quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Torcedor botafoguense soltando pipa imaginária!
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
A maior constelação jornalística desportiva de todos os tempos: cultura, protagonismo, provocação e botafoguismo
por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
A história do jornalismo desportivo carioca da segunda metade do século XX
não se compreende apenas mediante percursos profissionais individuais,
porquanto em torno das redações dos grandes jornais do Rio floresceram
verdadeiras comunidades de jornalistas, escritores e cronistas, para os quais trabalho,
amizade, rivalidades futebolísticas e vida quotidiana se misturavam.
Dentre essas comunidades a mais singular foi certamente formada por um conjunto
invulgarmente numeroso de jornalistas botafoguenses, cujo lugar central era o
Jornal do Brasil, localizado na Avenida Brasil, com a sua editoria de Desporto
que reuniu, durante décadas, os mais importantes jornalistas da imprensa
brasileira cujo convívio era diário: Fernando Calazans, João Máximo, João
Saldanha, José Inácio Werneck, Márcio Guedes, Marcos de Castro, Oldemário
Touguinhó, Roberto Porto, Sandro Moreyra e muitos outros.
Na expressão de um estagiário que entrou no jornal na década de 1970, havia
ali jornalistas que davam para formar “três seleções”. E nessas “seleções”,
ainda na 1ª metade da década de 1970, cabiam, num total de 24 elementos, 12
jornalistas botafoguenses: Antônio
Maria Filho, Cláudio Dienstman, Eloir Maciel, João Jobim Alves Saldanha, Luiz
Fernando ‘Gauchinho’ Lima, Mara Bentes Cardoso, Márcio Guedes, Mesquita
(diagramador), Oldemário Vieira Toguinhó, Otávio Name, Roberto Porto e Sandro
Luciano Moreyra.
O Botafogo era, assim, uma espécie de ‘corrente subterrânea’ dentro daquela redação. Todavia, José Inácio Werneck, que era o editor desportivo do JB e não era botafoguense, manifestou que a preferência clubística não contaminava o tratamento jornalístico dos acontecimentos, cuja cultura profissional era muito reputada, suportada pela qualidade da informação, da escrita e da capacidade crítica.
Dentro deste núcleo, João Saldanha ocupava uma posição quase
inevitavelmente central. A relação de Saldanha com o Botafogo foi muito além da
condição de tocedor: esteve ligado ao clube como jogador ocasional, dirigente e
treinador, tendo conduzido a equipa ao título de Campeão Carioca de 1957. Mais
tarde, tornou-se uma das figuras mais influentes da crônica desportiva
brasileira. Roberto Porto, que trabalhou com ele durante anos, considerava-o um
verdadeiro símbolo do clube.
João Saldanha assumia uma posição central pela sua experiência como jornalista, dirigente e treinador, organizando espontaneamente conversas principalmente com João Máximo, Oldemário Touguinhó e Sandro Moreyra, que atraíam jornalistas mais novos e foram descritas mais tarde, em evento comemorativo a João Saldanha, como mais valiosas “do que uma faculdade de jornalismo”.
Sandro Moreyra era uma figura complementar, apaixonado pelo Glorioso e que tinha acesso
privilegiado ao Botafogo, mantendo relações próximas com os jogadores,
designadamente Garrincha, Nilton Santos e outro craques, chegando a chefiar uma
excursão da equipe à Europa.
Saldanha e Sandro eram amigos, mas isso não significava concordância
permanente, tanto mais que Saldanha era muito cioso da sua autoridade como
treinador e desfeiteava certas sugestões de Sandro Moreyra.
Roberto Porto, o último grande jornalista dessa geração botafoguense a desaparecer, que sempre difundiu a ideia de o Botafogo ser a “maior paixão imaterial” de sua vida, abandonou o curso de Direito pelo jornalismo desportivo para “estar mais próximo do Botafogo”. No Jornal do Brasil passou a ir aos jogos acompanhado por João Saldanha, Sandro Moreyra e Salim Simão. Isto é, saíam os quatro da redação e iam ao futebol, convivendo profissional e pessoalmente.
