quarta-feira, 29 de junho de 2016

Waldemir Alves, botafoguense eterno

Kemps, na Rua Voluntários da Pátria, às 23h45 de 18 de Junho

por FERNANDO MOURA PEIXOTO (ABI 0952-C)
[Escrito para o blogue Mundo Botafogo]

“Como se torna amarga a música mais doce / Quando o compasso falha e o tempo se perde! / O mesmo ocorre com a música da vida dos homens.”SHAKESPEARE (1564-1616), Ricardo II, Ato V.

Um ‘Botafoguense eterno’, assim se define Waldemir Prado Alves, nascido em Ilhéus, sul da Bahia, em 29 de setembro de 1949. De signo equilibrado – cuja palavra-chave é Humanismo –, e como todo libriano, dotado de mente muito atenta, temperamento alegre e comunicativo.

Radicado no bairro de Botafogo há 45 anos, aos 19 veio para o Rio de Janeiro, ingressando no Exército, no 1º Quartel de Artilharia da Costa, Posto Seis, no Forte de Copacabana. E frequentou as escolas Cecília Meirelles e Cócio Barcellos, tendo apenas o Supletivo Primeiro Grau.

Músico e compositor, ele exibe a sua arte tocando e cantando à noite, estrela solitária, pelas ruas de Botafogo, com seu violão, em que falta a primeira corda, mas que ostenta na caixa de ressonância a bandeira brasileira e o escudo do Glorioso Alvinegro.

Dá para se notar o ritmo, a qualidade das melodias e a voz rascante. Possui mais de 60 composições, algumas registradas – as que, precavido, executa para o público. Diz que falta um empurrãozinho para ele se firmar no mundo artístico.

Com uma filha e dois netos, as mãos experientes e calejadas, necessita trabalhar e disponibilizou o número de seu celular a quem se interessar em ajudá-lo: 9-7660-5516.

Texto e imagem: FERNANDO MOURA PEIXOTO

4 comentários:

Jussara Neves Rezende disse...

O mundo artístico não é nada justo, Fernando, essa é a verdade. Enquanto uma meia dúzia de artistas se beneficia de milhões retirado do povo através da Lei Rouanet - e ainda cobram do povo o que o povo patrocinou! - há artistas - bons artistas - que tem que contar com a sorte para sobreviverem. E com o olho clínico do Fernando que vez em quando os revela!
Abraço!

Lúcia Costa disse...

Concordo plenamente com a Jussara. Conheço alguns músicos maravilhosos que vivem pelas ruas, chapéu na mão, em busca de alguns reais. Levam uma vida surreal. Ainda assim, alegram e encantam com o som de seus instrumentos, todos aqueles que por eles passam.
Waldemir é apenas mais um artista que, certamente, guarda em seu coração , a esperança de sair do anonimato, ganhar os palcos e os aplausos merecidos. Fernando toma uma bela iniciativa ao contar sua história em um blogue da categoria do Mundo Botafogo. A sorte está lançada. Tomara que ele encontre alguém que queira e possa realmente ajudá-lo a viver dignamente da sua arte. Parabéns,Fernando !

Carlos Bill disse...

Fernando, o Waldemir é um artista por excelência, instintivo, e ele possui o impulso (dom) mais valorizado no mundo da música: a paixão, e não só o entusiasmo e impulso. Compôs mais de 60 músicas?! Bem isso é incrível, ele lembra os sambistas antigos e músicos norte-americanos de blues que aprenderam por conta própria a tocar e cantar, observando blueseiros ou sambistas bem mais velhos e veteranos.

Quanto a conseguir tocar, ele precisa infelizmente de um trabalho a mais, que "dá um trabalho danado", ou seja, se ele pudesse gravar quatro vídeos de boa definição e ir enviando-os a gerentes/promoters de barzinhos, produtores de eventos etc., enquanto ao mesmo tempo ia postando suas performances no YouTube e assim "fazendo público" até ter uma quantidade "segura" de admiradores/seguidores. Hoje em dia, o promoter quer quantidade, de 600 a mil e algo sguidores já começa a estimular a mente do "cara" que contrata bandas, pois grandes espaços são pagos e em alguns só se consegue tocar junto a outras bandas, em festivais de bandas.

Mas com o celular que ele pôs à mostra com certeza será ajudado, seu eu fosse dono de casa noturna é certo que o contrataria, mas sou também mais um baixista que, mesmo tocando em banda, sente como é difícil conseguir firmar um nome e um local para tocar onde o promoter e a banda criem um vínculo seguro o bastante para fazer com que ela seja uma espécie de "banda da casa fixa". Mas quem toca até a meia-noite na rua de Botafogo e é um extremamente produtivo performer e compositor já tem garantias de um certo reconhecimento. A imprensa digital e impressa também é importante, mas é tudo uma combinação de empatia com público, promoter, jornalista etc.. E um pouco de sorte, mas mais de trabalho!! Como os melhores e bons músicos baianos, ele tem a verve da aventura na genes, o impulso. Já viram Pepeu Gomes ou Caetano Veloso em ação? OK nada mau, não é mesmo? Eles diferem em muito de outras situações porque têm esse senso de individualismo, e acabam conquistando espaço mesmo sem planejar, pelo bom gôsto das músicas que eles COMPUSERAM. Waldemir tem a vantagem de ser baiano, também, sem nenhum preconceito da minha parte. É como o bluesman americano, aquele senso de audácia e improviso...E...dá-lhe Botafogo!!!

Unknown disse...

Recebi de MÁRCIA ALVES o seguinte e-mail:

“Boa tarde, Fernando. Aqui quem lhe fala é Márcia Alves, filha do Waldemir. Vi na internet o texto que fez sobre meu pai. Achei lindo.
Desde já muito obrigada pela ajuda ao meu Pai. Abraço.”

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