terça-feira, 1 de março de 2011

Parabéns, Aida dos Santos!

Nome: Aida dos Santos
Nascimento: 01.03.1937
Clube: Botafogo
Técnico: Ailton
Especialidade: Salto em altura
Profissão: Professora de Educação Física e Professora titular da cadeira de Educação Física na Universidade Federação Fluminense desde 1975.

Aida dos Santos foi campeã estadual, brasileira, sul-americana e pan-americana de salto em altura.

Aida foi a única representante do atletismo nacional e a única mulher da delegação do Brasil nos Jogos de Tóquio 1964. A atleta, que também disputava provas de 100 metros rasos e lançamento de dardo, participou sem uniforme, sem técnico, sem médico, sem sapatilhas de prego.

» 1964: Jogos Olímpicos (Tóquio), 4º lugar no salto em altura (1,74m)
» 1967: Jogos Pan-Americanos (Canadá), Bronze no pentatlo
» 1968: Jogos Olímpicos (México), 22ª posição no pentatlo
» 1971: Jogos Pan-Americanos (Colômbia), Bronze no pentatlo
Nota: melhor classificação olímpica do atletismo feminino de sempre.

Sócia emérita e membro do Conselho Deliberativo como benemérita do Botafogo. Foi homenageada em 1995 na inauguração da pista de atletismo da U.F.F., que tem o seu nome. Em 2006 foi homenageada com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva, entregue anualmente a uma personalidade com importante vida atlética.

Em 22.09.2006 foi criado o Instituto Aida dos Santos, composto por duas sedes, a Vila Olímpica Fazenda Colubandê (em São Gonçalo) e a Concha Acústica (em Niterói), que atenderá 100 crianças em cada modalidade. As crianças devem estudar e ter boas notas para poderem praticar as duas modalidades oferecidas: voleibol e atletismo.

Parabéns por mais um aniversário!

Pesquisa de Rui Moura (blogue Mundo Botafogo)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Torcedoras Gloriosas (3)


Garrincha, claro!

[Nota do editor do Mundo Botafogo: Paulo Mendes Campos, filho do médico e escritor Mário Mendes Campos e de Maria José de Lima Campos, nasceu há 89 anos, a 28 de fevereiro de 1922, em Belo Horizonte, e faleceu a 1 de Julho de 1991, exatamente no dia em que o Club de Regatas Botafogo fora fundado há 97 anos atrás. Paulo Mendes Campos tornou-se escritor e um destacado botafoguense, preenchendo uma parte da sua vida literária com escritos sobre o Glorioso. Tendo chegado ao Rio de Janeiro em 1945 no intuito de conhecer Pablo Neruda, ficou até ao dia da sua partida aos 69 anos de idade.]

por Paulo Mendes Campos

"Quando ele avança, tudo vale. A ética do futebol não vigora para Mané. O fair-play exigido pelos britânicos é posto à margem pelos marcadores, pelos juízes, pelas torcidas. Regras do association abrem estranhas exceções para ele. Uma conivência complacente se estabelece de imediato entre o árbitro e o marcador, o primeiro compreendendo o segundo, fechando os olhos às sarrafadas mais duras, aos carrinhos perigosos, aos trancos violentos, às obstruções mais evidentes. Quando esses recursos falecem, o marcador em desespero, sem medo ao ridículo, agarra a camisa de Garrincha. Aí o juiz apita a falta, mas sem advertir o faltoso: o recurso é limpo quando se trata de Garrincha.

Todos os jogadores do mundo - ensina o professor Nilton Santos - são marcáveis, menos seu Mané. Mané em dia de Mané só com revólver. Nilton é o mais consciente dos fãs de Garrincha, costumando dizer que, se ainda jogou futebol depois dos trinta anos, foi por ser do mesmo time de seu Mané.

Uma tarde apareceu para treinar um menino de pernas tortas. Já no vestiário o técnico Gentil Cardoso, rindo-se, chamara a atenção de todos para o candidato: aquele sujeito poderia ser tudo na vida, menos jogador de futebol. Começado o treino, lá pelas tantas uma bola sobrou para Garrincha. Nilton proferiu o grito de costume, mas o menino torto matou a bola com facilidade e ficou esperando. Ferido pela ousadia, Nilton partiu para cima do garoto com decisão. (Já joguei contra ele: é uma extração rápida e sem dor). Talvez naquele momento estivesse em jogo, não só a bola, mas o destino de Garrincha. Se Nilton o desarmasse e lhe aplicasse como corretivo à petulância duas ou três fintas, Gentil Cardoso não esperaria muito para enviar o novato sem jeito para o chuveiro. Apesar desse perigo, e a despeito de estar enfrentando um jogador da mais alta categoria, Mané escolheu o caminho da porta estreita: driblar Nilton Santos. Talvez pensasse: ou dou uma finta neste cobra ou volto para o trabalho mal-pago da fábrica.

Só três vezes em sua carreira Nilton levou drible entre as pernas: a primeira foi ali naquele instante.