Salim Simão era uma figura pública menos visível, mas particularmente interessante e
marcante naquele meio, lembrado pelos seus súbitos e célebres gritos. José Inácio
Werneck, de quem Salim Simão era Assistente na editoria do JB, evocou Salim
como uma figura emblemática daquele tempo, uma personalidade que entrava e
transformava o ambiente, classificando-o de “estentórico”.
Botafoguense ‘roxo’, e em simultâneo profundamente amigo do famoso tricolor
Nelson Rodrigues, quiçá o maior dramaturgo brasileiro à época, Salim e Nelson desfrutavam
de uma relação íntima espantosa, que era cultural para lá do desporto, sabendo-se
que ambos eram torcedores adversários, que um era marxista e o outro
anticomunista, que tinham muito de radicais e se colocavam tantas vezes em
polos opostos, ao mesmo tempo que aparentemente se agrediam e fruíam essa
relação invulgar.
Ao recordar Nelson Rodrigues, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony
recordou que do círculo íntimo de Nelson faziam parte figuras culturais como
Hans Henningsen, José Lino Grünewald, Pedro do Coutto e… Salim Simão.
A amizade era tão profunda que Nelson tomou Salim Simão como personagem das
suas peças de teatro mantendo o seu verdadeiro nome, sobretudo na obra ‘Anti-Nelson
Rodrigues’. Foram 50 anos de amizade profunda entre redação, arquibancada, bar,
televisão e literatura, atravessando a fronteira entre a vida e a ficção.
Leia aqui essa espantosa relação entre Salim Simão e Nelson Rodrigues, cuja
II parte inclui excertos das peças de Nelson que ilustram Simão como figura
principal:
https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/02/salim-simao-botafoguense-roxo-i.html
https://mundobotafogo.blogspot.com/2026/02/salim-simao-botafoguense-roxo-ii.html
Outro elo fundamental era Armando Nogueira, igualmente botafoguense,
jornalista de enorme importância institucional, que chegara a dirigir o
jornalismo da Rede Globo, que partilhava com João Saldanha a paixão pelo
Botafogo num dos programas mais importantes da história da televisão brasileira:
a Grande Resenha Facit, que transformou a cultura oral das redações e das
discussões de futebol numa fórmula televisiva, reunindo em torno da mesma mesa
figuras representando diversas paixões clubísticas como Armando Nogueira
(Botafogo), João Saldanha (Botafogo), José Maria Scassa (Flamengo), Nelson
Rodrigues (Fluminense), Vitorino Vieira (Vasco da Gama), entre outros. Luiz
Mendes era o ‘mediador’ do programa.
Isto significa que a mesa redonda televisiva brasileira nasceu, de certo
modo, da transferência para o ecrã de uma sociabilidade previamente vivida nas
redações desportivas, que não buscava a neutralidade, apresentando protagonistas
que possuíam biografia, clube, linguagem e personalidade reconhecíveis, em
ambiente de provocação entre amigos e adversários.
A relação entre Saldanha e Nelson teve momentos televisivos inesquecíveis. Por exemplo, quando o videoteipe contrariava a versão apaixonadamente clubista de Nelson, ele podia preferir a sua própria visão à prova das imagens, respondendo que se o videoteipe discordava dele, “pior para o videoteipe” – emergindo um ambiente saudável de provocação entre amigos e adversários futebolísticos.
Quanto a Roberto Porto, destaca-se a sua amizade com José Inácio
Werneck, que é muito importante para reconstituir a ‘rede’ na medida em que
Porto dedicou os últimos anos da sua vida a preservar as histórias do Botafogo
e da antiga imprensa. Em vários textos declara-se amigo de José Inácio e quando
publicou ‘Botafogo – O Glorioso’,
em 2009, confiou-lhe a escrita da orelha do livro.
Roberto Porto funcionou, assim, como uma espécie de memorialista daquela
geração, narrando muitas situações vividas por esta extraordinária plêiade de
jornalistas, não apenas botafoguenses, que juntos viviam situações reais:
trabalhavam juntos, iam juntos aos estádios, debatiam futebol, provocavam-se uns
aos outros, bebiam juntos, escreviam sobre os mesmos personagens e muitas
décadas depois continuaram reconhecendo-se mutuamente.
