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O nosso Botafogo tem por norma esbanjar as oportunidades fáceis e exceder-se nos momentos difíceis. Ganhar ao Coritiba fora de casa é uma tarefa notável e deve ser realçada, mas com a noção clara de que as conquistas, embora sejam consolidadas nos momentos difíceis, dependem do aproveitamento das oportunidades fáceis.
Treze jogos sem perder é uma obra muito importante, pelo que todos os jogadores e a comissão técnica estão de parabéns. Julgo que, por isso, parece haver algumas hipóteses de, pelo menos, discutir-se o título nacional. Penso que o Botafogo não tem ainda, à partida, estruturas consolidadas para isso, mas dada a mediania das equipas de topo, é de admitir que essa possibilidade existe neste campeonato e está ao alcance desta equipa.
Porém, para o efeito, há coisas que ainda precisam de se acertar, tal como não falhar uma oportunidade flagrante aos cinco minutos de jogo com Carlos Alberto frente a frente ao goleiro (aliás, as performances de Carlos Alberto parecem estar a diminuir ao falhar dois gols quase feitos, bem como continua a insistir em faltas para cartão jogo após jogo). Um gol aos cinco minutos pode decidir o rumo de um jogo, favorecendo o nosso contra-ataque enquanto o adversário procura o empate.
Isto é muito importante num jogo contra um excelente adversário que se bateu quase de igual para igual. A primeira parte, pelo que me apercebi, revelou oportunidades de parte a parte, mas no segundo tempo o Botafogo impôs a sua maior classe como equipa, jogando de forma segura e determinada e mantendo-se tranquilo e eficaz.
Triguinho a salvar dois gols do ‘Coxa’ em cima do risco da baliza e um absoluto golaço de Thiaguinho, determinaram o rumo do desafio (vi as três jogadas em vídeo resumo).
Uma palavra para os dois goleiros, que evitaram um placar avolumado, mas especialmente para o excelente Vanderlei – que quase tocava até na indefensável ‘bomba mortal’ de Thiaguinho. Outra palavra para ambos os técnicos, que jogam ofensivamente sem descurar a defesa e estão entre os melhores profissionais em exercício em clubes brasileiros.
Finalmente, parece-me ser de realçar os trabalhos que Wellington Paulista e Jorge Henrique desenvolvem no ataque. Ambos podem marcar poucos gols, mas criam dificuldades danadas para as defesas contrárias e dão excelentes passes para gol. Após o fecho da ‘janela de contratações’ podemos ficar satisfeitos com os resultados, porque fomos o único grande clube que não perdeu peças essenciais, desde a baliza ao ataque – em especial as propaladas eventuais saídas de WP e JH, que certa imprensa gostaria que tivessem acontecido.
Creio que essa é uma arma que o nosso clube possui até ao fim do campeonato, e a avaliar pelos últimos resultados, a possibilidade de disputar o título é uma realidade (apesar dos inocentes quatro pontos perdidos nos últimos jogos). Se formos ambiciosos, previdentes e combativos, e não entrarmos no relax dos jogos contra o Vasco e o Náutico, teremos uma importante conversa a travar com o Grêmio.
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Porque enquanto os líderes gaúchos foram jogar à retranca no Maracanã contra um dos últimos, o Botafogo foi orgulhosamente jogar ao ataque no dificílimo Couto Pereira contra um dos primeiros!
FICHA TÉCNICA
Botafogo 1x0 Coritiba
Gol: Thiaguinho aos 24’ 2ºT
Competição: Campeonato Brasileiro
Estádio Couto Pereira, Curitiba (PR); 06/09/2008
Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden (RS); Marcelo Bertanha Barison (RS) e José Antonio Chaves Franco Filho (SP)
Cartões amarelos: Carlos Alberto e Túlio (Botafogo); Leandro Donizete, Rodrigo Mancha, Maurício e Guaru (Coritiba).
Botafogo: Renan, Thiaguinho (Alessandro), Renato Silva, André Luís e Triguinho; Diguinho, Túlio, Lúcio Flávio e Carlos Alberto (Gil); Wellington Paulista (Zé Carlos) e Jorge Henrique. Técnico: Ney Franco.
Coritiba: Vanderlei, Maurício, Rodrigo Mancha e Tiago Bernardi; Rodrigo Heffner (Thiago Silvy), Leandro Donizete, João Henrique (Ariel), Carlinhos Paraíba e Ricardinho; Marlos (Guaru) e Keirrison. Técnico: Dorival Júnior.