quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

1961: Taça de Campeão Estadual

Taça de campeão estadual de 1961. Acervo: Pedro Varanda

O Botafogo bateu o Vasco da Gama na final de 1948, o Fluminense na final de 1957 e chegara a vez do Flamengo em 1961.

No dia 28 de dezembro de 1961, no Estádio do Maracanã, o Botafogo sagrou-se campeão carioca de futebol ao vencer o Flamengo por 3x0, num dos mais fantásticos jogos de Mané Garrincha – o Botafogo afinava a frente de ataque que havia de conquistar o bicampeonato do mundo de futebol através de Didi, Garrincha, Amarildo e Zagallo.

A formação base do nosso clube alinhava com Manga, Rildo, Zé Maria, Nílton Santos e Chicão; Aírton e Didi; Garrincha, Amoroso, Amarildo e Zagallo. O técnico era Marinho Rodrigues.


A etiqueta ‘taças e medalhas’ é da responsabilidade conjunta de Sérgio Nunes (amigo e colaborador) e Rui Moura (blogue Mundo Botafogo)

Há gente que não se enxerga...


A equiparação de títulos nacionais de futebol dos anos sessenta aos títulos brasileiros pós-1971 aparenta uma sofisticadíssima forma de criar dois campeões num só ano e, contra todas as aparências, justificação para que, desse modo, 1987 tenha tido, afinal, dois campeonatos e, consequentemente, dois campeões.

Muito bem visto, sem dúvida… Um hexa trocado por uns quantos títulos dos anos sessenta para acalmar as hostes adversárias e validar o invalidável...

Os mesmo que justificaram não reconhecer um título por impedimento de uma decisão transitada em tribunal, alteram a decisão semanas depois, e mostram o terceiro-mundismo em que vive o futebol brasileiro com a taça das bolinhas para lá e a taça das bolinhas para cá. – “Quero a taça.” – “Não dou.” – “Dás.” – “Não, é minha.” – “Devolve a taça.” – “Não devolvo.” – “Tens que devolver.” – “Está bem, mas quero uma cópia.”

- “Sou hexacampeão.” – “Não és.” – “Sou sim, vou explicar como…” – “Percebi… serás hexacampeão…”

Terceiro-mundismo do mais puro. Há gente que não se enxerga. Nem enxerga o mal que faz à nação. - “Gosto de levar vantagem em tudo, certo? Leve vantagem você também.”

Na verdade, porque não voltam com tudo atrás, depois de tantas (in)decisões e entregam a taça das bolinhas ao primeiro penta-campeão brasileiro oficial, o Santos de 1965?

Leia muito mais em http://aqipossa.blogspot.com/2011/02/no-mundo-do-faz-de-conta-cbf-reconhece.html

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Botafogo 0x1 River

No domingo, respondendo a um comentário de um amigo nosso, escrevi aqui no blogue: “Acho que quarta-feira não vamos golear. Já não me lembro da última goleada em jogos da Copa do Brasil contra equipas tecnicamente bem inferiores ao Botafogo.”

Talvez ganhar por um a zero? Empatar, talvez? Não… Perder?!?!?! Sim… com vaias de torcedores que raramente podem ver o Botafogo jogar ao vivo e acabam profundamente decepcionados.

Botafogo e Copa do Brasil é antônimo.

Já nem dá p’ra chororô. Só p’ra sorrisô. Confesso que estou sorrindo… Bola aérea, né? O gramado é só p’ra chuteira pisar, né?

Joel… tá chegando a hora… o Brasileirão já vem chegando rapaz… tens que ir embora… Ou a responsabilidade é do Dudu?