Por isso seria redutora a tentação de chamar a essas relações uma “escola botafoguense de
jornalismo”, porque embora houvesse uma fortíssima presença alvinegra, a excepcionalidade
daquele meio era resultado direto de uma enorme interação entre jornalistas e
escritores de outras paixões e de áreas diversas, os quais circulavam em espaços
físicos concretos, designadamente na redação do Jornal do Brasil, Maracanã,
General Severiano, estúdios da TV Rio e da Globo, cabina da rádio e bares do
centro do Rio.
Foi um tempo em que os jornalistas não se limitavam a autoria das histórias,
sendo eles próprios personagens das histórias uns dos outros.
Nelson transformava Salim numa personagem teatral; Roberto Porto transformava
Saldanha, Sandro e Salim em personagens das suas memórias; Sandro construía parte
significativa das suas crônicas a partir da convivência com Garrincha, Manga,
Nilton Santos e os bastidores do Botafogo; Saldanha misturava a experiência de
jornalista, dirigente, treinador e homem de futebol; Armando Nogueira
transportava para a televisão uma escrita de forte dimensão literária; José
Inácio Werneck, décadas depois, e já vivendo na América exercendo a
atividade de Supervisor do Serviço Brasileiro da ESPN International, continuava
a evocar o ambiente humano daquelas redações como algo praticamente
desaparecido.
A memória sobreviveu porque não foi apenas uma geração de jornalistas, mas
sim uma comunidade narrativa que contava histórias entre eles.
O Botafogo que emerge dos textos desta geração formidável de jornalistas
não é apenas uma equipe de futebol ou um Clube, mas também um lugar de
pertença, uma memória da cidade e uma linguagem mediante a qual esses
jornalistas se reconheciam uns aos outros.
Fontes: blogdorobertoporto.blogspot.com;
ge.globo.com
; memoriaglobo.globo.com;
mundobotafogo.blogspot.com;
pickscribe.com;
www.abi.org.br;
www.ihu.unisinos.br;
www.jb.com.br;
www.joseinaciowerneck.com;
www.observatoriodaimprensa.com.br;
https://www.researchgate.net
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Hakim Ziyech: um criativo vencedor buscando reencontrar-se
por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Hakim
Ziyech nasceu no dia 19 de março de 1993, em Dronten, Países Baixos, mas tem
nacionalidade marroquina, atua como meia-atacante e ponta-direita, é
esquerdino, mede 1,81m de altura e pesa 70kg.
A sua
formação foi realizada no Reaal Dronten (20001-2004), ASV Dronten (2004-2007) e
Sportclub Heerenveen (2007-2012), ascendendo à equipe principal deste último
clube em 2012,
Na equipe
principal do Heerenveen (2012-2014) estreou no dia 2 de agosto de 2012, pela
Liga Europa, contra o Rapid Bucaresti. Na temporada 2013-2014 da Eredivisie
(escalão principal dos Países Baixos), Ziyech foi realce da equipe, faturando 9
gols e muitas assistências, ajudando o clube a disputar os play-offs da Liga Europa.
No tempo
em que esteve no clube foi chamado para as Seleções de base dos Países Baixos,
atuando nas equipe Sub-19 (2012), Sub-20 (2012-2013) e Sub-21 (2013-2014),
realizando um total de 8 jogos e marcando 3 gols.
A
relevância das suas atuações chamou a atenção de outros clubes e, após 46 jogos
e 13 gols pelo Heerenveen, ingressou no FC Twente (2014-2016), a troco de 3,5
M€. Estreou no dia 21 de agosto de 2014 no empate por 0x0 contra o Qarabağ pelo
play-off da Liga Europa 2014-2015. Em
setembro marcou o 1º gol pelo novo clube, na vitória por 4x1 sobre o Heracles
Almelo, da Eredivisie.
