Fernando Moura
Peixoto, responsável pela rubrica Bairro Botafogo, escreveu-me após ler um
artigo de 2011 no blogue sobre o Clube dos Cafajestes, que considerou ser “uma linda e minuciosa matéria!”
O grupo foi fundado e liderado pelo ‘fanático’ botafoguense
Edu (Eduardo Henrique Martins de Oliveira), comandante da Panair do Brasil, que
foi jogador juvenil do Botafogo no início da década de 1930, com Althemar Dutra
de Castilho (futuro presidente do Botafogo), e padrinho de casamento do
futebolista Heleno de Freitas, que era outro ‘fanático’ botafoguense membro do
‘Clube dos Cafajestes’ (http://mundobotafogo.blogspot.pt/2011/03/o-clube-dos-cafajestes.html).
Desse grupo
faziam parte, entre outros, Stanislaw Ponte Preta e Ibrahim Sued. Fernando
Moura Peixoto solicitou-me que prestasse homenagem a Ibrahim Sued, mas a
verdadeira homenagem deve ser prestada por quem se lembrou do grande
articulista, especialmente tendo em consideração que o próprio Fernando se
orgulha de ter colaborado para a coluna de Ibrahim com “notinhas passadas
através da assessora Márcia Bahia, no escritório da Rua Siqueira Campos,
em Copacabana”.
E Fernando Moura Peixoto prossegue:
“Em 1º de
outubro de 1995 falecia o nosso brilhante jornalista Ibrahim Sued, canceriano
nascido em 23 de junho de 1924, considerado o criador do colunismo social
brasileiro.
Seguem duas
frases de Ibrahim Sued contidas em seu livro "20 Anos de Caviar",
de 1972, da Bloch Editores. Penso que definem muito bem quem ele foi e a
sua importância para o colunismo moderno.
– Ajudei muita
gente, fiz muita gente, mas nunca esperei gratidão. Se nem a Jesus Cristo foram
gratos, por que haveriam de ser comigo? Não guardo, no entanto, ódio ou rancor,
quer das pessoas que tanto ajudei e acabaram se 'esquecendo' de mim, quer dos
que tentaram me destruir.
– O colunismo
pode ser muito mais sério, muito mais importante, do que a vã filosofia dos
comuns dos mortais pode imaginar. (...) Sorry, mas é assim. Depende apenas de ter cabeça. E saber
usá-la."
Entretanto, eis algumas notas
biográficas complementares sobre Ibrahim Sued:
Ibrahim Sued
nasceu em Botafogo no dia 23 de junho de 1924 e aí faleceu a 1 de outubro de
1995. Filho de imigrantes árabes e conhecido pela alcunha de
‘Turco’, que o acompanhou toda a vida, cresceu na Tijuca e em Vila Isabel e
morou muitos anos em quartos de pensão em Copacabana antes de privar com
Getúlio Vargas, Rainha Elizabeth ou John Kennedy.
Iniciou carreira como repórter
fotográfico, adquirindo reputação ao cobrir a visita do então comandante das
tropas aliadas na Segunda Guerra Mundial, general Dwight Eisenhower. Já na
década de 1940 foi companheiro de boêmia de Mariozinho
de Oliveira, Baby Pignatari, Sérgio Porto e Heleno de Freitas
do Clube dos Cafajestes, cuja festas e rebus abalavam os padrões da época.
Começou então a
conhecer gente, frequentar festas e a piscina do hotel Copacabana Palace e em
1954 passou a trabalhar em O Globo, no qual permaneceu até falecer em 1995,
destacando-se como colunista social e causando diversas polêmicas.
Com uma vida marcada por paradoxos e
contradições, despertou amores e ódios através de 15 mil colunas escritas ao
longo de 45 anos. Em 1983, pelos 30 anos da sua coluna em O Globo, teve lugar
uma memorável recepção no Copacabana Palace com mais de 1500 convidados que
consumiram, entre outros, 600 garrafas de champanhe, 300 litros de vinho tinto
francês, 120 quilos de camarão, 60 quilos de lagosta, 10 quilos de foie gras, 210 patos e uma copiosa
variedade de frutas e saladas. O evento contou com fogos de artifício e desfile
de passistas de escolas de samba no calçadão da Avenida Atlântica.
Criador de diversas expressões
(‘bordões’) que passaram a ser cunho pessoal e marcaram definitivamente o
estilo do colunista, Ibrahim Sued foi homenageado em 2003 com uma estátua em
frente ao hotel Copacabana Palace.
Imagem: "20
Anos de Caviar", Bloch Editores, 1972.

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