sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Os coroas no Maracanã

Foto de Paulão Novaes

por Paulo Marcelo Sampaio
Jornalista, Botafoguense
15/setembro/2013

“Didi, olha que engraçado a cena lá em baixo”, falou baixinho Quarentinha. O Príncipe Etíope de Rancho achou que fosse alguma artimanha do companheiro para distraí-lo. Jogavam pôquer, que exige concentração e, em caso de prática celeste, um olho no prefeito Pedro, que reprime essa prática. Não pelas apostas em si, mas nas desavenças que ela pode causar. Didi coça o queixo: tem um straight flush, cartas boas nas mãos. “É sério, senhor Valdir Pereira. Não tô querendo te prejudicar não”, diz o paraense cabeçudo. E aponta para dois cidadãos a caminho do Maracanã, na última quarta-feira, dia 10 de setembro. Eles saem da estação do metrô. “Aquele ali é o Paulo César, aquele pirralho filho do Marinho Rodrigues que acompanhava nossos treinos em General Severiano”, reconhece Didi. “O outro é o Carlinhos Roberto. Você chegou a treiná-lo, Didi?”, quer saber Quarenta. Didi não responde, não se sabe porque Faz tanto tempo ou o Senhor Futebol não quer se prender muito ao passado.

Não demora muito e um torcedor, acompanhado do filho e de amigos, recebe um tapinha nas costas. Quando se vira pra trás, vê que é Paulo César quem o chama. Enche-se de orgulho. Afinal de contas, tem 45 anos e ainda era um bebê quando Caju brilhou. Conheceram-se depois que o primeiro se meteu a escrever sobre as memórias da paixão comum aos dois, o Botafogo. Tudo é festa nesse encontro. Troca de abraços, expectativas para o jogo contra o corinthians, que começará dali a 40 minutos. Não demora muito e pedidos de fotos começam a ficar cada vez mais frequentes. Pela postura outrora e ainda hoje polêmica, PC é o mais reconhecido. Mas isso não o faz esquecer do amigo. Educadíssimo, apresenta a quem não o reconhece o “também campeão pelo nosso clube o Carlos Roberto”. E o chama para todas as fotos.

Lá em cima Didi e Quarentinha já não ligam mais para os flushs, full hands, os fours of a kind ou os straights. Eles observam a cena. “Rapaz, sabe como o Gérson foi parar no Botafogo?”, pergunta Quarentinha a Didi. O meio-campista sabia. Mas fingiu esquecer. Porque nunca ouvira a história da boca do personagem. “Tava esperando consertarem meu Fusca perto da Gávea e ele esperando o lotação pra Niterói. Ele quis saber o que estava fazendo lá e acabou me dizendo que tinha brigado com o presidente do flamengo. Logo vi ali uma oportunidade pra reforçar nosso time”, lembra Quarentinha. Didi sorri. “Mas você já conhecia essa história, né Didi?”. “Conhecia sim. Mas estou rindo porque essa cena hoje jamais se repetiria. Hoje os jogadores desfilam em carrões, tem assessores de marketing, assessores de imprensa, procuradores, empresários. Mais fácil chegar ao Papa”. “Ídolos de antigamente são ídolos eternos” pensa alto o artilheiro que não comemorava seus gols.

Os amigos se separam. E os craques lá de cima continuam ligados. Lá pela metade do segundo tempo entra um crioulinho atrevido em campo. É o tal do Hyuri, que já ganhou a simpatia de Saldanha por ser xará do cosmonauta soviético Gagarin. Didi e Quarentinha não se empolgam muito. Ainda assim estão confiantes. O Botafogo domina o jogo, não corre riscos, como no jogo contra o são paulo. Mas nada de o gol sair. A cinco minutos do fim, o torcedor recebe um SMS. “Pra botar o Hyuri deslocou o Rafael Marques pro centro. Hyuri vai fazer o gol aos 44 minutos”, vaticina Paulinho Criciúma. O ídolo de 1989 erra por míseras dez segundos. E todos vamos felizes para casa.

Sem comentários:

Botafogo campeão estadual de futebol sub-17 (com fichas técnicas)

Fonte: X – Botafogo F. R. por RUY MOURA | Editor do Mundo Botafogo O Botafogo conquistou brilhantemente o Campeonato Estadual de Futebol...