Nesse período
demonstrou grande qualidade, marcando 15 gols e anotando 16 assistências em 38
jogos, liderando as assistências da Eredivisie. Ainda assim, a equipe não teve
bom desempenho geral por conta de muito pontos perdidos no início da competição,
mas na Copa dos Países Baixos chegou às semifinais, tendo Ziyech marcado 4 gols
em 5 jogos.
Na
temporada de 2015-2016 o atleta decidiu representar a Seleção principal de
Marrocos e estreou em setembro de 2015 contra a Costa do Marfim, mantendo-se na
Seleção até à atualidade.
Nessa
temporada chegou a capitão da equipe, aos 22 anos de idade, marcou 17 gols e
realizou 10 assistências, tendo sido essencial para assegurar a permanência do
Twente na divisão principal.
O seu
desempenho despertou o foco de grandes equipes europeias, já que Ziyech era
capa de jornais em diversos países. Então, após 76 jogos, 34 gols e 1
assistência decidiu ingressar no AFC Ajax (2016-2020), a troco de 11 M€, clube
pelo qual assinou em agosto de 2016.
Estreou
no dia 11 de setembro de 2016, na vitória por 1x0 sobre o SBV Vitesse, pela
Eredivisie, tendo marcado o seu 1º gol dez dias depois, na vitória por 5x0
sobre o Willem II Tilburg, pela Copa KNVB.
Porém, o bom desempenho não valeu troféus, porque o Ajax perdeu a final da Liga Europa 2016-2017 para o Manchester United FC e foi apenas vice-campeão neerlandês. No entanto, individualmente Ziyech foi bem sucedido, marcando 10 gols em 42 jogos e liderando o ranking nacional de assistências com 12 passes decisivos, além de mais 4 assistências em 13 jogos da Liga Europa. A temporada seguinte (2017-2018) foi semelhante à anterior: a equipe foi sucessivamente eliminada nos play-offs da Liga do Campeões e da Liga Europa e amargou o vice-campeonato novamente para o PSV Eindhoven. Todavia, Ziyech marcou 9 gols em 34 jogos e liderou novamente o ranking de assistências, com 15 passes.
Na
temporada de 2018-2019 o atleta conheceu finalmente a glória individual e
coletiva em simultâneo, especialmente quando passou para a posição de
ponta-direita. Ziyech disputou 49 jogos e marcou 21 gols, sendo 16 gols e 13
assistência em 29 jogos da Eredivisie, tornando a liderar o ranking de assistências. Tudo somado,
Ziyech viu a sua equipe destronar o PSV e conquistar o título nacional, além da
Copa dos Países Baixos diante do Willem II Tilburg.
Não
obstante os títulos, Ziyech brilhou sobretudo na Liga dos Campeões 2018-2019. O
Ajax classificou-se no difícil grupo que incluía AEK Atenas, SL Benfica e FC
Bayern München. Depois foram eliminados Real Madrid CF e Juventus FC, até que
nas semifinais o Tottenham Hotspur FC superou o Ajax. Em eleição da UEFA Ziyech
foi o oitavo melhor meia-atacante da Europa.
Ao nível
de Seleção foi convocado para representar Marrocos na Copa do Mundo de 2018,
participando como titular nos três jogos da fase de grupos, mas a sua Seleção
foi eliminada.
Na sua
última temporada no Ajax conquistou o único título nacional que lhe faltava no
Países Baixos: venceu a Supercopa dos Países Baixos em 2019, superando o
PSV por 2x0 na final. Neste período conviveu com lesões ocasionais e alternância
de posição, ora meia-atacante, ora ponta-direita. Porém, Ziyech inspirava
confiança e outras grandes equipes europeias monitoravam o seu desempenho.
Após 165
jogos, 50 gols e 68 assistências ao serviço do Ajax e de ter sido premiado como
o futebolista neerlandês do ano 2017-2018 e jogador do ano do Ajax em
2017-2018, 2018-2019 e 2019-2020, o meia-atacante e ponta-direita ingressou no
Chelsea FC (2020-2024) em fevereiro de 2020, a troco de 40 M€.
