os torcedores com o seu não-futebol.

Danilo e Montoro, que teoricamente são mais técnicos e poderiam resolver o jogo, atuavam muito recuados e só mesmo para o final da partida apareceram mais à frente.

No entanto, embora com três centroavantes após as substituições de Bellão, que não era o que o jogo pedia, mas sim um reposicionamento das linhas alvinegras, a equipe estava conformada com o resultado, mas… o Bragantino não!

E aos 89’, se houvesse técnica individual por parte dos paulistas, sairíamos do Nilton Santos derrotados: com a equipa largada para a frente, embora sem racionalidade tática, eis que o Bragantino ganhou uma bola, efetuou um lançamento longo e Herrera surgiu totalmente livre cara a cara com Gabriel Batista, mas em vez de tocar para um dos lados e ludibriar Gabriel Batista, Herrera rematou exatamente em cima do goleiro. Ufa!

E essa foi a história do jogo de uma equipe sem tática, posicionalmente desorganizada, sem energia nem alegria, apática e triste. Tão triste que passou o sentimento para a arquibancada e cá para casa.

Se não for Ziyech a liderar esta equipe em campo e um treinador com autoridade técnica capaz de criar valor, então…

FICHA TÉCNICA

Botafogo 1x1 Bragantino

» Gols: Lucas Monzón (contra), aos 29’ (Bragantino); Vitinho, aos 56’ (Botafogo)

» Competição: Campeonato Brasileiro

» Data: 12.09.2026

» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ)

» Público: 12.294 pagantes; 13.878 espectadores

»Receita: R$ 428.790,00

» Árbitro: Fernando Antônio Mendes de Salles Nascimento Filho (PA); Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Rafael Trombeta (PR); VAR: José Ricardo Vasconcellos Laranjeira (AL)

» Disciplina: cartão amarelo – Lucas Monzón, Ferraresi e Kadir (Botafogo) e Tiago Volpi e Juninho Capixaba (Bragantino); cartão vermelho – Wallace Yan (Bragantino)

» Botafogo: Gabriel Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Lucas Monzón e Alex Telles (Paulinho); Huguinho, Danilo e Álvaro Montoro; Lucas Villalba (Kadir), Danilo Pereira (Tiquinho Soares) e Júnior Santos (Kauan Toledo). Técnico: Rodrigo Bellão.

» Bragantino: Tiago Volpi; Agustín Sant’Anna (Andrés Hurtado), Guzmán Rodríguez, Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Fabinho (Gabriel), Eric Ramires (Matheus Fernandes) e Lucas Barbosa (José Herrera); Wallace Yan, Isidro Pitta e Fernando (Eduardo). Técnico: Vagner Mancini.

2 comentários:

Sergio disse...

A falta de discernimento e inteligência da diretoria atual, que é o nefasto grupo do social, colocou não só o Botafogo nessa situação no futebol, mas está destruindo o futuro de um treinador que tem feito um bom trabalho no sub 20. O Rodrigo Bellão não merecia estar na situação em que se encontra.
Minha visão sobre o que aconteceu ontem, está brilhantemente exposto nesse parágrafo: "E essa foi a história do jogo de uma equipe sem tática, posicionalmente desorganizada, sem energia, apática e triste. Tão triste que passou o sentimento para a arquibancada e cá para a casa".
O time do Botafogo atual, completamente perdido em todos os sentidos, parece com o filme " O incrível Exército de Brancaleone '. Quem viu o filme compreenderá o que escrevi. Porém, o filme é uma comedia, mas o que está acontecendo com o Botafogo caminha para uma tragédia. Abs e SB!

Ruy Moura disse...

Sergio, desta vez confesso que não vou acrescentar nada ao seu comentário sequer para o reforçar, porque o que escreveu é absolutamente cirúrgico quanto à realidade atual do futebol botafoguense.

Abraços Gloriosos.

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