A alegria do futebol de Garrincha está nisso: dentro do campo, ele se integra no espaço que lhe é próprio, não reflete mais, não perde tempo com a vagareza do raciocínio, não sofre a tentação dos desvios existentes no caminho da inteligência. Como um poeta tocado por um anjo, como um compositor seguindo a melodia que lhe cai do céu, como um bailarino atrelado ao ritmo, Garrincha joga futebol por pura inspiração, por magia, sem sofrimento, sem reservas, sem planos. O futebol requintadamente intelectual de Didi é sofrido e sujeito a todas as falhas do intelecto. Garrincha, pelo contrário, se suas condições físicas estão perfeitas, se nada lhe pesa na alma, é como se fosse um boneco a que se desse corda: não reflete mais. Garrincha é como Rimbaud: gênio em estado nascente. Se um técnico desprovido de sensibilidade decide funcionar como cérebro de Garrincha, tentando ser a consciência que lhe falta, isto é, transmitindo-lhe instruções concretas, lógicas, coercitivas, pronto - é o fim. O grande mago perde a espontaneidade, o espaço, o instinto, a força. Em vez do milagre, que ele sabe fazer, ensinam-lhe a fazer um truque sensato. Não pode haver maior tolice.

João Saldanha sabia que não há instrução possível para Garrincha. Se a virtude do Mané nada tem a ver com a lógica, não será através da lógica que lhe corrigiremos os possíveis defeitos. E defeitos e virtudes não são partes que se possam isolar em Garrincha, que escreve certo por linhas tortas. Suas pernas são símbolos desconexos dessa ilogicidade criadora.

O jornalista Armando Nogueira tem uma teoria muito boa sobre o drible de seu Mané, apesar de Mário Filho não concordar com ele e comigo. O drible, diz Armandinho, é, em essência, fingir que se vai fazer uma coisa e fazer outra; fingir por exemplo que se vai sair pela esquerda, e sair pela direita. Pois o Garrincha, conclui o comentarista, é a negação do drible. Ele pega a bola e pára; o marcador sabe que ele vai sair pela direita; seu Mané mostra com o corpo que vai sair pela direita; quando finge que vai sair pela esquerda, ninguém acredita: ele vai sair pela direita; o público todo sabe que ele vai sair para a direita; seu Mané mostra mais uma vez que vai sair pela direita; a essa altura, a convicção do marcador é granítica: ele vai sair pela direita; Garrincha parte e sai pela direita. Um murmúrio de espanto percorre o estádio: o esperado aconteceu, o antônimo do drible aconteceu.

Descobri há tempos uma graça espantosa nessa finta de Garrincha: às vezes o adversário retarda o mais possível a entrada em cima dele, na improvável esperança duma oportunidade melhor. Garrincha avança um pouco, o adversário recua. Que faz então? Tenta o marcador, oferecendo-lhe um pouco da bola, adiantando esta a um ponto suficiente para encher de cobiça o pobre João. João parte para a bola de acordo com o princípio de Nenem Prancha: como quem parte para um prato de comida. Seu Mané então sai pela direita."

Sondagem: seremos campeões de futebol?

Antes do jogo do Botafogo na semifinal da Taça Guanabara havia 8 votos na opção ‘de competição nenhuma’ entrados durante 14 dias na sondagem então em vigor. A seguir ao jogo da semifinal, essa opção apresentava 53 votos. Isto quer dizer que os cathartiformes continuam a vir ao blogue em momentos em que os árbitros deles nos ganham e votaram 45 vezes há uma semana. Logo, retiramos 45 votos dos inominados da beira da Lagoa.

Durante esta semana a votação nessa opção não cresceu, e ontem tornou a crescer 12 votos, obra dos mesmos cathartiformes que visitaram o blogue durante o dia. Logo, mais votos a descontar. Portanto, de 8 votos, eventualmente de botafoguenses pessimistas (e mesmo assim há dúvida que o sejam todos), passou-se a 65 e, portanto, temos que suprimir 57 votos dessas aventesmas que por aqui esvoaçam com os seus putrefatos gostos. E fechei a sondagem logo a seguir ao término do jogo de ontem, evitando mais votos dessas personagens ‘666’… Eles não se convencem que aqui não brincam…

Portanto, à questão sobre se ‘seremos campeões de futebol’ em 2011, a votação real, subtraídas as opções repetitivas de 57 cathartiformes, determinou o seguinte:

» Campeonato Estadual: 51 votos (29,5%)
» Copa do Brasil: 51 votos (29,5%)
» Campeonato Brasileiro: 28 votos (16%)
» Copa Sul-Americana: 35 votos (20%)
» De competição: 8 votos (5%)

A votação revela que apenas 5% de botafoguenses não têm esperança em qualquer título em 2011 e a maioria esmagadora (59%) considera que é possível conquistar o Campeonato Estadual e ou a Copa do Brasil.

A votação foi claramente prudente, já que privilegiou os dois títulos que aparentam ser mais fáceis de obter. Em seguida aparece a Copa Sul-Americana, que é um pouco mais difícil de conquistar e, finalmente, o duríssimo campeonato brasileiro (exageradamente duro em calendário) que parece realmente ser a compita mais difícil de conquistar em 2011.

Continuo a defender como metas para este ano a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana, sem muita esperança, caso se mantenha a atual comissão técnica que, sinceramente, me parece que se esgotou em termos de inovação.

Há uma coisa que vos garanto, amigos leitores: o Botafogo precisa com urgência construir uma equipa ganhadora de uma competição de nível nacional ou internacional, sob pena de acabarmos definhando por falta de reprodução de jovens torcedores.

Botafogo 0x2 Mirassol - regressando à moda antiga

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