A estreia
oficial ocorreu no dia 17 de outubro de 2020 no empate por 3x3 com o
Southampton FC, entrando nos minutos finais; dois jogos depois assinalou o 1º
gol na Premier League, bem como a 1ª assistência, na vitória por 3x0 sobre o
Burnley FC, seguindo-se duas assistências na vitória seguinte por 4x1 sobre o
Sheffield United FC.
Porém,
surgiram lesões e menos participação em jogos. Ainda assim, apesar da falta de
grandes desempenhos, Ziyech marcou 2 gols e sagrou-se campeão da Champions
League 2020-2021, tendo o Chelsea derrotado na final o Manchester City FC de
Pep Guardiola.
Na
qualidade de campeão europeu, o Chelsea disputou mais duas competições: a
Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes. Enfrentando o Villarreal CF na
Supercopa, Ziyech abriu o placar, aos 27’, mas lesionou-se no fim do 1º tempo e
comemorou o troféu já no banco. No Mundial o atleta foi titular na semifinal
contra o Al-Hilal SFC e na final entrou nos últimos minutos, desta vez
comemorando o título de campeão mundial em campo.
O
marroquino continuou jogando, mas escasseavam as oportunidades e no último ano
conheceu o banco de reservas na maior parte das vezes, efetuando apenas 24
jogos e anotando 3 assistências.
Não obstante, Ziyech foi convocado para a Copa do Mundo de 2022, por Marrocos, e mostrou-se fundamental para a sua Seleção alcançar o 4º lugar do mundo e assinar a melhor participação de sempre de um país africano. Marrocos eliminou as poderosas seleções da Bélgica na fase de grupos, da Espanha nas oitavas de final e de Portugal nas quartas de final, acabando derrotada pela França na semifinal. Ziyech é o atleta marroquino com mais jogos pela Seleção do seu país.
Porém, após
107 jogos, 14 gols e 13 assistências, Ziyech transferiu-se para o Galatasaray SK
em agosto de 2023, por empréstimo, com opção de compra. Em setembro estreou na
vitória por 4x2 sobre o Samsunspor KD e uma semana depois marcou o seu 1º gol
pelo clube turco, na vitória por 2x1 sobre o Istanbul Basaksehir FC.
O atleta
mostrou-se eficaz no seu novo clube, ainda que tivesse, novamente, convivido
com frequentes leões do pé e do tornozelo. Em 18 partidas assinou 6 gols na
Süper Lig 2023-2024 e ainda marcou dois gols na Champions League contra o
Manchester City, em empate por 3x3, além de vencer a Supercopa da Turquia por
W.O.
Devido a
tais resultados, após 23 jogos, 8 gols e 4 assistências o Galatasaray acionou a
opção de compra, mas a sorte não favoreceu nem o clube nem o atleta. O
marroquino mostrou-se insatisfeito com o técnico, fez declarações públicas
contra ele e disse arrepender-se de ter assinado com o clube. E onze jogos após
ter assinado em definitivo com o clube, Ziyech rescindiu o contrato em janeiro
de 2025.
Ingressou,
então, no Al-Duhail SC, clube do Qatar, mas durou apenas quatro meses e 12
jogos, anotando 1 gol e 1 assistência. Chegou então ao Wydad AC, de Casablanca,
onde realizou 16 jogos, assinou 9 gols e 2 assistências.
Tendo
sido campeão mundial, campeão europeu e conquistado diversos títulos nacionais
importantes, ter atuado em 457 jogos e marcado 127 gols por clubes, além de 73
jogos e 28 gols por Seleções de Marrocos (65 jogos e 25 gols na Seleção
principal), Hakim Ziyech estás prestes a chegar ao Botafogo de Futebol e Regatas
aos 33 anos de idade, se entretanto não houver nenhum contratempo.
Quanto ao
perfil do atleta Ziyech tem sido um futebolista com capacidade de liderança e de
grande qualidade técnica e criatividade, mas cujo rendimento, a avaliar pelos
seus últimos anos menos felizes, depende do contexto tático e, sobretudo, da
sua condição física.