FICHA TÉCNICA
Botafogo 0x1 River Plate
» Gol: Bebeto Oliveira 86’
» Competição: Copa do Brasil
» Data: 23.02.2011
» Local: Batistão, em Aracaju (SE)
» Arbitragem: Marielson Alves Silva (BA); auxiliares: Luiz Carlos Silva Teixeira (BA) e Adson Márcio Lopes Leal (BA).
» Disciplina: Somália, Herrera, Márcio Rosário e Antônio Carlos (Botafogo); Bibi, Bruno Ramos, Váldson, Bebeto Oliveira (River Plate)
» Botafogo: Jefferson, Rodrigo Mancha, Antônio Carlos e Márcio Rosário; Alessandro, Somália, Bruno Tiago, Renato Cajá (Caio) e Márcio Azevedo (Everton); Herrera e Loco Abreu. Dudu Fontes.
» River Plate: Max, Glauber, Bebeto, Váldson e Pedrinho; Wallace, Fernando Pilar (Lucas), Bruno Ramos e Éder (Fábio Júnior); Bibi (Claudinei) e Bebeto Oliveira. Aílton Silva.

Recordações dos anos 60

O destino levou-me de Lisboa ao Rio de Janeiro ainda infante, em 1960. Vivi durante toda a década em terras brasileiras, ganhei uma irmã carioca e uma enorme paixão pelo Botafogo de Futebol e Regatas.

Nos últimos anos tenho ido ver o Botafogo ao Maracanã e ao Engenhão (entre outros, com os meus primos, o Maurélio, o Marcos Müller, a Cristina Saraiva, o Gil Gomes, o César Oliveira, o Patinhas, etc.), e conheço as duas lojas oficiais no Rio de Janeiro e em Brasília, tendo estado nesta última em Dezembro de 2010, há dois meses apenas, com o meu amigo Fábio ‘Snoopy’, antes de nos encontrarmos com o Macau e o Zé Ricardo. Gosto de ir a General Severiano (já lá estive com os amigos João Ignácio Müller, Paulo Marcelo Sampaio, Rodrigo Federman e muitos outros), já visitei o imortal Garrincha no cemitério de Pau Grande, com o meu primo Fernando, e desfrutei durante horas da companhia de Nilton Santos e esposa, com a minha amiga Pamella Lima. Tenho muitos amigos botafoguenses em vários sítios do Brasil, felizmente. Pelo menos nos Estados litorais desde Santa Catarina até Alagoas, e, claro, Brasília.

Das boas recordações da minha infância e juventude da década de 1960 fazem parte o Bangu, o Bonsucesso, o Campo Grande, o Canto do Rio, o Madureira, o Olaria e o São Cristóvão, que eram os clubes que disputavam o campeonato carioca no início da década de 1960. Além de ser fã do G.R.E.S. Salgueiro, do turfe e do jóquei Antônio Ricardo, pai do campeão mundial botafoguense Jorge Ricardo.

Vou contar hoje o meu elo ao Bonsucesso, com o qual simpatizo há mais de quarenta anos. Lembro-me bem que, fora uma ou outra ocasião em que o Botafogo ganhava folgadamente ao Bonsucesso, os resultados eram quase sempre muito apertados.

Não foi por isso que comecei a simpatizar com o Bonsucesso, embora achasse interessante ver o clube bater-se como um leão, empatando muitas vezes com o Botafogo, e ocasionalmente até chegava a ganhar. E não era fácil lutar contra um clube que, à época, tinha Garrincha, Manga, Rildo, Waltencir, Bianchini, Gerson, Jairzinho, Ferretti, enfim, um monte de craques. David contra Golias. Mas… o Bonsucesso não se saía tão mal assim.

Sucede que em 1968 os meus pais matricularam-me no então curso científico do Colégio Nossa Senhora do Brasil, na Penha. Foi nessa época que me familiarizei com a zona da Penha, Olaria e Bonsucesso. Então, deu-se o click.

Nesse ano eu conheci uma garota da minha idade que vivia na Penha e, se bem me lembro, namorava com ela há cerca de três semanas. Era morena, alta, esbelta. Houve um domingo que ela não pôde aparecer e enviou uma amiga para me avisar da sua ausência.

Foi ‘tiro e queda’: eu e a amiga apaixonámo-nos subitamente nesse dia. Ela chamava-se Suzie e vivia em Bonsucesso. Possuía um belo cabelo loiro comprido, só tinha mais cinco centímetros além de metro e meio, mas era linda.

