Thereza, 80 anos
por FERNANDO MOURA PEIXOTO (ABI
0952-C)
[Deferência ao blogue Mundo
Botafogo]
“Ser negro no Brasil é uma batalha. O negro está sempre tendo que
provar que é capaz. E tendo que provar duas vezes.”
(HAROLDO COSTA)
Carioca de Copacabana,
aos 79 anos, Thereza da Conceição Gomes
Martins, nome artístico, Thereza
Martins, ou, simplesmente, Dona
Thereza – como é respeitosamente tratada no meio musical –, entrou para o
renomado Dicionário Cravo Albin da
Música Popular Brasileira, do Instituto
Cultural Cravo Albin, ICCA:
“Instrumentista.
Violonista. Irmã de criação da pianista
Marina Moura Peixoto. Viúva do violonista, violonista tenor, tocador de
banjo americano, cavaquinista e bandolinista Justo Gomes Martins Neto [1925-1993], o ‘Paulistinha’, um dos fundadores da formação inicial do conjunto
paulista ‘Demônios da Garoa’, e que
integrou também o conjunto ‘Anjos do Inferno’.”
“Embora fosse irmã de laureada pianista, acabou por dedicar-se ao
violão. Foi discípula de Dilermando
Reis, João Pereira, Othon Saleiro, Garoto e Luiz Bonfá. Participou de
inúmeros programas de calouros em diferentes emissoras, sendo presença
constante nos programas de calouros da
Rádio Nacional, tendo, inclusive, recebido várias vezes a nota máxima no Programa de Ary Barroso. Fez
apresentações no Clube Municipal, na
Rádio Tupi, e nas TV Tupi e TV Rio, sendo que, nesta última apresentou-se
no Programa ‘Heloisa Helena’.
“Na década de 1950, tornou-se a primeira mulher a tocar guitarra
no Brasil quando atuava no conjunto Blue
Star. Em 2015, aos 79 anos, continuava compondo e tocando violão e
apresentando-se semanalmente com diferentes grupos de choro na Praça São Salvador, e no Restaurante Baixo Gago, ambos no bairro
carioca de Laranjeiras. Uma das poucas mulheres a tocar violão de
sete cordas no Brasil.”
Thereza Martins completou 80 anos de idade no dia 23
de setembro de 2015, e, na noite de
sábado, 26, seus familiares lhe proporcionaram uma grande homenagem, que
teve a participação de amigos e colegas da turma do chorinho – gênero musical brasileiro urbano de harmonia e ritmos
bem característicos –, a que ela se dedicou, com incursões também pelo erudito. Herdeiros do talento inconteste de Dona Thereza, os filhos Herbert e Tania, assim como a neta Helena – que cursa Medicina – ensejaram-lhe diversas ‘canjas’. Beatriz Maria, a outra neta
– recém-formada em Relações Internacionais, na UFRJ –, assistiu e deu a maior
força.
O evento aconteceu na Tijuca,
no salão de festas do prédio onde reside sua filha Tania Gomes Martins, diplomada em Administração, e instrumentista e
cantora com experiência na noite carioca. E se assemelhou a um registro de
programa especial televisivo. Alguns moradores dos dois prédios vizinhos
achegaram-se às varandas, luzes apagadas – espectadores privilegiados –, para
melhor visualizar e ouvir o show. A comemoração durou seis horas, findando à
meia-noite.
Uma semana antes da recepção, Thereza
Martins gravou, no Studio Primus,
seu primeiro CD (particular), ‘Thereza Martins – 80 Anos’, sob a
direção do filho Herbert Gomes Martins,
sociólogo, engenheiro de produção e músico, e da nora Cleonice Puggian, professora e doutora em Educação.
Thereza demonstra a sua virtuosidade
interpretando clássicos no violão de seis cordas: ‘Pedacinhos do Céu’, de Waldir
Azevedo; ‘Ponciana’, de Ernesto Lecuona; ‘Antigamente’, de Garoto;
‘Preciso Aprender a Ser Só’ e ‘Samba de Verão’, de Marcos Valle; ‘Adiós’, de Enric Madriguera;
‘Aquarela do Brasil’ e ‘Brasil Moreno’, de Ary Barroso, e ‘Tango Jalousie’, de Jacob
Gade, em arranjos seus. Além de composições próprias: ‘Ao Mestre Luiz Bonfá’, ‘Na
Cadência do Choro’, ‘Um Tema para
Radamés Gnatalli’ e ‘Malagueña
Estilizada’.
Sobrinho de Thereza da
Conceição, eu me lembro das festas infantis nos anos 1950, realizadas no
apartamento 206 da Rua Álvares Borgerth,
nº32, em Botafogo, onde ela morava
com a minha avó Carmen Quartin Pinto de
Moura e o meu avô, Eduardo José de
Moura Filho, seus pais adotivos. Vovô
Eduardo, capitão farmacêutico do
Exército, falecera em 1948, e dele não me recordo, infelizmente. A tia Thereza, já crescidinha,
monopolizava as atenções dos adultos tocando o seu violão no quarto das
crianças, impondo-nos silêncio forçado. E nós, que não podíamos então brincar,
tornávamos seus ouvintes também. Hoje sou um orgulhoso fã.
Na noite do dia 26 de setembro efetuei cerca de 500 fotos,
reduzidas à metade na edição deste vídeo. Na trilha sonora, a cargo de Dona Thereza e por ordem de entrada, ‘Aquarela do Brasil’ (Ary Barroso), ‘Na Cadência do Choro’ (Thereza Martins),
‘Pedacinhos do Céu’ (Waldir Azevedo),
‘Ponciana’ (Ernesto Lecuona), ‘Antigamente’
(Garoto), ‘Um Tema para Radamés
Gnatalli’ (Thereza Martins), ‘Preciso Aprender a Ser Só’ (Marcos Valle), ‘Adiós’ (Enric Madriguera), ‘Brasil
Moreno’ (Ary Barroso), e ‘Samba de Verão’
(Marcos Valle).
“Onde há música, não pode haver coisa má.”
MIGUEL DE CERVANTES (1547-1616),
Dom Quixote
Violinista Thereza Martins, 80
Anos!
Meu vídeo: https://youtu.be/FOV2NS_0Jjc












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