Segundo
especialistas, aquando do seu auge no Ajax, foi um dos grandes criativos da
Europa, tanto no drible como na organização defensiva, com níveis de qualidade
de 9 num máximo de 10 no que respeita a técnica individual, visão de jogo, último passe e
cruzamento, além de muita inteligência ofensiva, remate de meia distância e
bola parada.
Os seus
pontos menos fortes são jogar na pressão sem bola, capacidade física nos duelos,
velocidade atual e pé direito.
Ziyech parte geralmente da direita para zonas interiores e executa passes diagonais, mudanças de flanco e cruzamentos tensos para sítios vitais dentro da grande área. Compensa a menor velocidade com criatividade. Em forma é um grande atleta, com a vantagem adicional de ter enorme experiência em todos os torneios mundiais e europeus oficiais a nível de clubes e de Seleção, nos quais se destacou.
No
entanto, face à sua idade e às lesões, bem como às últimas trajetórias
descendentes em matéria de clubes, dos quais tem saído sem custos, a questão
central é descobrir se ele consegue recuperar a boa performance física e a regularidade durante as partidas, ou não. Se o fizer, tendo em conta a
realidade do futebol brasileiro, pode ainda ser muitíssimo interessante para produzir
disrupções nas defesas adversárias – algo que somente Álvaro Montoro tem
conseguido, e que pode melhorar em parceria com Ziyech – e servir os
companheiros com a sua habitual capacidade técnica. Além de poder marcar gols
de meia distância e de bola parada.
Fontes: https://pt.wikipedia.org; https://www.fifa.com/pt; https://www.fotmob.com; https://www.ogol.com.br; https://www.sofascore.com; https://www.transfermarkt.pt; https://www.zerozero.pt
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Botafogo 0x0 Palmeiras
por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo
Botafogo x Palmeiras foi um jogo agradável de seguir pela
boa movimentação de ambas as partes, mas a eficácia ficou bastante a desejar.
O Botafogo entrou bem no jogo e logo aos 3’ Álvaro
Montoro acionou o gigante Carlos Miguel num bom remate, mas praticamente à
figura do arqueiro.
Entretanto, como é seu costume, o Palmeiras passou a
girar a bola com paciência procurando uma falha da defesa alvinegra, mas faltou-lhe
afinação no remate e acerto no último passe, enquanto o Botafogo procurava, sem
grande sucesso, os lançamentos longos, sobretudo através de Montoro, que teve novamente
uma boa atuação – mas o ataque não primava em aproveitar os passes mais
disruptivos do jovem atleta.
Disso foi exemplo quando, aos 27’, Danilo arrancou pela ala
esquerda, serviu Montoro no meio, que endossou uma bola espetacular para Lucas
Villalba ficar sozinho frente a frente com o goleiro palmeirense, desperdiçando
incrivelmente a melhor oportunidade de gol do Botafogo em toda a partida.
A partir da ½ hora de jogo o Palmeiras ganhou finalmente maior
ascendente através da posse de bola, mas a dificuldade de entrar na área do
Botafogo era enorme, e no seguimento da anulação da jogada alviverde o Botafogo
tentava contra-ataques rápidos e agressivos, mas também sem efeito pela prioridade
dada ao chutão para a frente, devido à dificuldade de sair da defesa com a bola
dominada.
Pressentia-se que o Botafogo estava bem melhor organizado
do que nos últimos jogos e que a paciência do Palmeiras traduzia-se em futebol sem
criatividade e consequentemente pouco eficaz.
No segundo tempo o Palmeiras entrou melhor em busca do
gol com um contra-ataque muito perigoso aos 50’ e pouco depois, aos 56’, Gabriel
Batista fez a defesa da noite travando uma forte cabeçada de Maurício, que
levava selo de gol na melhor oportunidade do Palmeiras em toda a partida.
Porém, foi um controlo pouco sistemático, pelo que, fora
esses minutos iniciais, o padrão de jogo não se alterou: o Palmeiras em posse
de bola fútil; o Botafogo procurando mais a velocidade para romper a defesa
alviverde.