Foi um bocado complicado antes de trocarmos o primeiro beijo, devido à ‘presença’ da terceira pessoa ausente, mas… não foi possível resistir. Mudei-me de ‘armas e bagagens’ para Bonsucesso todos os domingos.

É certo que o click de simpatia ao Bonsucesso já ocorrera, mas… ainda não estava completo. Completou-se numa relação indireta ao Botafogo.

Bonsucesso 1963: em pé – Severino, Marcelo, Paulinho, Cláudio, Edson e Lucas; agachados – Válter, Adauri, Roberto, Helinho e Sérgio.

Esse complemento ocorreu no dia 11 de Setembro de 1968. Pela Taça Guanabara o Botafogo encerrou a campanha com os mesmos pontos do Flamengo, ao qual ainda faltava realizar um jogo, bastando o empate na última partida para se sagrar campeão. E contra quem era essa última partida? – Contra o… Bonsucesso!

Botafoguenses e flamenguistas, nas suas soberbas de clube ‘grande’, decretaram o falecimento antecipado do Bonsucesso, que se encontrava em último lugar na tabela: antes desse último jogo o Botafogo partiu em excursão e o Flamengo mandou confecionar as faixas de campeão da Taça Guanabara.

Ledo engano! Em pleno estádio do Maracanã, e perante mais de 40 mil flamenguistas, o Bonsucesso liquidou com as antecipadas aspirações do adversário e obrigou o Botafogo a regressar à pressa para o jogo decisivo de desempate, no qual o Botafogo goleou o Flamengo por 4x1 e pôde tornar-se Bi-Bi Campeão – bicampeão carioca e bicampeão da Taça Guanabara.

Eis a ficha do inolvidável jogo em que Gonçalves foi a grande figura como autor dos dois gols apontados:

Bonsucesso FC 2x0 CR Flamengo.
» Gols: Gonçalves 12’ e Morais 88’
» Competição: Taça Guanabara
» Data: 11.09.1968
» Local: Maracanã, Rio de Janeiro
» Renda: NCr$ 115.470,00
» Público: 47.821
» Árbitro: Armando Marques
» Bonsucesso: Ubirajara, Luiz Carlos, Paulo Lumumba, Jurandir e Alberico; Fifi (Moisés) e Didinho; Gilbert (Jair Pereira), Gibira, Gonçalves e Morais. Técnico: Maurillo José de Souza 'Velha’.
» Flamengo: Claudinei, Murilo, Onça, Guilherme e Paulo Henrique; Carlinhos e Liminha; Luiz Cláudio (Zezinho), Silva Batuta, Fio Maravilha e Rodrigues Neto. Técnico: Válter Miraglia.
Obs: 1. O empate daria o título ao clube da Gávea-Lagoa-Leblon; 2. De acordo com a Última Hora, os jogadores do CR Flamengo saíram de campo chorando. Fontes: Jornal do Brasil e Última Hora.


Mais tarde, encontrei outras razões para simpatizar com o Bonsucesso mesmo antes de eu ter nascido. A primeira remete para os anos trinta do século passado, em que o grande craque do Bonsucesso, Leônidas da Silva, o ‘Diamante Negro’, se transferiu para o Botafogo. Leônidas marcou pelo Bonsucesso o primeiro gol de bicicleta e foi campeão pelo clube de General Severiano em 1935 (Botafogo, tetracampeão carioca).

A segunda razão ocorreu uma década depois: no dia 29 de Junho de 1947 o Bonsucesso inaugurou as arquibancadas de cimento do campo Teixeira de Castro, substituindo as arquibancadas de madeira, tendo convidado o Botafogo e o Fluminense para o jogo principal, o que considero uma honra e sinal de amizade. No jogo preliminar, o Bonsucesso venceu o Madureira por 3x2. Eis as fichas técnicas de ambos os jogos:

Bonsucesso FC 3x2 Madureira AC
» Gols: Zé Luiz, Jorge e Flávio (Bonsucesso); Beijinho e Genésio (Madureira)
» Competição: Amistoso
» Data: 29.06.1947
» Local: Campo Teixeira de Castro
» Árbitro: Guilherme Gomes
» Bonsucesso: Max, Gato e Antoninho; Cambuí, Mirim e Nélson; Ruy (Nerino), Ubaldo, Zé Luiz, Jorge (Flávio) e Eunápio.
» Madureira: Neném, Messias (Mário Brandão) e Perereca; Olavo, Hermínio (Claudionor) e Godofredo; Lupércio, Genésio, Cidinho (Caíco), Beijinho e Esquerdinha.

