por FERNANDO MOURA PEIXOTO
[deferência para o Mundo Botafogo]
“Mais de quarenta anos depois que eu tiver desaparecido quem se
lembrará de que passei por este mundo? Quem, abrindo os olhos da memória sobre
minha ausência, me reverá?” – AUGUSTO
FREDERICO SCHMIDT (1906–1965), ex-presidente do Club de Regatas Botafogo e
vice-presidente do Botafogo de Futebol e Regatas.
Rildo Silva,
entregador autônomo do supermercado, recebeu o nome em homenagem ao
lateral-esquerdo Rildo, do Botafogo e da Seleção
A ideia original era retratar o dia a dia de um grande e movimentado supermercado da zona sul do Rio de Janeiro. Mais exatamente o Extra da Rua Voluntários da Pátria, 311, no bairro de Botafogo, em cuja inauguração, ocorrida em 2010, estive presente. Fui cliente dos outros estabelecimentos que o precederam naquele perímetro – Disco, Charque, Paes Mendonça e Sendas.
Não se imaginava que, transcorridos quatro anos, já fosse
sofrer reformas substanciais de melhorias e “trocar a bandeira” - jargão comercial que significa mudar o nome -
para Pão de Açúcar, outro gigante de
sua cadeia no ramo de venda de mercadorias.
As fotos foram efetuadas em 2013 e cabe aqui um agradecimento
especial à encarregada da frente de loja do Extra, Maria Lúcia Andrade (fã de fotografia, como eu), a quem dedico este
trabalho, pelo apoio e compreensão que recebi.
Deve-se a criação dos supermercados no Brasil graças à
iniciativa pioneira do intelectual e empreendedor carioca Augusto Frederico Schmidt (1906 – 1965) - seu cinquentenário de
falecimento ocorreu em 8 de fevereiro de 2015, quase sem registro na mídia. Em 11 de agosto de 1956, um sábado, era aberto
o pioneiro DISCO (Distribuidora de
Comestíveis S.A.), em Copacabana, na Rua Siqueira Campos, no lugar onde
hoje funciona o Pão de Açúcar.
O jornal CORREIO DA
MANHÃ, em sua edição de domingo, 12 de agosto de 1956, sob o título INAUGURADO UM SUPERMERCADO EM COPACABANA,
assim noticiou o fato:
“Inaugurou-se ontem, na Rua
Siqueira Campos, nº 89, o primeiro de uma série de supermercados que vão ser
instalados, pela empresa ‘Disco’ S.A., em diferentes pontos da cidade.”
“O mais exigente consumidor
poderá servir-se a seu gosto e segundo seu poder aquisitivo de cerca de quatro
mil artigos domésticos e gêneros alimentícios nacionais e importados. Tudo o
que os mais supridos armazéns e quitandas possam ter, pode ser encontrado no
supermercado da ‘Disco’, com a diferença das condições práticas de higiene. E
tudo poderá ser adquirido sem atropelos, podendo o comprador examinar
minuciosamente a mercadoria já pesada, limpa de impurezas, empacotadas ou
ensacadas e com os preços afixados nos invólucros. Compareceu à inauguração o
prefeito Negrão de Lima.”
Os versos finais, VAZIO
(“Pássaro Cego”, 1930), são de autoria de Augusto
Frederico Schmidt (1906 – 1965), “o gordinho sinistro”, um homem de
bastidores, um visionário, cosmopolita, o
poeta da Estrela Solitária, integrante da segunda geração do Modernismo:
“A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.
A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inúteis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso matar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar.”
Com a habitual categoria, o TRIO CAIOWÁS interpreta a trilha sonora, repleta de clássicos da
MPB: “Anos Dourados” (T. Jobim/C.
Buarque), “As Rosas Não Falam”
(Cartola), “Carinhoso”
(Pixinguinha/João de Barro), “Começaria
Tudo Outra Vez” (Gonzaguinha), “Corcovado”
(T. Jobim/C. Buarque) e “Travessia”
(M. Nascimento/F. Brant).
Supermercado em Botafogo Mudou o Nome - Parte 2 (2013)










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