Porém, o resultado mostrava-se igualmente ineficaz para
ambos os lados, apesar de o jogo ser bastante movimentado, na medida em que
ficou mais partido e com mais espaços devido à vontade de ambas as equipes em
conseguir vantagem no marcador.
Ficou, também, menos tático e esclarecido após as substituições
operadas pelos dois treinadores. O Palmeiras caiu claramente de produção após
as substituições aos 62’, enquanto o Botafogo perdeu criatividade ao substituir
os seus dois jogadores mais criativos, em especial Arthur Cabral, que deu lugar
a Kadir – e na verdade quem deveria ter sido substituído era Danilo Pereira que
realizou uma má partida.
Por outro lado, as entradas de Edenílson e Cristian
Medina, no lugar de Danilo e Montoro (cansado), aos 77’, permitiram melhorar a
marcação e manter o Palmeiras em sentido, sem chances de gol.
No entanto, por via dessas substituições, a partida começou
a ser algo entediante, com o Palmeiras mastigando muito o jogo com a bola em
sua posse e o Botafogo travando com facilidade as chegadas à sua área.
Tudo parecia encaminhar-se para o empate justo, tal como
efetivamente ocorreu. Talvez pudesse ter sido 1x1, em vez de 0x0, mas os goleiros
também estão nos seus postos para assegurar, tanto quanto possível, as redes zeradas.
Em suma, o Botafogo foi mais organizado e competitivo contra
o Palmeiras, anulando lucidamente os ataques adversários, enquanto os paulistas
já tiveram tempos de maior criatividade e assédio às balizas adversárias.
No entanto, padecemos do mesmo de há bastante tempo: os
nossos atacantes não possuem a técnica decisiva que permite resolver os
desafios a nosso favor. Nos últimos 10 jogos no Brasileirão convertemos apenas
8 gols – e nem todos marcados por atacantes e meio-campistas.
No final, dois realces: a expulsão de Alexander Barboza fez jus às sistemáticas entradas violentas de antes e de agora; Marlon Freitas fez jus ao seu futebol sistematicamente para os lados, e para trás, e aos seus remates apontados à arquibancada – nunca foi diferente disso.
Vamos caminhando. Na esperança que Gabriel de Alba seja lúcido, algo que ainda não vimos traduzido na prática.
FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x0 Palmeiras
» Gols: –
» Competição: Campeonato Brasileiro
» Data: 06.09.2026
» Local: Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de
Janeiro (RJ)
» Público: 15.503 pagantes; 16.981 espectadores
» Receita: R$ 664.790,00
» Árbitro: Rodrigo José Pereira de Lima (PE);
Assistentes: Francisco Chaves Bezerra Junior (PE) e Karla Renata Cavalcanti de Santana
(PE)
VAR: Gilberto Rodrigues
Castro Junior (PE)
» Disciplina: cartão amarelo – Arthur Cabral, Marçal e Álvaro Montoro (Botafogo) e
Alexander Barboza e Marlon Freitas (Palmeiras); Cartão vermelho – Alexander Barboza (Palmeiras)
» Botafogo: Gabriel
Batista; Vitinho (Mateo Ponte), Ferraresi, Lucas Monzón e Marçal; Lucas
Villalba (Júnior Santos), Huguinho, Danilo (Edenílson) e Álvaro Montoro
(Cristian Medina); Danilo Pereira e Arthur Cabral (Kadir). Técnico: Rodrigo
Bellão.
» Palmeiras: Carlos
Miguel; Giay (Khellven), Gustavo Gómez, Alexander Barboza e Piquerez; Marlon
Freitas, Lucas Evangelista (Vítor Roque) e Andreas Pereira (Larson); Felipe
Anderson (Emiliano Martínez), Flaco López e Mauricio (Jhon Arias). Técnico:
Abel Ferreira.
Botafogo 1x1 Bragantino
Crédito: Vitor Silva | Botafogo. por RUY MOURA |Editor do Mundo Botafogo Aparentemente o Botafogo começara bem, solto, mas sem causar pe...
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