Botafogo FR 5x5 Fluminense FC
» Gols: Santo Cristo (2), Octávio (2) e Ponce de León (Botafogo); Osvaldinho (2), Marinho (contra), Careca e Juvenal (Fluminense)
» Competição: Amistoso
» Local: Teixeira de Castro; 29/Junho/1947
» Árbitro: Geraldo Fernandes
» Botafogo: Osvaldo Baliza, Marinho e Sarno; Ivan, Cid e Juvenal; Ponce de León, Octávio, Oswaldinho (Braguinha), Geninho e Santo Cristo.
» Fluminense: Darcy, Guálter e Hélvio; Paschoal, Telesca e Bigode (Ismael); Pinhegas, Ademir Menezes (Juvenal), Simões (Rubinho), Careca e Rodrigues (Osvaldinho).

A terceira razão, ocorrida em 1968, de simpatia pelo Bonsucesso, já foi descrita anteriormente, mas existe uma quarta razão ancorada numa tarde mágica de 21 de junho de 1989.

Nessa data, após um jejum de duas décadas sem celebrar um título de campeão carioca, o Botafogo bateu o Flamengo por 1x0 no Estádio do Maracanã, na final do campeonato carioca.

E quem foi o autor do gol que sagrou o Glorioso campeão carioca de 1989?

Nada mais, nada menos, do que Maurício de Oliveira Anastácio, atleta revelado pelo Bonsucesso e campeão estadual infantil invicto pelo clube rubro-anil em 1975.


O dia de glória de Maurício foi sacramentado assim:

Botafogo FR 1x0 CR Flamengo
» Gol: Maurício, 12’ 2ºT
» Competição: Campeonato Carioca
» Dia: 21.06.1989
» Local: Estádio Mário Filho (Maracanã)
» Juiz: Walter Senra
» Renda: NCz$ 302.592,00 (Trezentos e Dois Mil,Quinhentos e Noventa e Dois Cruzados Novos)
» Público: 56.412 pagantes (68.671 presentes)
» Botafogo: Ricardo Cruz, Josimar, Wilson Gotardo, Mauro Galvão e Marquinhos. Vítor, Carlos Alberto Santos e Luisinho; Maurício, Paulinho Criciúma e Gustavo (Mazolinha). Técnico: Valdir Espinosa.
» Flamengo: Zé Carlos, Jorginho, Aldair, Zé Carlos Nascimento e Leonardo. Aílton, Renato e Zico (Marquinhos); Alcindo (Sérgio Araújo), Bebeto e Zinho.
Técnico: Telê Santana.

PALMARÉS DE FUTEBOL DO BONSUCESSO

Títulos Oficiais

» Torneio Suburbano de Bonsucesso: 1915
» 2ª Divisão da Liga Suburbana de Futebol: 1918
» 1ª Divisão da Liga Suburbana de Futebol: 1919
» Campeonato Carioca da 2ª Divisão: 1921, 1926, 1927, 1928, 1981, 1984
» Campeão Carioca da 3ª Divisão: 2003

Torneios

» Torneio Adroaldo Ribeiro Costa: 1959
» Torneio Quadrangular de Feira de Santana: 1961
» Torneio Paulo Rodrigues: 1967
» Torneio Valdir Benevento (invicto): 1976

Categorias de base

» Campeão Carioca de Juniores (sub-20): 1939
» Campeão Carioca de Infantis (sub-15): 1975
» Campeão Carioca Juvenil de futebol feminino (invicto): 1983

Vida eterna ao Bonsucesso Futebol Clube!

Autoria e pesquisa de Rui Moura (blogue Mundo Botafogo)
Súmulas de Pedro Varanda
http://www.bonsucessofcrj.com.br/

Botafogo 0x2 Mirassol - regressando à moda antiga

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